LOGINCapítulo 6O mundo inteiro vai saberDulce Farias Eu ainda morava com a minha mãe e os meus pais. O apartamento no mesmo prédio da Eclipse continuava sendo meu porto seguro. Mesmo depois de tudo que tinha acontecido com Fernando e Lorenzo, eu não tinha me mudado.O interfone tocou às vinte horas em ponto. Eu estava no quarto, de vestido preto justo, cabelo vermelho solto, maquiagem impecável. O coração batia rápido.Desci e encontrei os três na sala. Minha mãe no sofá, Israel e Rafael de pé ao lado dela.A porta se abriu. Fernando entrou primeiro, terno preto impecável, olhar escuro e confiante. Lorenzo vinha logo atrás, sorriso afiado, presença luminosa. Os dois pareciam ter saído de uma revista.Minha mãe levantou o olhar.— Pontuais. Gosto disso.Israel cruzou os braços.— Vocês vão cuidar dela?Fernando respondeu sem hesitar:— Com a vida.Rafael deu um meio sorriso.— Então podem ir. Mas se ela voltar com o coração quebrado, a gente resolve pessoalmente.Eu revirarei os olhos, m
Capítulo 5 Dulce Farias O sol já estava alto quando eu abri os olhos de novo. O corpo latejava de um jeito gostoso e profundo. Eu estava deitada de bruços, a cabeça apoiada no peito de Fernando, enquanto Lorenzo traçava círculos lentos nas minhas costas com a ponta dos dedos. O silêncio era confortável. Perigoso. Eu virei o rosto e encontrei os olhos escuros de Fernando. Ele não sorriu. Só me olhou como se estivesse tentando decifrar algo. — Você está diferente hoje — murmurou. — Estou cansada de fingir que isso é só vingança — respondi, a voz rouca de tanto gemer. — Eu gosto de vocês. Dos dois. E isso me assusta pra caralho. Lorenzo parou de desenhar nas minhas costas. O silêncio ficou pesado por dois segundos. Depois ele se inclinou e beijou minha nuca, devagar, quase reverente. — A gente também gosta de você, Dulce — disse ele, a voz baixa. — Desde o primeiro dia que você apareceu na Eclipse de vestido branco e cara de quem não sabia o poder que tinha. A gente só esperou vo
Capítulo 4 A manhã seguinte Dulce Farias A luz do sol atravessava as cortinas de linho branco e batia direto no meu rosto. Eu abri os olhos devagar. O corpo inteiro doía de um jeito delicioso. Cada músculo reclamava, cada marca no pescoço e nas coxas latejava. Eu estava deitada de lado, a cabeça no peito largo de Fernando. O cheiro dele madeira, suor e sexo, me envolveu. Atrás de mim, Lorenzo estava colado, o braço pesado atravessado na minha cintura, a respiração quente no meu ombro. Eu era filha única. Sempre fui. Cresci sendo o centro do mundo da minha mãe, a herdeira da Eclipse, a menina que todo mundo observava. Nunca precisei dividir nada. Mas naquela manhã, enfiada entre os dois homens que eu jamais deveria ter tocado, eu me sentia… completa de um jeito perigoso. Fernando acordou primeiro. Os olhos escuros se abriram e me encontraram. Sem dizer nada, ele deslizou a mão pelo meu cabelo vermelho e me puxou para um beijo lento, profundo, de quem ainda estava com fome. Eu gem
Capítulo 3 A cobertura Dulce Farias O carro parou em frente ao prédio de vidro espelhado. A cobertura dos Gonçalves ficava no último andar, com vista para toda a cidade. Eu desci ainda sentindo o sêmen escorrer pela coxa, o vestido branco colado no corpo pelo suor e pelo sexo. Fernando passou o cartão no elevador privativo. Lorenzo ficou atrás de mim, a mão grande apoiada na minha cintura, o polegar desenhando círculos lentos na pele nua sob o tecido. Ninguém falou durante a subida. O silêncio era carregado. Eu sentia o olhar dos dois queimando minha nuca, meu pescoço, a curva da minha bunda. Meu coração batia forte, não de arrependimento… de expectativa. A porta da cobertura se abriu. O apartamento era enorme, minimalista, com paredes de vidro e um sofá de couro preto que parecia feito para pecar. Fernando ligou só uma luminária baixa. A luz dourada desenhou os corpos deles. O cabelo escuro de Fernando ainda bagunçado, a barba destacando a mandíbula tensa. Lorenzo, loiro, olho
Capítulo 2 O escritório da rainha Dulce Farias O elevador subia em silêncio. Eu sentia o sêmen deles escorrendo devagar pela minha coxa interna, quente e pegajoso, lembrança viva do que tinha acabado de acontecer. Fernando estava à minha direita, a camisa preta ainda aberta, o peito largo subindo e descendo com a respiração pesada. O cabelo escuro bagunçado, a barba rala contrastando com a mandíbula tensa. Lorenzo à esquerda, loiro, olhos claros brilhando de fome, a camisa branca aberta até o umbigo, o sorriso safado ainda nos lábios. Nenhum dos três falou até as portas se abrirem no andar do escritório da minha mãe. Naty Farias não estava. Eu sabia. Ela tinha viajado para São Paulo naquela manhã. O escritório estava escuro, só a luz da cidade entrava pelas janelas panorâmicas. A mesa de madeira escura, a cadeira de couro preta, o cheiro de perfume caro e poder. Eu fechei a porta com chave e me virei para eles. — Tira a roupa — ordenei, a voz rouca. Fernando ergueu uma sobran
Capítulo 1 O gosto da vingança Dulce Farias Eu estava parada no corredor escuro da Eclipse Prime, o coração batendo tão forte que doía no peito. As mãos tremiam. Não de medo. De ódio puro. Cinco minutos antes, eu tinha aberto a porta da cabine VIP 7 sem bater. O que vi queimou a minha retina de um jeito que eu nunca vou esquecer. Melisa, minha melhor amiga desde os quinze anos, estava de quatro no sofá de veludo preto. E atrás dela, gemendo como um animal no cio, estava Lucas, o homem que eu chamava de namorado há quase três anos. A mesma boca que beijava a minha todas as noites agora mordia o pescoço dela. A mesma mão que dizia “eu te amo” apertava o quadril da outra como se fosse dono. Eu não gritei. Não chorei. Não fiz drama. Só fechei a porta com um clique suave e fiquei ali, no corredor, respirando o cheiro de sexo, perfume caro e traição. O sangue fervia nas veias. Cada célula do meu corpo pedia sangue. Mas eu não era de me ajoelhar e sofrer. Eu era Farias. Sangue de







