INICIAR SESIÓNTrinta anos antes…
Muito antes de Máximo nascer, Milena Santoro já aprendera que o amor podia ser uma forma de prisão. Tinha apenas dezoito anos quando perdeu o pai. E trouxe à superfície uma verdade que durante anos ninguém tivera coragem de lhe dizer. A família estava a afundar-se. O pai de Milena e Donatello deixara-lhes dois hotéis que, durante décadas, tinham sido motivo de orgulho da família. Mas os últimos anos tinham sido diferentes. Má gestão. Despesas que ninguém conseguia controlar. Quando o patriarca morreu, os dois irmãos ficaram responsáveis por um império que já não era um império. Era uma ruína disfarçada de luxo. Milena tinha acabado de fazer dezoito anos. Donatello era pouco mais velho. Nenhum dos dois tinha experiência suficiente para salvar os negócios. E, durante alguns meses, tentaram. Venderam propriedades. Renegociaram dívidas. Procuraram investidores. Nada funcionou. Os hotéis continuaram a perder dinheiro. Os credores começaram a aparecer. E, em pouco tempo, os dois perceberam que estavam prestes a perder tudo. Foi então que Pietro Santoro apareceu. Pietro já era um homem respeitado no mundo empresarial italiano. Tinha dinheiro. Tinha influência. E, acima de tudo, sabia administrar aquilo que os outros destruíam. Ele analisou as contas dos hotéis durante três dias. No quarto dia, apresentou a solução. Assumiria as dívidas. Investiria o próprio dinheiro. Reestruturaria os hotéis. E impediria que os negócios da família de Milena desaparecessem. Mas havia uma condição. Milena teria de casar com ele. Ela nunca esquecera a primeira conversa que tiveram. Estavam no escritório do pai dela. As paredes ainda guardavam fotografias da família. Milena permanecia de pé junto à janela. — Não quero casar contigo – disse ela a Pietro que estava sentado atrás da secretária. Era um homem elegante, sério e seguro de si. — Eu sei – disse ele — Então porque estás a pedir? – perguntou ela — Não estou a pedir – disse Pietro — O quê? – disse Milena — Estou a apresentar-te uma escolha – disse Pietro que estava a ser forçado a casar pela família Ela soltou uma gargalhada amarga. — Isso não é uma escolha – disse Milena — Podes recusar – disse Pietro — E o que acontece? – perguntou ela e Pietro não desviou os olhos — Os hotéis serão vendidos para pagar as dívidas – disse Pietro e Milena ficou em silêncio. — E o meu irmão? – perguntou ela — Poderá procurar trabalho – respondeu Pietro Ela sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. — Estás a comprar-me – disse ela e Pietro levantou-se. — Estou a salvar aquilo que o teu pai construiu – disse ele — E em troca queres uma mulher de dezoito anos – disse ela — Quero uma esposa – disse ele — Não me amas – disse ela — Não - a resposta dele foi imediata — Mas preciso de uma mulher que saiba o que significa carregar um nome – disse ele Ela riu-se, incrédula. O casamento aconteceu poucas semanas depois. Milena vestiu branco. Sorriu para as fotografias. Cumprimentou convidados. Disse os votos. E, naquela noite, quando ficou sozinha no quarto depois de consumar o casamento, chorou até adormecer. Mas sabia que, graças àquele casamento, os hotéis estavam salvos. E Donatello também. Pietro cumpriu a palavra. E, pouco a pouco, transformou aqueles dois estabelecimentos em algo muito maior. O pequeno grupo hoteleiro da família Santoro começou a crescer. E o nome Santoro ganhou ainda mais força. Milena assistia a tudo. E quanto mais o grupo crescia, mais ela percebia uma coisa. Pietro nunca esquecera que tinha salvado a família dela. Mesmo quando não dizia nada, ela sentia aquela dívida pairar entre os dois. Dois anos depois do casamento, Milena descobriu que estava grávida. A notícia não a deixou feliz. Assustou-a. Quando contou a Pietro, ele permaneceu em silêncio durante alguns segundos. — Teremos um filho – disse ele e Milena baixou os olhos. — Eu não queria isto – disse ela e Pietro franziu o sobrolho. Ele aproximou-se. — Milena... – disse ele e ficou sério. — É o meu herdeiro – disse ele e Milena ergueu os olhos. — E se for uma menina? – perguntou ela e Pietro respondeu sem hesitar. — Teremos outro – disse ele e ela percebeu naquele momento. Para Pietro, um filho não era apenas um filho. Era o futuro do grupo. Meses depois, nasceu Máximo. E, pela primeira vez, Milena percebeu que o medo que sentia não era da maternidade. Era de perder o pouco controlo que ainda tinha sobre a própria vida. Máximo cresceu rodeado de luxo. Desde pequeno, ouviu o próprio nome associado ao futuro do grupo. — Um