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Capítulo 4

作者: Pequena Estrela
Bruno ficou surpreso. Tanto que nem foi capaz de disfarçar.

Desta vez, ele não conseguia mais me provocar, me fazer desejá-lo.

Um traço de ansiedade surgiu em seu rosto. Então, segurou meus ombros, virou meu corpo na direção dele e tentou me beijar de forma desesperada e impaciente.

Empurrei-o com força e falei, friamente:

— Como você ousa me tocar?! Acabou de fazer sexo com a sua amante e ainda tem coragem de vir me tocar? Você é realmente nojento.

Ao perceber que eu havia enxergado através de sua falsa ternura, Bruno explodiu de raiva.

— Pare já com esse drama, Paula. Aproveite que eu ainda estou disposto a agradar você. Não abuse da minha paciência! Você é minha mulher. Então deve cumprir as obrigações de uma esposa!

Ele avançou sobre mim e rasgou minhas roupas com brutalidade. Uma dor intensa atravessou meu ventre em ondas. Tentei resistir com todas as forças, mas Bruno me deu um tapa violento no rosto, que fez o gosto de sangue brotar na minha boca.

No entanto, comparada à dor dilacerante que vinha do meu baixo-ventre, a ardência e o golpe no rosto pareciam quase insignificantes.

Eu tremia de dor, encolhida sobre mim mesma.

Ao me ver coberta de suor frio, ele finalmente pareceu recobrar a razão. Sua expressão se tornou confusa, furiosa, uma mistura complicada. Seu rosto mudou várias vezes, até que, por fim, ele simplesmente me abandonou e saiu de casa.

Passei a noite inteira sozinha, mergulhada naquela dor, mal conseguia me mover na cama.

Ele não voltou para ver como eu estava.

Naquela noite, meu coração morreu por completo. Até o último resquício de culpa pelo aborto desapareceu sem deixar vestígios.

Eu havia decidido estudar no exterior e já tinha comprado minha passagem. Mas, antes de partir, precisava encerrar definitivamente tudo entre mim e Bruno Sampaio.

Enviei a ele a localização da cafeteria onde nos conhecemos. Se tudo havia começado ali, também deveria terminar ali.

No entanto, para minha surpresa, não foi ele quem apareceu.

Foi Carolina quem veio sem ser convidada.

Quando entrou, o som de seus saltos altos ecoou pelo chão. Ela transbordava vitalidade e brilho jovial.

Enquanto eu, por causa do aborto, estava pálida, abatida, como se tivesse envelhecido mais de dez anos de uma só vez.

Carolina se sentou sem a menor cerimônia, cruzou as pernas compridas de forma elegante e me encarou de lado, com arrogância.

— O Bruno está muito ocupado, ele não tem tempo para lidar com você. Se tiver alguma coisa para dizer, pode falar comigo.

Soltei uma risada fria.

— Com você?

— Qual é o problema comigo?

Carolina ergueu a mão de propósito, exibindo o anel de diamante que ele havia lhe dado.

— Em breve, vou substituir você e me tornar a esposa legítima do Bruno Sampaio. — Ela sorriu com desdém. — Como a futura esposa dele, é meu dever aliviar suas preocupações e resolver certas coisas desagradáveis para ele. Ou certas pessoas. — Então, arqueou a sobrancelha para mim. — Paula, desista, sua coisinha insignificante. Eu venci.

Já que era assim, eu não precisava perder mais tempo discutindo com ela, então me levantei e sorri com tranquilidade.

— Então desejo felicidade aos dois.

Ao perceber que eu não demonstrava a menor reação, a expressão de Carolina mudou imediatamente. Ela agarrou o café sobre a mesa e tentou jogá-lo em mim.

Reagi rápido e consegui me esquivar a tempo. Como não conseguiu me atingir, ela tentou me empurrar, mas antes que tocasse em mim, devolvi-lhe um tapa com as costas da mão.

A princípio, ela parecia furiosa, pronta para avançar contra mim. Mas, depois de dar apenas alguns passos, cobriu o rosto e começou a chorar.

Pouco depois, Bruno apareceu atrás de mim.

Não era de admirar que ela tivesse mudado de atitude tão depressa. Mais uma vez, interpretando o papel da mulher frágil e injustiçada.

Com o rosto fechado, Bruno envolveu Carolina nos braços com extremo cuidado. Então, olhou para mim e ordenou, em voz fria e grave.

— Peça desculpas a ela agora mesmo.

— Com base em quê?

— Se continuar fazendo esse escândalo, acha mesmo que eu não vou cancelar o casamento?

— Ótimo! Foi justamente para falar sobre isso que pedi para você vir aqui hoje. Eu não vou mais me casar com você!

Ele ficou atordoado por um instante.

No segundo seguinte, esfregou a testa com impaciência.

— Que birra você está fazendo agora, Paula? Não pense que só porque está grávida do meu filho pode agir como quiser. Minha paciência tem limite. Eu não vou mimar você para sempre, entendeu?!

Soltei uma risada fria.

— Que filho? A gravidez foi interrompida, Bruno. Eu não quero e não preciso mais da sua tolerância.

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