LOGINTrês anos antes…
A viagem que deveria durar apenas alguns dias já se prolongava há quase duas semanas, e Donatello começava a ficar cada vez mais impaciente com a quantidade de compromissos que o sobrinho estava a adiar. Máximo não se importava, e, pela primeira vez, não queria que uma viagem terminasse. Encontravam-se quase todos os dias. Ele levava-a a pequenos restaurantes escondidos pelas ruas de Bordeaux, passeavam junto ao rio, bebiam café em esplanadas e passavam horas a conversar. Cada encontro aproximava-os um pouco mais. E Catherine começava a perceber que já não conseguia imaginar aqueles dias sem ele. — Máximo... – disse ela e ele aproximou-se e beijou-a suavemente — Não quero pensar no que vai acontecer quando voltar para Milão – disse ele — Eu também não – disse ela — Então não pensamos – disse ele e ela sorriu. — Está bem – disse ela e Máximo passou o braço à volta da cintura dela e puxou-a para mais perto. A intimidade entre eles crescia sem que nenhum dos dois percebesse exatamente quando tinha acontecido. Máximo já não hesitava em tocar-lhe no rosto, segurar-lhe a mão ou puxá-la para junto de si quando caminhavam. Numa noite, depois de jantar, Máximo levou-a para o hotel onde estava hospedado. Não para o seu quarto. Apenas para a varanda privada do restaurante. — É bonito – disse ela e Máximo aproximou-se por trás dela. — Sim – disse ele e ela virou-se Máximo passou os braços à volta da cintura e beijou-a. Catherine segurou-lhe o rosto. Quando o beijo terminou, ficaram abraçados. — Tenho medo — confessou ela Máximo franziu o sobrolho. — De quê? – perguntou ele — De gostar demasiado de ti – disse ela e ele ficou em silêncio. Depois segurou-lhe a mão e levou-a aos lábios. — Eu já gosto demasiado de ti – disse ele e Catherine fechou os olhos. Enquanto Catherine e Máximo construíam o que acreditavam ser uma história apenas deles, em Milão, outra história começava a ser escrita. Donatello estava ao telemóvel com Milena. — Tens a certeza? — perguntou ela — Absoluta – disse ele e Milena cruzou os braços. — O Máximo está apaixonado? – disse ela — Pelo que vejo, sim – diz ele sem hesitar — Quem é ela? – perguntou Milena — Catherine Gagnon, vive em Bordeaux – disse ele e Milena ficou alguns segundos em silêncio. — É de uma família importante? – perguntou ela — Tanto quanto sei, não – disse Donatello Um sorriso frio surgiu no rosto de Milena. — Então temos um problema – disse Milena — Ou uma oportunidade – disse Donatello — O Máximo está completamente envolvido, passa todos os dias com ela, adiou o regresso várias vezes – diz Donatello a olhar pela janela do quarto — O meu filho sempre foi impulsivo – disse Milena — Desta vez é diferente – continua Donatello Milena levantou-se e caminhou até à janela. — Se Pietro descobrir que ele está a envolver-se seriamente com uma mulher sem qualquer ligação ao nosso círculo... – disse Donatello — Vai querer cortar o relacionamento – disse Milena — Não – disse Donatello — Pietro pode tentar controlá-lo, mas Máximo já não é criança – disse Milena e Donatello sorriu. — Não precisamos de controlar Máximo – disse Donatello e ela percebeu imediatamente. — Precisamos de fazer com que o Pietro pense que ele não está preparado para assumir o grupo – disse Milena Donatello aproximou-se da secretária. — E existe outra questão – disse ele — Mário – disse ela O nome caiu entre os dois. Milena não respondeu. Mário era filho de Donatello. Tinha crescido próximo de Máximo, embora os dois nunca tivessem tido uma relação verdadeiramente boa. Competiam desde crianças. Tudo se transformava numa disputa. Mas havia uma coisa que Máximo tinha e Mário não. O direito de sucessão. A menos que Pietro mudasse de ideias. — Se Máximo demonstrar que não tem maturidade para assumir o grupo — continuou Donatello — O teu marido poderá reconsiderar o sucessor – disse ele — E Mário seria a alternativa perfeita – disse Milena — Meu filho está preparado – disse Donatello e Milena soltou uma pequena gargalhada. — O teu filho está preparado para tudo aquilo que lhe permita sentar-se na cadeira de Máximo – disse ela Donatello não negou. Donatello sorriu. — Quanto à rapariga basta deixar Pietro saber que Máximo está a desperdiçar a sua posição por causa de uma mulher que conheceu numa discoteca – disse Donatello e o rosto de Milena iluminou-se. — E se ele quiser casar com ela? – perguntou Milena Donatello hesitou. — Então teremos de garantir que Pietro nunca aceite – disse Donatello e Milena começou a caminhar lentamente pelo escritório – Temos que o casar antes – disse Donatello — Andreia – disse Milena a sorrir Donatello assentiu. — Exatamente – disse Donatello Andreia D'Angelo era filha de um dos empresários mais influentes de Itália. Um casamento entre as duas famílias seria perfeito para os Santoro. E, sobretudo, seria uma forma de manter Máximo sob controlo. — Se Pietro acreditar que Máximo está apaixonado por uma mulher sem família, sem dinheiro e sem qualquer posição social — disse Milena — Ficará convencido de que o filho perdeu o rumo – continuou ela — E se Máximo se recusar a terminar? – perguntou Donatello e Milena sorriu. — Então damos-lhe uma escolha – disse ela de forma fria Naquela noite, em Bordeaux, Catherine estava deitada no sofá do pequeno apartamento. Máximo estava sentado no chão, encostado às pernas dela. Ela passava os dedos pelo cabelo dele. — Nunca pensei que fosses ficar tanto tempo – disse ela — Eu também não – respondeu ele — E quando voltares? – perguntou ela e Máximo levantou os olhos. — Volto para ti – disse ele de forma firme Catherine sorriu. Ela encostou-se ao seu peito. — Não quero que isto seja apenas uma coisa passageira – disse ele e Máximo segurou-lhe o rosto — Também não quero – respondeu ela e beijou-a demoradamente. Catherine fechou os olhos e abraçou-o. Naquela noite, ficaram juntos durante horas, entre beijos, carícias e conversas baixas. A cada toque, a cada palavra, a distância entre os dois diminuía. Já não havia apenas atração. Havia confiança. Havia sentimento. Havia amor a nascer. E nenhum dos dois fazia ideia de que, enquanto construíam aquele amor, em Milão havia duas pessoas a preparar-se para destruí-lo. Na manhã seguinte, o telefone de Máximo tocou. Ele olhou para o ecrã. Mãe. Por alguns segundos, ficou imóvel. Catherine percebeu imediatamente a mudança no rosto dele. — Não vais atender? – perguntou ela e Máximo suspirou. — Tenho de atender – disse ele e levantou-se e afastou-se alguns passos. — Mãe? – disse ele e do outro lado, a voz de Milena era fria. — Máximo, precisamos de conversar – disse ela — Estou ocupado – disse ele — Eu sei onde estás – disse ela e ele ficou em silêncio — E sei com quem estás – continuou ela e Máximo fechou os olhos. — Mãe...- disse Máximo — O teu pai também sabe que tens passado as últimas semanas em Bordeaux por causa de uma mulher – disse ela e o sangue gelou-lhe nas veias — Quem te contou? – perguntou ele já sabendo a resposta Milena sorriu do outro lado da linha. — Isso não importa – disse ela — Não te metas na minha vida – disse ele — Não posso fazer isso – disse ela e a voz dela endureceu — Porque a tua vida também é o futuro desta família – disse ela e Máximo apertou o telefone — Voltamos a falar quando chegares a Milão – disse Milena e a chamada terminou. Máximo permaneceu alguns segundos imóvel. Catherine aproximou-se. — Está tudo bem? – perguntou ela e ele olhou para ela. Queria dizer que sim. Queria garantir-lhe que nada podia separá-los. — Sim – disse ele e Catherine encostou o rosto ao peito dele — Tens a certeza? – perguntou ela e Máximo fechou os olhos — Tenho – disse ele E, naquele momento, nenhum dos dois sabia que o maior obstáculo ao amor que estavam a construir não seria a distância entre Bordeaux e Milão. Seria a própria família Santoro.Um ano antes…Andreia e Máximo não viviam um casamento feliz.E já nem tentavam mostrar o contrário.Principalmente ele.- Filha tens de dar um filho a ele – dizia Guida, a mãe de Andreia- Sim… - dizia Andreia não querendo admitir que o marido mal lhe tocava e sempre que isso acontecia era sempre com preservativos que ele mesmo trazia, recusando usar os que ela comprava – Estamos a trabalhar nisso – acrescentava ela ao ver o olhar inquisidor da mãe sobre elaA vida deles era completamente oposta.Ela vivia para compromissos sociais, compras, almoços e lanches com as amigas.Ele vivia para o trabalho.Apenas isso importava para ele.- Temos um problema no hotel em Florença – dizia Mário ao entrar no gabinete de Máximo depois de bater apressadamente na porta e Máximo encarou-o de imediato- Fala – dizia ele e Mário contava o que se estava a passar – Preparem o meu jato – dizia ele e fechava o seu laptop e foi para o closet que tinha no gabinete sempre preparado com roupas e malas feita
