LOGINCapítulo 33 Alex Loke Farias Escritório da Eclipse Prime – Milão – Três meses e duas semanas depois O sol da tarde entrava pelas janelas amplas do escritório, pintando o chão de madeira escura com faixas douradas. Eu estava sentado atrás da mesa de vidro, os olhos no relatório financeiro da unidade de Milão, mas a atenção dividida. Do outro lado da sala, Esmeralda estava reclinada no sofá de couro preto, as pernas encolhidas, uma mão descansando sobre a barriga redonda que já não dava para esconder. Cinco meses e meio. A curva suave sob o vestido leve de malha cinza me prendia o olhar toda vez que eu levantava a cabeça. Duas semanas atrás ela tinha reclamado que as roupas estavam ficando apertadas. Eu só tinha puxado ela para o colo e beijado a barriga, murmando que gostava de ver o corpo dela mudando por causa do que a gente criou. Uma menina. O exame de sangue feito há dois meses tinha confirmado. Eu ainda lembrava do momento em que o resultado chegou: Esmeralda com os olhos
Capítulo 32 Esmeralda Lopes Apartamento em Milão – Tarde A alta veio no meio da tarde. O médico assinou os papéis com calma, recomendando repouso e evitar estresse. Alex ouviu tudo em silêncio, a mão firme na minha cintura. Eu ainda me sentia fraca, mas a febre tinha baixado. No carro, ele dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a minha. Quando o prédio apareceu, soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. O apartamento cheirava a ele. Assim que a porta se fechou, Alex me puxou para um abraço cuidadoso, o rosto enterrado no meu cabelo. — Chegamos. Ele me guiou até o sofá, me sentou com cuidado e ajoelhou na minha frente. — Fica aqui. Eu resolvo o resto. Logo o som de faca contra tábua e água fervendo veio da cozinha. O cheiro de cebola, alho, carne, cenoura e batata se espalhou aos poucos. Uma sopa leve, exatamente como o médico pedira. Quando voltou, estava de mangas dobradas e colher de pau na mão. — Vai ficar pronta daqui a pouco. Quer alguma coisa? — S
Capítulo 31 Alex Loke Farias Hospital particular – Quarto de Esmeralda – Manhã seguinte Eu não dormi. Nem por um segundo Fiquei sentado naquela cadeira de couro duro, o corpo inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos presos nela como se, se eu piscasse, ela pudesse desaparecer. A luz fraca do amanhecer entrava pelas cortinas pesadas, pintando o quarto de um cinza azulado. O bip constante do monitor cardíaco era o único som que preenchia o silêncio, além da respiração dela, mais calma agora, mas ainda um pouco ofegante. Esmeralda dormia de lado, virada para mim. A camisa grande do hospital escorregava do ombro, revelando a curva suave da clavícula e o início do seio. A mão dela estava estendida sobre o lençol, os dedos ligeiramente abertos, como se ainda procurassem os meus mesmo no sono. Eu segurei aqueles dedos a noite inteira. Apertava de leve a cada poucos minutos, só para sentir o calor, o pulso fraco batendo contra a minha pele. Grávida. A
Capítulo 30 Esmeralda Lopes Hospital – Quarto particular – Horas depois Eu não conseguia parar de olhar para a barriga. Ainda era completamente plana. A camisa grande de hospital caía frouxa sobre o corpo, sem nenhum volume, sem nenhuma curva nova. Por fora, nada tinha mudado. Mas por dentro… por dentro eu sentia como se alguém tivesse entrado na minha vida sem pedir licença e rearrumado todos os móveis. Oito a nove semanas. O médico tinha confirmado de novo depois que Alex voltou a si. Oito a nove semanas de uma vida minúscula que eu não fazia ideia que estava carregando. Eu tomava anticoncepcional. Todos os dias. No mesmo horário. Sem falhar. Mesmo nos dias em que a mão tremia de raiva ou de cansaço, mesmo quando a vida inteira parecia desabar, eu tomava aquele comprimido. Era uma rotina automática, quase sagrada. E ainda assim… A mão de Alex cobria a minha em cima do lençol branco. Ele não tinha soltado desde que acordara do desmaio. Estava sentado na cadeira colada à maca,
Capítulo 29 Alex Loke Farias Hospital particular – Milão – Madrugada O médico estava de pé ao lado da maca, o tablet nas mãos, o rosto profissional demais para o que eu estava sentindo. Esmeralda estava pálida, os lábios rachados, os olhos azuis abertos demais. Eu segurava a mão dela com força, o polegar pressionando o pulso dela só para sentir que ainda batia. — Doutor — minha voz saiu rouca. — Fala logo. O homem respirou fundo. — Tenho duas notícias. Uma ruim e uma boa. O peito apertou. Eu sentei na beira da cadeira, o corpo inteiro tenso. — Começa. Agora. Ele olhou primeiro para Esmeralda, depois para mim. — A senhora está com uma infecção viral. Foi agravada pela reação alérgica de ontem. Por isso a febre, o enjoo intenso e a fraqueza. Não é grave, mas o corpo está combativo. Vamos medicar e manter em observação por algumas horas. Eu soltei o ar devagar. Infecção. Controlável. Eu conseguia lidar com isso. A mão de Esmeralda apertou a minha de volta, fraca. — E a boa?
Capítulo 28 Esmeralda Lopes Apartamento em Milão – Madrugada Eu acordei com o estômago revirado e um frio que parecia vir de dentro dos ossos. A garganta ardia como se eu tivesse engolido vidro. Tentei me sentar e o quarto girou. Um gemido baixo escapou antes que eu conseguisse segurar. No mesmo segundo Alex estava sentado na cama, a mão grande e quente nas minhas costas. — Esmeralda? A voz dele saiu rouca de sono, mas já alerta. — Não passo bem… — consegui falar. A língua parecia grossa. — Frio… e enjoo. Ele acendeu o abajur. A luz me feriu os olhos. Vi o rosto dele mudar em milésimos de segundo. A preocupação virou algo mais agudo, quase pânico contido. Ele colocou a mão na minha testa e amaldiçoou baixo. — Você está queimando. Tentei protestar quando ele me pegou no colo, mas não tive força. O mundo balançava. Alex me carregou até o banheiro e segurou meu cabelo enquanto o estômago se esvaziava de novo. Cada contração doía. Eu tremia tanto que os dentes batiam. — Shhh.







