LOGIN– Não acho que isso seja uma boa ideia... – eu disse, tentando resistir à tentação, mas a verdade era que eu não sabia o que fazer. Minha cabeça estava uma bagunça.
– Vamos ver como você se sai – ele disse com um sorriso largo, sua mão se estendendo para tocar a minha. – É só um treino, Mi-Suk, apenas isso. Depois você estará pronta para o Steve.
Eu respirei fundo, tentando tomar uma decisão. Mas, no fundo, eu sabia que não havia mais volta.
Benjamin se aproximou, e eu me perdi.
O beijo começou suave, um leve toque de lábios. Mas algo naquela troca de sensações incendiou algo dentro de mim. Era a primeira vez que eu sentia aquele frio na barriga. As mãos de Ben me apertavam com uma força que fazia meu corpo se colar ainda mais ao dele. Não pude evitar, envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, puxando-o para mim, um desejo silencioso de estar ainda mais perto.
Sua língua deslizou suavemente entre meus lábios, como se pedisse permissão para explorar. O calor de seu toque fez minha pele queimar, e um arrepio percorreu minha espinha. Gememos em uníssono, como se nossos corpos conversassem sem palavras, e o beijo, agora, era incontrolável. Forte, intenso. Cada movimento meu se misturava ao dele, como se nossos corações estivessem batendo no mesmo ritmo.
De repente, minha mão deslizou sem querer de seu pescoço para o seu peito, tocando seu tórax firme, e, como um reflexo, Benjamin me curvou delicadamente para trás. O ar fugiu dos meus pulmões. A sensação de ser completamente dominada, de estar totalmente à mercê dele, me fez soltar um suspiro profundo. Seu beijo no meu pescoço, quente e íntimo, me fez sentir algo que eu não sabia que poderia existir.
– Isso... – quase não consegui completar a frase.
Meu corpo estava atordoado, tomado pela intensidade do momento. Ele retornou seus lábios aos meus, desta vez mais impetuoso, mais urgente. Aquele beijo, algo completamente inédito para mim, me envolvia de tal maneira que eu me sentia fora de mim mesma.
No entanto, um som vindo do corredor interrompeu nossa entrega, e eu empurrei Ben com força, o olhar de ambos se cruzando, os corações tentando se recuperar do ar que havíamos perdido. O que aconteceu ali parecia impossível, algo entre sonho e a realidade.
– Você tem que ir... agora. – minha voz estava rouca, a garganta seca, como se ainda sentisse o gosto dele em minha boca.
– Okay. – ele se afastou rapidamente, pegou a jaqueta e a vestiu, sem o habitual cuidado, apressado demais.
Caminhou até a janela, mas antes de sair, eu o chamei.
– Ben... – quando ele virou, encontrei nos olhos dele uma expressão difícil de decifrar – Eu passei no teste?
Minha pergunta foi quase uma súplica, um desejo desesperado de que aquilo não tivesse sido em vão. Ele me olhou, como se ponderasse cada palavra, cada gesto, e então o sorriso que me era familiar, aquele sorriso que ele dava quando queria conquistar alguém, surgiu em seu rosto.
– Você está completamente reprovada.
– O quê? – exclamei, a surpresa e a indignação me dominando. Meu rosto queimava de vergonha.
– Nunca beijei alguém que beijasse tão mal assim, Mimi. – a palavra “mal” foi como um choque. Minha confiança, que já estava no chão, despencou ainda mais.
– Então eu quero mais aulas, oras! – minha resposta foi imediata, sem pensar. – Amanhã, no mesmo horário.
Ele deu um sorriso travesso, mais amplo, e antes de sair pela janela, me lançou a última provocação.
– Como quiser, Senhorita Beijo Ruim. – ele riu e pulou para fora, desaparecendo na noite.
Eu fiquei ali, estática, o coração acelerado, a mente dividida entre o que acabara de acontecer e o que viria a seguir.
A partir daquele dia, as visitas de Benjamin ao meu quarto se tornaram frequentes. Ele aparecia nas madrugadas, sem aviso, e a cada encontro, a linha entre o que era certo e o que era errado se tornava cada vez mais tênue.
Eu nunca cheguei a sair com Steve. Demorei tanto que ele acabou desistindo de mim. E o pior: fez questão de anunciar o cancelamento de nosso encontro na frente de todos os meus amigos, no dia da nossa formatura. E adivinha quem estava lá para me consolar? Benjamin. Não em meu quarto, mas no dormitório da faculdade dele. E, como sempre, com beijos e carícias quentes. Mais uma vez, ele estava lá, ocupando o espaço de algo que nunca deveria ser dele.
Por um ano fui a sua total atenção.
