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O Dom Me Implorou por uma Segunda Chance
O Dom Me Implorou por uma Segunda Chance
Author: Ivy

Capítulo 1

Author: Ivy
Terminei meu negócio de tráfico de armas em Milão mais cedo do que o esperado e peguei o primeiro voo de volta à Sicília. Aquele dia era nosso terceiro aniversário de casamento. Eu queria surpreender meu marido — o Dom Alexander.

Entrei furtivamente no edifício da sede. O plano era simples: me esconder na sala de estar do escritório de Alexander e pular nos braços dele assim que a reunião terminasse.

Pela porta entreaberta, observei Alexander sentado atrás daquela mesa preta. Sua expressão era séria enquanto ouvia Marco, seu subchefe, relatar os prejuízos da operação de contrabando no porto.

— Chefe, a remessa foi apreendida pela alfândega. Estamos falando de uns três milhões de prejuízo — disse Marco com respeito.

Eu ainda estava pensando em como confortar Alexander pela perda quando algo me fez o sangue gelar nas veias.

Uma cabeça loura surgiu de baixo da mesa.

Isabella. A secretária dele.

Ela estava ajoelhada entre as pernas de Alexander, desabotoando a calça dele com destreza. Sua cabeça subia e descia num ritmo que me revirou o estômago.

Meu coração parou de bater.

Alexander continuou discutindo negócios com Marco como se a mulher entre suas pernas simplesmente não existisse. Sua expressão não mudou nem um pouco.

— As rotas de embarque do mês que vem precisam ser reorganizadas — disse Alexander. Sua voz permanecia calma, mas eu conseguia perceber o prazer disfarçado por baixo dela.

Depois que Marco acenou com a cabeça e saiu, Alexander agarrou Isabella e a puxou para cima da mesa. Rasgou a blusa de seda dela com brutalidade. Os botões se espalharam pelo chão.

— Querido, você está tão agressivo hoje... — Isabella ofegou, enrolando os braços no pescoço dele.

Alexander deu uma risada baixa. Suas mãos não paravam de se mover.

— Calma. Esse terno foi escolhido pela Sophia. Não posso chegar em casa com ele amassado tendo que dar explicações.

Isabella riu de forma sedutora.

— A sua Donna seria capaz de te servir assim durante uma reunião?

A voz de Alexander estava carregada de desejo. Suas mãos amassavam os seios dela.

— Sophia é convencional demais, chata demais. Não chega nem perto de você, sua safadinha.

Pressionei a mão sobre a boca. As lágrimas embaçaram minha visão.

Meu coração parecia estar sendo cortado com uma faca cega. Cada golpe mais fundo que o anterior.

Três anos de casamento. Era assim que ele realmente me via.

Convencional demais. Chata demais.

Os gemidos continuaram por uma hora inteira. A dor ardente foi aos poucos entorpecendo meu coração.

Esperei Alexander e Isabella saírem antes de deixar o edifício. O vento frio lá fora cortava meu rosto como facas.

Na praça em frente, um imenso telão exibia imagens do nosso casamento de três anos atrás. A cerimônia de quinhentos milhões de dólares que a mídia chamou de casamento do século.

Na tela, Alexander se ajoelhava diante de mim. Segurava com as duas mãos um anel com um diamante rosa de dez quilates. Sua voz era solene ao fazer o juramento.

— Sophia, juro pela minha vida que vou te proteger e te amar para sempre.

Os passantes paravam para assistir. Suas vozes carregavam admiração e inveja.

— Olha só como o nosso Dom ama a esposa dele!

— Isso sim é amor de verdade!

Fiquei parada no meio da multidão, observando aquele homem apaixonado na tela. A imagem de Isabella entre suas pernas piscou na minha mente. A ironia era insuportável.

Uma hora depois, entrei no maior mercado negro da Sicília.

Aquele lugar era frequentado por todo tipo de negócio sujo imaginável. Mas havia uma única regra — sigilo absoluto.

— Donna? — Uma voz rouca emergiu por entre a fumaça de cigarro. — Se o seu marido soubesse que você está aqui, ele viraria a Itália inteira de cabeça para baixo.

Não perdi tempo com conversa fiada. Empurrei uma bolsa com diamantes de sangue brutos para o outro lado da mesa.

— Preciso que você crie uma identidade completamente nova para mim. E preciso que você simule minha morte. — Minha voz era calma como se eu estivesse comentando sobre o tempo. — Quero que a Donna Sophia Rossi desapareça deste mundo para sempre.

O homem ficou visivelmente chocado.

— Por quê? O Dom te adora. A Sicília inteira sabe disso...

— Isso não é da sua conta. — Cortei sua fala. Minha voz saiu tão decidida que me surpreendeu até a mim mesma. — Quanto tempo vai levar?

— Preciso falar com meu chefe. — Ele saiu para fazer uma ligação.

Logo voltou com a resposta.

— Cinco dias. Tudo estará pronto.
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