LOGINNa manhã seguinte, Leyla acordou com a sensação de que havia dormido pouco.Não porque tivesse tido uma noite ruim.Pelo contrário.Dormira nos braços de Emir, tranquila, sem pesadelos e sem acordar assustada.Mas sua mente parecia ter continuado trabalhando enquanto seu corpo descansava.A fotografia de Derya.A inicial L.Os horários.A frase escrita atrás da fotografia.Tudo permanecia em algum canto de seus pensamentos.Ela abriu os olhos.Emir estava ao lado dela.Dormia profundamente.Leyla sorriu.Por alguns segundos, simplesmente o observou.Havia algo reconfortante na maneira como ele dormia.Sem a postura rígida que assumia diante dos outros.Sem a expressão séria.Sem o peso do sobrenome.Ela estendeu a mão e afastou uma mecha do cabelo dele.Emir abriu os olhos."De novo."Leyla riu."Você percebe tudo.""Quando você fica me olhando, eu percebo.""Talvez eu goste.""Então continua."Ela se aproximou."Bom dia.""Agora ficou melhor."Ele passou o braço pela cintura dela.Le
Na manhã seguinte, Leyla acordou com uma sensação estranha.Não era medo.Também não era exatamente tranquilidade.Era a impressão de que alguma coisa havia mudado durante a noite.Talvez porque, desde que começara a descobrir a história de seus pais, ela conseguia enxergar o passado como uma sequência de decisões humanas.Não como uma sucessão de tragédias inexplicáveis.Ahmet havia tentado se proteger.Derya havia tentado proteger a filha.Kemal havia tentado cumprir uma promessa.Mert havia tentado preservar as provas.Marina havia desaparecido para manter a cadeia viva.Todos tinham feito escolhas.Algumas certas.Outras erradas.E algumas simplesmente não haviam sido suficientes para impedir o que aconteceu.Leyla abriu os olhos.Emir ainda dormia ao lado dela.Ela ficou observando-o durante alguns segundos.Então sorriu."Você está me olhando outra vez."A voz dele saiu rouca e sonolenta.Leyla riu."Você nem estava acordado.""Estou acordado agora.""Então dorme.""Não consigo.
Naquela noite, Leyla tentou cumprir a própria decisão.Primeiro eles.Depois o resto.O problema era que uma frase como aquela parecia muito mais fácil de dizer do que de cumprir quando havia uma anotação escondida desde vinte e quatro anos atrás esperando para ser descoberta.Depois do jantar, ela e Emir permaneceram na sala.A agenda antiga estava fechada sobre a mesa.O documento mencionado por Orhan ainda não havia chegado.Leyla olhava para o relógio.Emir percebeu."Você está contando os minutos?""Não.""Está olhando para o relógio.""Isso não significa que estou contando.""Significa."Ela cruzou os braços."Você também está curioso.""Estou.""Então não me julgue.""Não estou julgando."Ele se aproximou."Estou apenas achando bonito ver você tentando ser paciente."Leyla fez uma expressão indignada."Bonito?""Sim.""Eu estou sofrendo.""Exatamente."Ela deu um tapa leve no braço dele."Você é horrível."Emir riu e segurou sua mão."Mas você me ama.""Infelizmente.""Então es
Naquela noite, Leyla conseguiu cumprir a promessa.Não abriu a agenda novamente.Depois do jantar, deixou o envelope sobre a mesa e tentou não olhar para ele.Tentou.Porque, sempre que passava pela sala, seus olhos acabavam encontrando a capa gasta.Emir percebeu."Você está olhando.""Não estou.""Está.""Talvez."Ele sorriu."Quer abrir?""Não.""Tem certeza?""Tenho.""Então vamos para a varanda."Leyla levantou."Vamos."Os dois se sentaram lado a lado.A cidade brilhava ao longe.O vento da noite era agradável.Por alguns minutos, nenhum dos dois falou.Até que Leyla apoiou a cabeça no ombro dele."Você sabe que eu estou curiosa.""Sei.""Muito.""Também sei.""Mas não vou abrir."Emir beijou seus cabelos."Por quê?""Porque quero que algumas coisas aconteçam na hora certa.""Isso é novo.""Por quê?""Porque você sempre quer respostas imediatamente."Ela sorriu."Talvez eu esteja aprendendo.""Com quem?""Com você."Emir passou o braço ao redor dela."Tenho muito orgulho de você
Na manhã seguinte, Leyla acordou antes de Emir.Por alguns segundos, permaneceu imóvel, ainda sonolenta.Então seus olhos foram diretamente para a mesa de cabeceira.A pequena chave continuava ali.Ela sorriu.Pegou o objeto e ficou girando entre os dedos.Era apenas uma chave.Mas, para ela, representava algo que nunca havia sentido daquela maneira.Não era uma chave herdada.Não abria uma propriedade deixada por alguém.Não estava ligada a uma decisão tomada décadas antes.Era uma promessa de futuro.Uma coisa que ainda nem existia.E, mesmo assim, já fazia parte dela."Você está olhando para essa chave há quanto tempo?"A voz de Emir veio atrás dela.Leyla virou-se.Ele estava sentado na cama, observando-a com um sorriso."Não sei.""Gostou tanto assim?""Sim.""Ela ainda nem abre nada.""Eu sei.""Então por que está olhando desse jeito?"Leyla voltou os olhos para a chave."Porque gosto da ideia de alguma coisa começar antes de existir."Emir se aproximou."Essa frase parece perig
Quando chegaram a Istambul, já era fim de tarde.Leyla observava a cidade pela janela enquanto Emir dirigia.Depois de alguns dias longe de tudo, voltar parecia estranho.As ruas eram conhecidas.Os prédios.O movimento.Os carros.As pessoas.Tudo estava exatamente como antes.Mas ela não era exatamente a mesma.Havia retornado mais leve.Não porque os problemas tivessem desaparecido.Eles ainda estavam ali.Selim continuava sendo uma pergunta sem resposta.A história de Ahmet ainda carregava pontos obscuros.E havia uma pessoa dentro da antiga rede de proteção que ainda precisava ser identificada.Mas Leyla não sentia que precisava resolver tudo imediatamente.Ela tinha Emir.E tinha uma vida que começava a parecer dela.Quando o carro entrou na propriedade, ela respirou fundo.Emir percebeu."Você está pensando demais.""Estou voltando para casa.""Essa é a expressão certa?"Leyla olhou para ele."É.""Mesmo?""Sim."Ele sorriu."Então chegamos."Assim que entrou, Leyla deixou a bo






