LOGINDepois que me recusei a doar meu útero para minha irmã, o amigo de infância com quem cresci passou a me odiar profundamente, a ponto de me levar para a cama de um herdeiro de uma poderosa família. Diziam que ele sempre detestou mulheres pegajosas, e todos aguardavam ansiosos para ver minha ruína, mas ninguém imaginava que ele acabaria me mimando como ninguém. Num piscar de olhos, três anos se passaram. Ao suspeitar que estivesse grávida, fui ao hospital para fazer exames e, por acaso, acabei ouvindo a conversa entre ele e o médico: — Aureliano, há três anos você me fez transplantar secretamente o útero da Juliana para a irmã dela, e agora quer que eu a engane, dizendo que ela nasceu infértil. Como consegue ser tão cruel com uma mulher que te ama? — Não há outra escolha. Se a Isabela não puder ter filhos, provavelmente vai sofrer na família do marido. Ela é a única compatível. Aquela voz masculina, tão familiar, soava fria a ponto de se tornar irreconhecível. Foi então que percebi que o amor e a redenção em que sempre acreditei não passavam de mais um engano. Se é assim... Então eu simplesmente vou embora.
View MorePouco tempo depois de o homem sair, uma agitação repentina tomou conta do lado de fora, como se algo grave e caótico tivesse acontecido.Algumas enfermeiras entraram às pressas e, sem me dar qualquer explicação, me ajudaram a sentar em uma cadeira de rodas.— Para onde vocês vão me levar?— O Sr. Aureliano não vai resistir... Ele quer vê-la uma última vez, Sra. Vasconcelos. Por favor, vá até ele.— Como isso é possível? — Instintivamente, achei que elas estavam mentindo. Ele estava perfeitamente bem até há pouco... Como poderia já estar à beira da morte?As enfermeiras falaram apressadamente, tentando me explicar:— A Isabela acabou de falecer. A mãe dela perdeu o controle, parecia enlouquecida... Pegou uma faca de frutas e esfaqueou o Sr. Aureliano várias vezes.Na sala de emergência, Aureliano jazia deitado, coberto de sangue. Do baixo-ventre, o sangue jorrava sem cessar, como se fosse impossível contê-lo.Assim que entrei, ele fixou o olhar em mim e estendeu a mão ensanguentada.Fiq
Presa ao lado de Aureliano, eu já não via mais sentido em continuar vivendo, nem sequer queria acordar.A inconsciência se tornou a forma mais eficaz de resistir ao cativeiro que ele me impunha.Minha consciência vagava, como se flutuasse no ar, observando, dia após dia, sua impotência diante do meu corpo.Seu semblante se tornava cada vez mais abatido e tenso; ele só conseguia descarregar sua frustração nos médicos, perguntando repetidamente quando poderiam realizar o transplante em mim.— Precisamos esperar que alguns indicadores importantes da paciente melhorem. Fazer a cirurgia agora é muito arriscado; ela pode não sobreviver à mesa de operação.Aureliano explodia em fúria mais uma vez, proibindo qualquer menção a palavras de mau agouro relacionadas à morte.Como se, ao me manter em silêncio, eu pudesse evitar a morte.Isabela, ao lado, ouvia aquilo com evidente satisfação.— Então é melhor deixá-la se recuperar por mais alguns dias. Se os indicadores dela estiverem ruins, isso pod
Do lado de fora da tela, eu assistia àquela farsa com um prazer quase cruel.Gustavo me ligou. Sua voz soava estranhamente fraca.— Ainda precisa que eu faça mais alguma coisa? Posso incluir no pacote do divórcio, não vou cobrar nada a mais.Pensei com cuidado no que ainda estava pendente.— Depois que eu morrer, por favor, espalhe minhas cinzas no mar. Não deixe que o Aureliano me prenda... Não quero ser enterrada no cemitério da família Vasconcelos.Do outro lado, houve alguns segundos de silêncio atônito. Em seguida, ele falou em voz baixa:— Isso eu não posso garantir... Pode ser que eu morra antes de você.— Por quê? — Aquilo soava estranho demais. "Como ele poderia morrer antes de mim?"— Problema no coração. Cada dia a mais já é um lucro. — O tom dele era displicente, como o de alguém que não temia mais nada.Suspirei.— Então trate de viver mais alguns dias. Quando eu não aguentar mais, vou doar meu coração para você.Era a única parte do meu corpo que ainda funcionava bem. Ac
Aureliano parecia não dar a menor importância às minhas palavras frias.Ele tomou minha mão, tirou um anel do bolso e o encaixou com firmeza no meu dedo anelar, dizendo em tom suave:— Tola... Se estivesse precisando de dinheiro, por que não veio me procurar? Da próxima vez, não venda algo tão importante, está bem?Segurando a raiva no peito, me forcei a sentar na cama. Nem me importei com a agulha ainda cravada na outra mão. Arranquei o anel que ele havia colocado à força e o arremessei com violência para longe.— Aureliano, eu quero me divorciar de você. Quero me divorciar, você não entende?O sangue já começava a refluir pela agulha presa no dorso da minha mão. Na verdade, havia muito tempo que eu estava acostumada com esse tipo de dor. Durante anos, vivi carregando um corpo inteiro ferido.Até que esse homem me deu o golpe final.Doía tanto... A ponto de eu começar a desejar a morte.Arranquei de vez a agulha da minha mão e encarei o homem à minha frente com frieza, perguntando, nu












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