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8 – O JOGO DOS IRMÃOS COMEÇA

作者: Bruna Marques
last update 公開日: 2026-09-05 15:40:08

Três anos antes…

Pietro Santoro estava no seu escritório quando recebeu a chamada de Milena. Tinha passado o dia inteiro entre reuniões, contratos e uma negociação particularmente difícil com investidores suíços. Tudo o que queria era alguns minutos de silêncio.

Mas conhecia a mulher.

Quando Milena ligava àquela hora, nunca era para falar de assuntos banais.

— Milena? – disse ele assim que atende

— Precisamos de conversar – disse ela e Pietro recostou-se na cadeira.

— Sobre o quê? – perguntou ele

— Sobre o nosso filho – disse ela e Pietro ficou em silêncio.

— Máximo? – perguntou ele

— Sim – disse ela e a expressão dele mudou imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou Pietro

— Donatello ligou esta tarde, ele sabe mais do que eu – disse ela e Pietro franziu o sobrolho.

Pietro permaneceu calado.

Sabia que o filho tinha prolongado a viagem.

Sabia que havia uma mulher.

Mas não sabia a extensão daquilo.

— E? – perguntou ele e Milena respirou fundo

— Ele está envolvido com uma mulher – disse ela e ele riu

— Isso não é novidade – disse Pietro

— Não é uma aventura – disse Milena e Pietro levantou os olhos.

— O que queres dizer? – perguntou ele

— Está apaixonado – disse ela e Pietro não respondeu imediatamente.

— Quem é ela? – perguntou Pietro

— Catherine Gagnon – respondeu ela

— Francesa? – perguntou Pietro

— Sim – disse Milena

— Família? – perguntou ele

— Sem qualquer expressão no nosso meio – disse Milena e Pietro soltou um suspiro.

— E isso incomoda-te? – perguntou Pietro

— Não é apenas isso – disse ela e a voz de Milena tornou-se mais grave — Máximo está a agir como se tivesse esquecido quem é – disse ela e Pietro ficou pensativo.

— Explica – disse ele e Pietro levantou-se e caminhou até à janela — O Máximo tem vinte e nove anos – continuou ele depois de ouvir o que a esposa dizia

— É o teu sucessor – disse ela e aquelas palavras fizeram Pietro parar.

Milena sabia exatamente onde tocar.

— Não podemos permitir que uma paixão decida o futuro do grupo — continuou ela.

Pietro virou-se.

— E o que sugeres? – perguntou e ele e houve uma pausa — Andreia – disse ela e Pietro já esperava ouvir aquele nome — O pai dela é um dos empresários mais influentes de Itália, casamento fortaleceria as nossas relações comerciais e garantiria uma aliança importante – disse ela

— E faria o quê pelo Máximo? – perguntou ele

— Daria estabilidade – disse ela e Pietro soltou uma pequena gargalhada.

— Estabilidade? – repetiu Pietro — Ou controlo? – perguntou ele e Milena ficou em silêncio.

Pietro conhecia a mulher com quem estava casado havia mais de vinte anos.

Sabia reconhecer quando ela escondia alguma coisa.

Ele ouviu tudo o que a mulher disse.

Pietro sabia que era mentira.

Não necessariamente sobre Catherine.

Mas sobre a origem da informação.

Donatello nunca fazia nada sem verificar várias vezes.

Pietro voltou à janela.

— Porque seria um problema o nosso filho casar com ela? – perguntou ele a Milena

— Porque os nossos parceiros não aceitariam – disse ela como se entendesse alguma coisa de negócios

— Os nossos parceiros ou tu? – disse ele diretamente e ela ficou em silêncio.

Pietro sorriu discretamente

— Se Máximo insistir nessa relação, podes ter problemas com o conselho – insistiu ela

— O conselho responde a mim – disse ele

— Hoje – disse ela e a palavra ficou suspensa.

Pietro virou-se lentamente.

— O que queres dizer? – perguntou ele

— Nada – disse ela

Pietro sentiu a desconfiança aumentar.

— Apenas acho que existem membros da família que poderiam questionar se Máximo está realmente preparado para assumir tudo – disse ela e Pietro soltou uma gargalhada sem humor.

— E quem seria essa alternativa? – perguntou Pietro e não deixou a esposa responder — Mário? – perguntou ele diretamente

Mais silêncio.

Pietro fechou os olhos.

Ali estava.

A verdadeira razão daquela conversa.

Não era Catherine.

Não era Andreia.

Era o grupo.

Sempre fora.

— Mário é competente — disse Milena finalmente.

— Nunca disse que não era – disse Pietro

— E conhece o grupo – disse ela

— Não conhece mais do que Máximo – rebateu Pietro

— Foi criado ao lado dele – disse ela

— E passou a vida inteira a competir com ele – disse Pietro

Milena não respondeu.