dia, tudo isto será teu - era Pietro quem dizia. Máximo aprendia a observar o pai. Aprendia que o nome Santoro vinha acompanhado de responsabilidades. Milena, porém, tinha outra preocupação. Não queria que o filho se tornasse como Pietro. Não queria que ele vivesse preso a obrigações. Mas também não queria perder o poder que conquistara dentro da família. E foi aí que começou a sua contradição. Ela amava Máximo. À sua maneira. Mas também o via como a única garantia de que nunca voltaria a ser a jovem de dezoito anos que precisava de Pietro para sobreviver. Ao longo dos anos, Pietro repetiu sempre a mesma frase: — O grupo Santoro terá apenas um herdeiro, Máximo E Mário, filho de Donatello, cresceu sabendo disso. Os dois primos foram criados quase como irmãos. Mas a comparação entre eles começou cedo. Máximo era o favorito de Pietro. Mário era sempre o segundo. E Donatello nunca esqueceu isso. Milena também não. Décadas depois, quando Máximo começou a falar de Catherine, Milena sentiu o mesmo medo que sentira aos dezoito anos. Medo de perder o controlo. Medo de ver o filho escolher uma vida que ela não pudesse controlar. E, acima de tudo, medo de que uma mulher desconhecida entrasse na família Santoro e alterasse tudo aquilo que ela passara a vida inteira a proteger. Para Milena, Catherine não era apenas uma jovem francesa. Era uma ameaça. Uma ameaça ao casamento que pretendia arranjar para o filho. Uma ameaça ao futuro que tinha imaginado. E, talvez mais importante, uma ameaça à posição que conquistara dentro da família. Foi por isso que, quando Donatello lhe revelou que Máximo estava apaixonado, Milena não pensou em felicidade. Pensou em estratégia. — Ele ama-a — disse Donatello Milena estava sentada no escritório, olhando para uma fotografia antiga de Máximo. — Então temos de agir antes que seja tarde – disse Milena — Faremos Pietro acreditar que o próprio filho está a colocar o grupo em risco – disse ela e Donatello sorriu. — E Andreia? – perguntou Donatello — Andreia continua a ser a escolha perfeita – disse Milena — E Mário? – perguntou Donatello e Milena pousou a fotografia. — Se Máximo se tornar incapaz de assumir o grupo... – disse ela — Mário torna-se o sucessor – Donatello completou — Exatamente – disse Milena Naquela mesma noite, em Bordeaux, Máximo estava sentado no sofá de Catherine. Ela dormia encostada ao seu peito. Ele passava lentamente os dedos pelos cabelos dela. Olhava para o rosto tranquilo da mulher que amava. E pensava numa coisa que nunca tinha pensado antes. Queria uma vida com ela. Uma vida que não fosse decidida por contratos, acionistas ou pela vontade dos pais. Catherine abriu os olhos lentamente. — Porque estás a olhar para mim? – perguntou ela Máximo sorriu. — Porque és bonita – disse ele e ela sorriu sonolenta. Catherine aproximou-se dele. Máximo beijou-lhe a testa. Depois abraçou-a com mais força. Naquele momento, acreditava que o amor seria suficiente. Ainda não sabia que, do outro lado da Europa, a mãe já estava a preparar-se para lhe ensinar uma das lições mais duras da sua vida, na família Santoro, ninguém escolhia o próprio destino.Um ano antes…Andreia e Máximo não viviam um casamento feliz.E já nem tentavam mostrar o contrário.Principalmente ele.- Filha tens de dar um filho a ele – dizia Guida, a mãe de Andreia- Sim… - dizia Andreia não querendo admitir que o marido mal lhe tocava e sempre que isso acontecia era sempre com preservativos que ele mesmo trazia, recusando usar os que ela comprava – Estamos a trabalhar nisso – acrescentava ela ao ver o olhar inquisidor da mãe sobre elaA vida deles era completamente oposta.Ela vivia para compromissos sociais, compras, almoços e lanches com as amigas.Ele vivia para o trabalho.Apenas isso importava para ele.- Temos um problema no hotel em Florença – dizia Mário ao entrar no gabinete de Máximo depois de bater apressadamente na porta e Máximo encarou-o de imediato- Fala – dizia ele e Mário contava o que se estava a passar – Preparem o meu jato – dizia ele e fechava o seu laptop e foi para o closet que tinha no gabinete sempre preparado com roupas e malas feita
