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Capítulo 3

Author: Anônimo
Depois daquele dia, nós dois rompemos de vez. Dante quase nunca voltou para aquela casa que um dia chamamos de lar.

A única fresta pela qual eu via a vida dele era o Instagram de Olivia.

Ela vivia postando fotos de rondas no Massachusetts Hospital, com legendas cheias de palavras ocas como misericórdia e cura. Mas, no fundo da imagem, sempre aparecia algum vestígio de Dante: a silhueta dele, uma mão, ou o Patek Philippe que eu dei de presente.

Os comentários eram sempre os mesmos:

[Isso é a prova de que Deus escreve certo por linhas tortas!]

[Dante e Olivia são o verdadeiro amor!]

[Vocês merecem toda a felicidade do mundo!]

Cada vez que eu via aquilo, parecia que uma faca girava dentro do meu peito.

Depois de golpes demais, decidi cair atirando.

Publiquei na internet a nossa certidão de casamento, as provas da traição de Dante e, junto com tudo isso, as evidências irrefutáveis de que Olivia roubou minhas anotações sobre terapia genética contra o câncer. As datas, os dados experimentais, até os erros de digitação eram idênticos.

E não era só isso.

Descobri que Olivia invadiu meu servidor privado na nuvem e baixou uma quantidade enorme de dados brutos.

Eu ia arrancar aquela máscara de uma vez por todas.

Mas subestimei os métodos da família Falcone.

Dante foi mais cruel do que imaginei.

Ele comprou o médico responsável pela minha mãe, um cardiologista famoso contratado a peso de ouro pela Johns Hopkins University. De uma hora para outra, o homem inventou uma viagem urgente para Baltimore e interrompeu o tratamento dela.

Minha mãe sofria de insuficiência cardíaca grSem o tratamento especializado daquele médico, podia morrer a qualquer momento.

Dante me ligou. Sua voz vinha fria como janeiro em Boston.

— Sophia, publique um vídeo de retratação agora.

— Diga que a certidão de casamento foi editada no Photoshop. Diga que você inventou a fraude acadêmica.

— Caso contrário, o fornecimento de oxigênio da sua mãe no hospital pode sofrer um acidente.

No instante em que ouvi aquilo, o celular escapou da minha mão.

Caí de joelhos no chão e gritei para o outro lado da linha:

— Dante, é uma vida! Ela ajudou a pagar seus estudos! Como você consegue ser tão cruel?

Dante não se abalou. Eu até ouvi o som do uísque caindo no copo.

— Sophia, não espere misericórdia de mim quando você se comporta como inimiga.

— Se escolheu enfrentar a família, vai arcar com as consequências.

— Publique a retratação. Não destrua Olivia. Ela é a futura mina de ouro da família.

Naquele momento, finalmente entendi.

O homem que eu amava morreu.

Ou talvez nunca existiu.

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