INICIAR SESIÓNLORENA MARTINSNa quarta-feira, acordei depois de uma noite mal dormida.Quando cheguei à empresa, concentrei-me no resort. Passei a manhã em algumas entrevistas, revisando o cronograma e respondendo às dúvidas enviadas pelos engenheiros.Perto do horário do almoço, Florência entrou carregando duas pastas.— Esses são os relatórios que pediu — informou, colocando os documentos sobre minha mesa. — Precisa de mais alguma coisa?Olhei para o relógio.Eu havia marcado duas visitas a apartamentos para depois do expediente. Não queria escolher meu novo lar sozinha, mas também não possuía muitas pessoas a quem poderia chamar.— Está ocupada no fim da tarde? — perguntei, fechando um dos relatórios.Florência estreitou os olhos.— Vai fazer um convite? Envolve comida grátis?Dei risada. — Vou visitar alguns apartamentos e gostaria de uma segunda opinião. Mas posso pagar um lanche ou jantamos juntas se estiver livre.Seu rosto se iluminou.— Claro que vou!No fim do expediente, saímos juntas.
BIANCA CASTROQuando cheguei à cozinha, encontrei Rafael parado perto da entrada.Me inclinei para ver o que ele estava vendo. Descobri que observava Leo, que estava fazendo tarefa com o telefone dele.No entanto, ouvi a voz de Lorena sair pelo aparelho. Rafael não fez nenhum movimento para interromper. Aquela cena me irritou imediatamente.— O que está fazendo com o telefone do seu pai? — perguntei, entrando na cozinha.Leo levantou o rosto.— Minha tarefa — respondeu, começando a guardar um caderno.— Falando com quem?Ele demorou um pouco para responder.— Com a Lorena.Atravessei a cozinha e retirei o telefone de suas mãos. A imagem balançou, e o rosto de Lorena apareceu na tela.— Por que está falando com meu filho? — exigi saber, segurando o aparelho diante de mim.— Foi Leo quem me telefonou — explicou, mantendo a voz calma. — Ele precisava de ajuda com a tarefa.— Você não tem o direito de conversar com ele sem nossa autorização.— Rafael deixou o telefone ao alcance dele.Ol
LORENA MARTINS— Lorena... — Leo murmurou. — Você pode me ajudar com a tarefa de matemática?Permaneci alguns segundos sem responder.Eu estava na biblioteca da mansão analisando anúncios de apartamentos quando o nome de Rafael apareceu na tela. Quase rejeitei a chamada. Depois da conversa daquela manhã, imaginei que ele tentaria novamente me convencer a ajudar na empresa.Atendi apenas para mandar que parasse de insistir.Então escutei a voz de Leo.Dessa vez, Rafael não havia colocado o telefone nas mãos dele. Leo me procurou porque desejava alguma coisa de mim.Ainda assim, não criei expectativas.Aquela ligação não significava que Leo havia voltado a me considerar sua mãe. Ele apenas estava precisando de ajuda.— Posso — respondi, afastando o computador. — Qual parte você não entendeu?— Quase tudo — confessou, diminuindo a voz.Escutei o som de folhas sendo viradas.— Pode iniciar uma chamada de vídeo? — pedi, pegando um caderno para fazer as contas com ele. — Preciso ver a ativi
RAFAEL DIMAS— Se não quiser ajudar por mim, faça isso pelo Leo — declarei. — Ou quer que a herança do nosso filho se acabe?O silêncio permaneceu do outro lado da ligação.Lorena não desligou. Isso demonstrava que eu havia encontrado um argumento que ela não conseguia ignorar.Apesar de tudo o que descobriu, ela ainda se preocupava com Leonardo. Podia fingir que não desejava mais vê-lo, mas passou sete anos acreditando que era sua mãe.— O que Leo tem a ver com a crise da empresa? — perguntou por fim.Sua voz não parecia emocionada. Estava fria.— Tudo o que construímos será dele no futuro — expliquei, caminhando ao redor da mesa. — Se a Dimas quebrar, Leo perderá a própria herança.— Uma empresa não é a única coisa que determina o futuro de uma criança.— É fácil dizer isso enquanto trabalha para um grupo bilionário.Lorena soltou a respiração devagar.— Você não está preocupado com Leo. Está usando o nome dele porque percebeu que seus outros argumentos não funcionaram.— Não estou
LORENA MARTINSNa segunda-feira, cheguei ao Grupo Montenegro antes das oito.Durante o domingo, havia separado alguns anúncios de apartamentos e marcado duas visitas para aquela semana. Ainda não contei a Adrian. Depois da conversa de sábado, ele já sabia que eu pretendia sair da mansão. Não precisava acompanhar cada etapa da minha procura.Eu também precisava concentrar minha atenção na equipe do resort.Na quinta-feira passada, abri a pasta com os currículos indicados por Adrian. O primeiro nome me fez permanecer alguns segundos encarando.Gustavo Almeida.A experiência de Gustavo correspondia exatamente ao que eu procurava para a coordenação técnica e já conhecia seu trabalho, imagino que não teremos problemas.Por isso, marquei a entrevista para aquela manhã.Pouco depois das nove, uma funcionária avisou que ele havia chegado.Pedi que o levassem até minha sala.Gustavo entrou carregando uma pasta. Vestia uma calça social e uma camisa clara. Parecia um pouco desconfortável por me
ADRIAN MONTENEGRO— Posso levar você para um encontro também?Lorena permaneceu imóvel.O vento moveu alguns fios de seu cabelo, e percebi que minha mão ainda estava perto de seu rosto. Afastei-a devagar.Ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando compreender se havia escutado corretamente.— Você me seguiu e agora está me convidando para sair? — perguntou, apoiando uma mão na cintura.A indignação na voz dela era compreensível.— Sim.Lorena abriu a boca, mas demorou alguns segundos para responder. Depois olhou para meu carro e para a rua vazia ao nosso redor.— Desde quando estava esperando diante do restaurante?— Desde que você chegou.Seus olhos se arregalaram.— Você ficou lá durante todo o jantar?— Fiquei.Lorena soltou o ar e passou uma mão pelos cabelos. Quando voltou a me encarar, sua expressão estava ainda mais irritada.— Isso é completamente absurdo, Adrian!— Eu sei...— Então por que fez?A resposta não me favoreceria. Ainda assim, depois de dirigir atrás del







