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Capítulo 3

Author: Pequena Estrela
Se eu fosse procurá-lo para brigar, ele teria uma desculpa perfeita para me recriminar e depois consolar. E, assim, fingiria que tudo estava resolvido.

Mas agora, cercada por todos aqueles boatos, meu coração não sentia a menor oscilação.

Em silêncio, comecei a digitar minha carta de demissão na tela do computador.

Por causa da minha licença médica, todo o departamento havia perdido o direito à folga. Minha chefe já estava insatisfeita comigo, então, quando entreguei meu pedido de desligamento, ela assinou sem hesitar.

Depois de concluir os trâmites da demissão, arrumei minhas coisas e me preparei para deixar a empresa. No entanto, assim que cheguei à entrada, ouvi a recepcionista falando ao telefone com alguém da família, empolgada:

— O presidente Sampaio vai organizar uma festa de aniversário para a gerente Carolina depois de amanhã! Ele até deu folga para todos os funcionários da empresa!

Parei bruscamente.

Aquele era o dia em que nosso casamento deveria acontecer.

À noite, eu havia acabado de me deitar quando Bruno voltou para casa. Ele estava impregnado de cheiro de álcool e trazia Carolina nos braços. Ela usava uma roupa curta e provocante, e se apoiava nele com intimidade.

— Saia daqui. A Carol vai dormir aqui esta noite comigo.

A voz de Bruno era fria e ríspida, como se estivesse dando uma ordem a uma empregada que vivia de favor naquela casa. Carolina se aconchegou nos braços dele e me encarou com os olhos cheios de provocação e hostilidade.

— Bruno, amor, esta é a cama que seria de vocês depois do casamento. Como eu poderia me sentir bem fazendo você expulsar a Paula por minha causa? — Ela sorriu de forma maliciosa. — Acho que é melhor deixar ela ficar. Assim, se eu não souber agradar você direito, ainda posso pedir alguns conselhos a ela.

Bruno ergueu uma sobrancelha e soltou um sorriso perverso. Em seguida, apertou com força a cintura de Carolina, puxando-a ainda mais contra si.

— Ela é entediante demais na cama. Mais fria que uma geladeira. Não é como você, tão sexy, tão envolvente. Por que precisaria pedir conselhos a ela?

Levantei-me num impulso, tomada pela raiva. Meu corpo tremia de maneira incontrolável. O homem diante de mim parecia tão repugnante que me causava náuseas.

No entanto, ele me observava com interesse, como se estivesse ansioso para ver minha reação.

Carolina riu de mim.

— Paula, se uma mulher nem consegue satisfazer o próprio homem na cama, ela não pode culpá-lo por procurar prazer em outro lugar. — Então, ela olhou para minha camisola e franziu os lábios com desprezo. — E esse seu gosto para roupas é tão brochante... Onde está a sensualidade? Não é de admirar que o Bruno tenha se cansado de você.

Aquela era a camisola de gestante que ele havia comprado para mim quando descobriu a minha gravidez. Na época, ele disse que tinha medo de que qualquer tecido apertado ou com elástico incomodasse o bebê.

Bruno sorriu, segurou o queixo da amante entre os dedos e se inclinou para beijá-la.

Seu olhar estava cheio de indulgência.

— Chega. Por que essa boquinha linda precisa ser tão impiedosa?

Ele sorriu ainda mais.

— Afinal, a Paula ainda está grávida do meu filho. — Depois, aproximou os lábios do ouvido daquela mulher vulgar. — Agora vou mostrar como se deve punir uma mulherzinha atrevida que não sabe o seu lugar.

Os dois se inflamaram imediatamente, sem qualquer pudor, fazendo aquela cena indecente diante de mim.

Senti o estômago revirar.

Sem dizer nada, peguei minhas coisas e fui para o quarto de hóspedes. Do outro lado da parede, os sons de Bruno e da amante não paravam... O barulho dos corpos se chocando, os gritos exagerados dela...

Irritada e enjoada, cobri os ouvidos. Em algum momento, acabei adormecendo, exausta e ainda em recuperação do aborto.

No meio da noite, ainda mergulhada no sono, senti Bruno me abraçar por trás.

— Paula, eu estava transando com outra mulher e você ainda conseguiu dormir? Não sente ciúmes? É feita de pedra por acaso?

Havia até um tom de mágoa e ódio em sua voz.

Livrei-me de seus braços, tomada por uma mistura de repulsa e incredulidade.

Ele tentou me acalmar e me segurar imediatamente.

— Paula, vamos parar com isso, está bem? Sabe que a mulher que eu amo sempre foi você. — Ele trincou o maxilar, irritado. — Nestes últimos dias, você não quis falar comigo. Eu não tive escolha, e usei a Carol só para provocar seu ciúme. Eu senti tanto a sua falta...

Bruno sempre foi bom com as palavras. Ele murmurava palavras doces junto ao meu ouvido enquanto suas mãos deslizavam lentamente pelo meu corpo. Com gestos habilidosos e familiares, tentava despertar em mim o desejo que antes sempre conseguia provocar.

No passado, ele sempre conseguia me amansar com essa falsa ternura.

Desta vez, também parecia acreditar que venceria. Mas, naquele momento, o vazio e a dor em meu ventre me lembravam de uma verdade cruel.

Toda a ternura dele era mentira.

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