[][] Epílogo – 10 anos depois [][]Dez anos após aquela noite em que Leonie acordou chamando por nós, Corippo ainda permanece o nosso lar, um refúgio de pedra e paz onde as cicatrizes do passado se transformaram em memórias distantes, suavizadas pelo tempo e pelo amor.Leonie está com 17 anos agora, uma adolescente vibrante, com os cabelos escuros caindo pelos ombros e o mesmo espírito arteiro que encantava a casa quando ela era pequena. Ela herdou a teimosia de Min-ho e minha paixão por criar, mas em vez de tortas, ela pinta; Telas cheias de cores vivas que capturam os Alpes, o rio Verzasca e as histórias que inventava sobre fadas e dragões. Sua risada ainda ecoa pelas ruas de paralelepípedos, e ela agora ajuda na padaria de dona Claire, que, apesar dos cabelos ainda mais brancos, continua nos mimando com donuts açucarados.Nosso segundo filho, Elias, chegou dois anos após aquela noite selvagem com Min-ho. O parto foi tranquilo, ao contrário do que temíamos, e ele nasceu forte, com o
O tempo voou como um foguete. Leonie, agora com sete anos, era uma força da natureza; uma menina de cabelos escuros e cheios como os meus, olhos profundos como os de Min-ho, e uma língua afiada que nos fazia rir e suspirar. Ela falava sem parar, contando histórias inventadas sobre fadas nas florestas de castanheiros ou perguntando por que o rio Verzasca brilhava como esmeralda.Sua energia era incansável, mas cada risada dela, cada abraço apertado, era um lembrete de que a vida nos dera uma segunda chance.Naquela tarde de primavera, o sol aquecia o quintal da nossa casa de pedra, as flores silvestres explodindo em cores vibrantes ao redor, e o ar cheirava a maçãs frescas e terra úmida. Estávamos na cozinha, as janelas abertas deixando entrar a brisa, enquanto preparávamos tortas de maçã para a padaria de dona Claire. A mesa de madeira estava coberta de farinha, tigelas de maçãs fatiadas e uma bagunça de utensílios que Leonie insistia em "ajudar" a usar. Ela estava empoleirada num ban
Dois anos se passaram desde o nascimento de Leonie, nossa pequena leoa, e cada dia com ela tem sido uma mistura de caos delicioso e amor infinito que eu nunca imaginei merecer depois de tudo que vivi.O parto foi uma batalha; pélvico, doloroso, com ela virada ao contrário como se desafiasse o mundo desde o útero.Lutou bravamente para vir ao mundo, gritando como uma guerreira, e nós a batizamos Leonie, valente como uma leoa, um nome que ecoava sua força e a nossa esperança renovada.Ser mãe dela é como navegar um rio selvagem: ela é arteira, curiosa até o perigo, com olhos escuros como os de Min-ho e um sorriso que derrete o meu coração.Aos dois anos, ela já escala os móveis da nossa casa de pedra como se fossem montanhas, rouba frutas do cesto antes do jantar, e ri com uma gargalhada gutural que enche o ar de alegria. Tem sido exaustivo: noites sem dormir quando ela chora por monstros imaginários, tardes correndo atrás dela pelo quintal para impedir que coma terra ou persiga os gato
Sete anos se passaram desde que nos instalamos em Corippo, e a vida, de alguma forma, encontrou um ritmo que eu nunca imaginei possível após o inferno que deixamos para trás.O vilarejo, com suas casas de pedra e ruas sinuosas, tornou-se mais do que um refúgio, era um lar.Eu me reinventei aqui, transformando a dor em algo doce, literalmente. Tornei-me confeiteira, especializada em tortas de maçã feitas com as frutas crocantes dos pomares locais, a massa amanteigada e o recheio quente perfumando nossa casa de pedra. Minhas tortas eram vendidas nas poucas padarias da região, entregues em cestas de vime que eu carregava pelas trilhas íngremes até Locarno ou Ascona.O luto pelo meu filho nunca me deixou, mas aprendi a carregá-lo como uma cicatriz, não uma ferida aberta. A meditação diária, o apoio de Min-ho e a simplicidade da vida em Corippo me ensinaram a perdoar; não os outros, mas a mim mesma.Agora, aos seis meses de gravidez, eu sentia uma nova vida crescendo dentro de mim. Era uma
[][][] Quatro anos depois [][][]Quatro anos se passaram desde aquela noite de fogo e sangue no galpão, uma eternidade que parecia ao mesmo tempo um piscar de olhos e uma vida inteira.Fugimos do México para a Ásia, de lá para a África e depois Europa, sempre trocando de identidades como peles de cobra, até nos instalarmos em Corippo, um vilarejo rústico e esquecido no cantão do Ticino, na Suíça. Aqui, o mundo moderno mal nos tocava: sem internet para nos conectar ao passado, com apenas uma TV por satélite que sintonizava canais antigos, pilhas de livros empoeirados que Min-ho trazia de viagens esporádicas a Locarno, e frutas e vegetais frescos colhidos dos pequenos pomares ao redor; maçãs crocantes, peras suculentas, e tomates vermelhos como sangue seco.A vizinhança era quase nula, com menos de uma dúzia de habitantes no vilarejo inteiro, a maioria idosos que mal saíam de suas casas de pedra, trocando olhares desconfiados mas respeitosos com os "estrangeiros" que éramos. Nossa casa
Meu coração batia descompassado, o luto e o horror do que havíamos feito pesando no peito como uma pedra. O martelo não estava mais na minha mão, mas o peso do sangue ainda grudava na minha pele, o cheiro de gasolina e carne queimada impregnado nas minhas narinas.Eu era a vilã dessa história agora.Mas pelo meu filho, pelo vazio que ele deixou, eu faria de novo.Min-ho dirigiu por um longo tempo enquanto falava ao telefone; o fone em seu ouvido me impedia de ouvir o que estava sendo combinado, mas suas falas eram curtas e secas com a pessoa do outro lado da ligação. Suas mãos estavam firmes no volante, os olhos fixos na estrada, mas ele me olhava de relance, como se tentasse avaliar se eu ainda estava inteira.— Já está tudo arranjado — disse ele após apertar um botão no painel do carro, a voz rouca demonstrando o seu cansaço. — Um dos meus contatos conseguiu um navio de carga saindo do porto em meia hora. Vamos para o México, e de lá traçamos o resto do caminho. Ninguém vai nos acha







