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Capítulo 75

Author: R. Santtiago
last update publish date: 2025-10-08 03:18:47

Meu coração batia descompassado, o luto e o horror do que havíamos feito pesando no peito como uma pedra. O martelo não estava mais na minha mão, mas o peso do sangue ainda grudava na minha pele, o cheiro de gasolina e carne queimada impregnado nas minhas narinas.

Eu era a vilã dessa história agora.

Mas pelo meu filho, pelo vazio que ele deixou, eu faria de novo.

Min-ho dirigiu por um longo tempo enquanto falava ao telefone; o fone em seu ouvido me impedia de ouvir o que estava sendo combinado,
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    [][] Epílogo – 10 anos depois [][]Dez anos após aquela noite em que Leonie acordou chamando por nós, Corippo ainda permanece o nosso lar, um refúgio de pedra e paz onde as cicatrizes do passado se transformaram em memórias distantes, suavizadas pelo tempo e pelo amor.Leonie está com 17 anos agora, uma adolescente vibrante, com os cabelos escuros caindo pelos ombros e o mesmo espírito arteiro que encantava a casa quando ela era pequena. Ela herdou a teimosia de Min-ho e minha paixão por criar, mas em vez de tortas, ela pinta; Telas cheias de cores vivas que capturam os Alpes, o rio Verzasca e as histórias que inventava sobre fadas e dragões. Sua risada ainda ecoa pelas ruas de paralelepípedos, e ela agora ajuda na padaria de dona Claire, que, apesar dos cabelos ainda mais brancos, continua nos mimando com donuts açucarados.Nosso segundo filho, Elias, chegou dois anos após aquela noite selvagem com Min-ho. O parto foi tranquilo, ao contrário do que temíamos, e ele nasceu forte, com o

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    O tempo voou como um foguete. Leonie, agora com sete anos, era uma força da natureza; uma menina de cabelos escuros e cheios como os meus, olhos profundos como os de Min-ho, e uma língua afiada que nos fazia rir e suspirar. Ela falava sem parar, contando histórias inventadas sobre fadas nas florestas de castanheiros ou perguntando por que o rio Verzasca brilhava como esmeralda.Sua energia era incansável, mas cada risada dela, cada abraço apertado, era um lembrete de que a vida nos dera uma segunda chance.Naquela tarde de primavera, o sol aquecia o quintal da nossa casa de pedra, as flores silvestres explodindo em cores vibrantes ao redor, e o ar cheirava a maçãs frescas e terra úmida. Estávamos na cozinha, as janelas abertas deixando entrar a brisa, enquanto preparávamos tortas de maçã para a padaria de dona Claire. A mesa de madeira estava coberta de farinha, tigelas de maçãs fatiadas e uma bagunça de utensílios que Leonie insistia em "ajudar" a usar. Ela estava empoleirada num ban

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    Dois anos se passaram desde o nascimento de Leonie, nossa pequena leoa, e cada dia com ela tem sido uma mistura de caos delicioso e amor infinito que eu nunca imaginei merecer depois de tudo que vivi.O parto foi uma batalha; pélvico, doloroso, com ela virada ao contrário como se desafiasse o mundo desde o útero.Lutou bravamente para vir ao mundo, gritando como uma guerreira, e nós a batizamos Leonie, valente como uma leoa, um nome que ecoava sua força e a nossa esperança renovada.Ser mãe dela é como navegar um rio selvagem: ela é arteira, curiosa até o perigo, com olhos escuros como os de Min-ho e um sorriso que derrete o meu coração.Aos dois anos, ela já escala os móveis da nossa casa de pedra como se fossem montanhas, rouba frutas do cesto antes do jantar, e ri com uma gargalhada gutural que enche o ar de alegria. Tem sido exaustivo: noites sem dormir quando ela chora por monstros imaginários, tardes correndo atrás dela pelo quintal para impedir que coma terra ou persiga os gato

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    Sete anos se passaram desde que nos instalamos em Corippo, e a vida, de alguma forma, encontrou um ritmo que eu nunca imaginei possível após o inferno que deixamos para trás.O vilarejo, com suas casas de pedra e ruas sinuosas, tornou-se mais do que um refúgio, era um lar.Eu me reinventei aqui, transformando a dor em algo doce, literalmente. Tornei-me confeiteira, especializada em tortas de maçã feitas com as frutas crocantes dos pomares locais, a massa amanteigada e o recheio quente perfumando nossa casa de pedra. Minhas tortas eram vendidas nas poucas padarias da região, entregues em cestas de vime que eu carregava pelas trilhas íngremes até Locarno ou Ascona.O luto pelo meu filho nunca me deixou, mas aprendi a carregá-lo como uma cicatriz, não uma ferida aberta. A meditação diária, o apoio de Min-ho e a simplicidade da vida em Corippo me ensinaram a perdoar; não os outros, mas a mim mesma.Agora, aos seis meses de gravidez, eu sentia uma nova vida crescendo dentro de mim. Era uma

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    Meu coração batia descompassado, o luto e o horror do que havíamos feito pesando no peito como uma pedra. O martelo não estava mais na minha mão, mas o peso do sangue ainda grudava na minha pele, o cheiro de gasolina e carne queimada impregnado nas minhas narinas.Eu era a vilã dessa história agora.Mas pelo meu filho, pelo vazio que ele deixou, eu faria de novo.Min-ho dirigiu por um longo tempo enquanto falava ao telefone; o fone em seu ouvido me impedia de ouvir o que estava sendo combinado, mas suas falas eram curtas e secas com a pessoa do outro lado da ligação. Suas mãos estavam firmes no volante, os olhos fixos na estrada, mas ele me olhava de relance, como se tentasse avaliar se eu ainda estava inteira.— Já está tudo arranjado — disse ele após apertar um botão no painel do carro, a voz rouca demonstrando o seu cansaço. — Um dos meus contatos conseguiu um navio de carga saindo do porto em meia hora. Vamos para o México, e de lá traçamos o resto do caminho. Ninguém vai nos acha

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