Dois anos antes…Em Bordeaux, a vida seguia.Catherine não sabia o que tinha acontecido na vida de Máximo, e aos poucos ele foi desaparecendo do seu coração, ou pelo menos era isso que ela acreditava por não pensar tanto nele, e aos poucos o amor que ela sentia por ele virava rancor.Mágoa.Ela tinha muita mágoa dele.E jurou fechar para sempre o seu coração ao amor.Ela não queria mais voltar a sofrer por amor.Ela não queria mais confiar em mais nenhum homem.Ao contrário do que se passava na sua vida amorosa, a vida profissional corria muito bem.Ela era uma excelente profissional, e mesmo grávida, ela foi promovida a diretora de marketing da vinícola.Há medida que os meses passavam e a gravidez avançava, ela ficava cada vez mais próxima de Olivier.Não tanto como ele queria.E demasiado próxima segundo ela.- Gosto muito de ti – dizia Olivier a olhar para Catherine e ela apenas baixava a cabeçaOlivier era apaixonado por Catherine.Ele não escondia.Ela não era correspondida na m
Três anos antes…O casamento de Máximo e Catherine aconteceu de forma muito rápida e de forma muito glamorosa.Foi tudo preparado por equipas especializadas e a pedido dos pais dos noivos que não se privaram de nada e de poupar para que os filhos tivessem um casamento inesquecível e muito feliz.Andreia, estava uma noiva deslumbrante. O vestido dela tinha sido desenhado pelo estilista mais conceituado de toda a Europa. Todo ele bordado à mão e com diamantes cuidadosamente cravejados no tecido.Máximo estava vestido com um fato de três peças, feito por medida como todos os seus fatos.Nos dias que antecederam o casamento, o casal fez várias capas de revistas.Tudo o que eles faziam era tema.A mudança dos pertences para a casa onde viveriam.A ida de Andreia ao SPA com as madrinhas.O fato de Máximo trabalhar até ao último dia.A ausência de despedidas de solteiro, ou pelo menos que alguém soubesse que elas tinham acontecido.No dia do casamento, foi a loucura.Jornalistas nos portões
Três anos antes…Logo após o noivado mais esperado e falado de Itália, Máximo e Andreia começam a comparecer juntos em público.- Avisa Andreia que temos um jantar hoje – diz Máximo para Donatello – Ela que esteja pronta às dezanove – continua ele sem levantar a cabeça para o tio- Mais alguma coisa? – perguntou Donatello- Não – diz Máximo e Donatello sai do gabinete deleAndreia era a noiva perfeita, sempre bem-comportada, sempre bem vestida, sem causar transtornos e principalmente muito obediente.Ela sabia como estar nos eventos, como ficar apenas ao lado dele, sem se intrometer nas conversas.Dias mais tarde, Máximo vai a uma boate com os seus amigos.- Máximo – chama Romeu – A sua noiva – diz ele e aponta para o canto da zona VIP onde estava Andreia com duas amigas a conversar de forma muito discretaMáximo não respondeu.Apenas olhou.Andreia não demorou muito para o ver e foi até ele.- Querido – diz ela ao chegar junto dele e Máximo forçou um sorriso- Andreia – respondeu el
Três anos antes…Os primeiros dias em casa, não foram os melhores.Catherine estava triste, muito triste.Sem vontade de viver.Ela mal saía do quarto.Isso preocupava os pais dela. Muito, mesmo muito.Antoine olhava para Rose, como que procurasse uma resposta para o estado da filha, mas, ninguém tinha o poder de animar Catherine.Eles faziam de tudo para animar a filha, mas nada era o suficiente para que ela voltasse a sorrir, voltasse a ser a menina sorridente que sempre fora.- Ela aos poucos vai melhorar – dizia Rose para o marido, confiante que a deceção amorosa da filha passasse com o tempo- Se eu pudesse ia a Itália buscar aquele moleque sem vergonha – dizia Antoine revoltado com a forma como a filha tinha sido abandonada por Máximo, ou pelo menos era isso que todos pensavam, pois, a carta que ele escreveu nunca foi entregue a Catherine- De que isso adiantaria, ele se a amasse tinha ficado – dizia Rose e Antoine dava de ombros.Duas semanas depois, Catherine começava a sair d
Três anos antes…Já que tinha de se casar com Andreia, Máximo decidiu que iria ser tudo muito rápido.Assim que Pietro anunciou que o filho se iria casar com Andreia, foi marcado o jantar de noivado deles.- A única coisa boa disto tudo é eu saber que mais uma vez te ganhei – sussurra Máximo ao ouvido de Mário que fica furioso por dentro- E quem disse que eu queria ganhar um casamento forçado? – disse Mário depois de respirar fundo para se conter- Não é preciso dizeres eu sei que sim – diz Máximo mantendo a postura séria deleNo dia do noivado, Máximo não estava com o melhor humor e isso era claro para todos.Já Andreia, estava feliz, muito feliz.- Mãeeeee – gritava ela no quarto dela para a mãe- Fala filha – diz Guida, a mãe dela- Este ou este? – pergunta ela à mãe que a olha com uma cara muito séria- Andreia, pouco importa a roupa interior hoje, tu não vais dormir com ele – diz Guida- E se ele quiser? – pergunta ela- Tu não vais permitir, tens de chegar ao casamento ou perto