Pietro voltou a sentar-se.

— Tu e o teu irmão estão muito preocupados com o meu filho – disse Pietro

— Somos família – disse Milena

Pietro olhou para o telefone.

— Família? – perguntou ele com um tom carregado de ironia — Quando a família precisa de alguma coisa, costuma lembrar-se de mim – disse ele

— Pietro... – disse Milena

Milena ficou em silêncio.

— Vocês querem que eu acredite que estão preocupados com o futuro de Máximo – disse ele

— Estamos – disse Milena

— E, por coincidência, a solução é um casamento com Andreia – disse Pietro

— Seria bom para todos – disse Milena

— Principalmente para Mário – disse Pietro

A respiração de Milena mudou.

Pietro percebeu.

Tinha a confirmação que precisava.

— Não precisam de mentir-me — disse calmamente.

— Ninguém está a mentir – disse Milena

— Estão a omitir – disse Pietro

— É diferente – disse Milena e Pietro sorriu.

— Não tanto quanto pensas – disse ele e levantou-se novamente.

— Sei muito bem que o meu irmão quer o meu grupo – disse Pietro de forma direta — E sei que quer colocar o filho dele no lugar do meu – continuou ele

— Mário é teu sobrinho – disse ela

— E Máximo é meu filho – disse ele de forma seca

— Nunca confundi as duas coisas – disse Milena

— Pietro, ninguém está a tentar tirar nada ao Máximo – disse ela e o silêncio que se seguiu foi pesado.

Pietro sabia que os irmãos tinham uma ambição antiga.

Desde o dia em que assumira os negócios da família deles, Donatello nunca deixara de olhar para o crescimento do grupo Santoro como algo que também lhe pertencia.

E Milena, tinha passado metade da vida a reclamar que o casamento lhe roubara a juventude.

Mas nunca recusara os benefícios que aquele casamento lhe proporcionara.

Pietro conhecia-os demasiado bem.

— Vou falar com Máximo — disse finalmente.

Milena pareceu surpreendida.

— E Andreia? – perguntou Milena

— Também vou falar com ela – disse ele

— Pietro...- disse Milena

— Mas não vou obrigar o meu filho a casar amanhã – disse Pietro

Milena respirou fundo.

— Ele precisa de compreender que tem responsabilidades – disse Milena

— Concordo – disse Pietro — Mas há uma diferença entre responsabilidade e chantagem – continuou ele

— O que vais fazer? – perguntou Milena e Pietro pegou num documento.

— Vou dar-lhe uma escolha – disse Pietro e Milena ficou em silêncio.

— Se ele quer ser o sucessor do grupo Santoro — continuou Pietro — Terá de comportar-se como um homem capaz de carregar esse nome – disse ele

— E se escolher Catherine? – perguntou Milena

— Então saberemos o que realmente valoriza – disse Pietro

Naquela noite, Pietro não dormiu.

Sentou-se sozinho no escritório, olhando para uma fotografia de Máximo quando era criança.

O filho tinha apenas seis anos.

Estava sentado sobre os seus ombros, a rir.

Pietro sorriu.

Depois o sorriso desapareceu.

Não queria transformar o filho numa peça de xadrez.

Mas sabia que o mundo em que viviam não perdoava fraquezas.

E sabia também que Catherine poderia tornar-se um problema muito maior do que Milena imaginava.

Não porque fosse pobre.

Não porque fosse francesa.

Mas porque, pela primeira vez, Máximo parecia estar disposto a escolher alguém acima do nome Santoro.

Pietro pegou no telefone.

Precisava falar com o filho.

Mas antes de ligar, tomou uma decisão.

Não contaria a Máximo sobre a verdadeira conversa que tivera com Milena e Donatello.

Ainda não.

Queria primeiro ouvir a versão do próprio filho.

Queria saber se aquilo era apenas uma paixão passageira ou se Catherine Gagnon tinha conseguido algo que nenhuma mulher antes dela conseguira.

Fazer Máximo Santoro pensar numa vida longe do império da família.

Em Bordeaux, Máximo dormia profundamente.

Catherine estava deitada ao seu lado, a cabeça apoiada no peito dele.

Ele abriu os olhos por um instante e olhou para ela.

Sorriu.

Beijou-lhe os cabelos.

Depois fechou novamente os olhos.

O telefone, pousado na mesa de cabeceira, começou a vibrar.

Uma vez.

Duas.

Três.

Máximo não acordou.

No ecrã apareceu um nome.

Pietro Santoro.

E, naquela noite, enquanto Catherine dormia tranquilamente nos braços do homem que amava, o destino começava a aproximar-se deles.

Porque, em breve, Máximo teria de escolher.

E a escolha teria um preço.

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