Dois anos antes…Em Bordeaux, a vida seguia.Catherine não sabia o que tinha acontecido na vida de Máximo, e aos poucos ele foi desaparecendo do seu coração, ou pelo menos era isso que ela acreditava por não pensar tanto nele, e aos poucos o amor que ela sentia por ele virava rancor.Mágoa.Ela tinha muita mágoa dele.E jurou fechar para sempre o seu coração ao amor.Ela não queria mais voltar a sofrer por amor.Ela não queria mais confiar em mais nenhum homem.Ao contrário do que se passava na sua vida amorosa, a vida profissional corria muito bem.Ela era uma excelente profissional, e mesmo grávida, ela foi promovida a diretora de marketing da vinícola.Há medida que os meses passavam e a gravidez avançava, ela ficava cada vez mais próxima de Olivier.Não tanto como ele queria.E demasiado próxima segundo ela.- Gosto muito de ti – dizia Olivier a olhar para Catherine e ela apenas baixava a cabeçaOlivier era apaixonado por Catherine.Ele não escondia.Ela não era correspondida na m
Três anos antes…O casamento de Máximo e Catherine aconteceu de forma muito rápida e de forma muito glamorosa.Foi tudo preparado por equipas especializadas e a pedido dos pais dos noivos que não se privaram de nada e de poupar para que os filhos tivessem um casamento inesquecível e muito feliz.Andreia, estava uma noiva deslumbrante. O vestido dela tinha sido desenhado pelo estilista mais conceituado de toda a Europa. Todo ele bordado à mão e com diamantes cuidadosamente cravejados no tecido.Máximo estava vestido com um fato de três peças, feito por medida como todos os seus fatos.Nos dias que antecederam o casamento, o casal fez várias capas de revistas.Tudo o que eles faziam era tema.A mudança dos pertences para a casa onde viveriam.A ida de Andreia ao SPA com as madrinhas.O fato de Máximo trabalhar até ao último dia.A ausência de despedidas de solteiro, ou pelo menos que alguém soubesse que elas tinham acontecido.No dia do casamento, foi a loucura.Jornalistas nos portões
Três anos antes…Logo após o noivado mais esperado e falado de Itália, Máximo e Andreia começam a comparecer juntos em público.- Avisa Andreia que temos um jantar hoje – diz Máximo para Donatello – Ela que esteja pronta às dezanove – continua ele sem levantar a cabeça para o tio- Mais alguma coisa? – perguntou Donatello- Não – diz Máximo e Donatello sai do gabinete deleAndreia era a noiva perfeita, sempre bem-comportada, sempre bem vestida, sem causar transtornos e principalmente muito obediente.Ela sabia como estar nos eventos, como ficar apenas ao lado dele, sem se intrometer nas conversas.Dias mais tarde, Máximo vai a uma boate com os seus amigos.- Máximo – chama Romeu – A sua noiva – diz ele e aponta para o canto da zona VIP onde estava Andreia com duas amigas a conversar de forma muito discretaMáximo não respondeu.Apenas olhou.Andreia não demorou muito para o ver e foi até ele.- Querido – diz ela ao chegar junto dele e Máximo forçou um sorriso- Andreia – respondeu el
Três anos antes…Os primeiros dias em casa, não foram os melhores.Catherine estava triste, muito triste.Sem vontade de viver.Ela mal saía do quarto.Isso preocupava os pais dela. Muito, mesmo muito.Antoine olhava para Rose, como que procurasse uma resposta para o estado da filha, mas, ninguém tinha o poder de animar Catherine.Eles faziam de tudo para animar a filha, mas nada era o suficiente para que ela voltasse a sorrir, voltasse a ser a menina sorridente que sempre fora.- Ela aos poucos vai melhorar – dizia Rose para o marido, confiante que a deceção amorosa da filha passasse com o tempo- Se eu pudesse ia a Itália buscar aquele moleque sem vergonha – dizia Antoine revoltado com a forma como a filha tinha sido abandonada por Máximo, ou pelo menos era isso que todos pensavam, pois, a carta que ele escreveu nunca foi entregue a Catherine- De que isso adiantaria, ele se a amasse tinha ficado – dizia Rose e Antoine dava de ombros.Duas semanas depois, Catherine começava a sair d
Três anos antes…Já que tinha de se casar com Andreia, Máximo decidiu que iria ser tudo muito rápido.Assim que Pietro anunciou que o filho se iria casar com Andreia, foi marcado o jantar de noivado deles.- A única coisa boa disto tudo é eu saber que mais uma vez te ganhei – sussurra Máximo ao ouvido de Mário que fica furioso por dentro- E quem disse que eu queria ganhar um casamento forçado? – disse Mário depois de respirar fundo para se conter- Não é preciso dizeres eu sei que sim – diz Máximo mantendo a postura séria deleNo dia do noivado, Máximo não estava com o melhor humor e isso era claro para todos.Já Andreia, estava feliz, muito feliz.- Mãeeeee – gritava ela no quarto dela para a mãe- Fala filha – diz Guida, a mãe dela- Este ou este? – pergunta ela à mãe que a olha com uma cara muito séria- Andreia, pouco importa a roupa interior hoje, tu não vais dormir com ele – diz Guida- E se ele quiser? – pergunta ela- Tu não vais permitir, tens de chegar ao casamento ou perto







