ANMELDENTrês anos antes…
Pietro Santoro estava no seu escritório quando recebeu a chamada de Milena. Tinha passado o dia inteiro entre reuniões, contratos e uma negociação particularmente difícil com investidores suíços. Tudo o que queria era alguns minutos de silêncio. Mas conhecia a mulher. Quando Milena ligava àquela hora, nunca era para falar de assuntos banais. — Milena? – disse ele assim que atende — Precisamos de conversar – disse ela e Pietro recostou-se na cadeira. — Sobre o quê? – perguntou ele — Sobre o nosso filho – disse ela e Pietro ficou em silêncio. — Máximo? – perguntou ele — Sim – disse ela e a expressão dele mudou imediatamente. — Aconteceu alguma coisa? – perguntou Pietro — Donatello ligou esta tarde, ele sabe mais do que eu – disse ela e Pietro franziu o sobrolho. Pietro permaneceu calado. Sabia que o filho tinha prolongado a viagem. Sabia que havia uma mulher. Mas não sabia a extensão daquilo. — E? – perguntou ele e Milena respirou fundo — Ele está envolvido com uma mulher – disse ela e ele riu — Isso não é novidade – disse Pietro — Não é uma aventura – disse Milena e Pietro levantou os olhos. — O que queres dizer? – perguntou ele — Está apaixonado – disse ela e Pietro não respondeu imediatamente. — Quem é ela? – perguntou Pietro — Catherine Gagnon – respondeu ela — Francesa? – perguntou Pietro — Sim – disse Milena — Família? – perguntou ele — Sem qualquer expressão no nosso meio – disse Milena e Pietro soltou um suspiro. — E isso incomoda-te? – perguntou Pietro — Não é apenas isso – disse ela e a voz de Milena tornou-se mais grave — Máximo está a agir como se tivesse esquecido quem é – disse ela e Pietro ficou pensativo. — Explica – disse ele e Pietro levantou-se e caminhou até à janela — O Máximo tem vinte e nove anos – continuou ele depois de ouvir o que a esposa dizia — É o teu sucessor – disse ela e aquelas palavras fizeram Pietro parar. Milena sabia exatamente onde tocar. — Não podemos permitir que uma paixão decida o futuro do grupo — continuou ela. Pietro virou-se. — E o que sugeres? – perguntou e ele e houve uma pausa — Andreia – disse ela e Pietro já esperava ouvir aquele nome — O pai dela é um dos empresários mais influentes de Itália, casamento fortaleceria as nossas relações comerciais e garantiria uma aliança importante – disse ela — E faria o quê pelo Máximo? – perguntou ele — Daria estabilidade – disse ela e Pietro soltou uma pequena gargalhada. — Estabilidade? – repetiu Pietro — Ou controlo? – perguntou ele e Milena ficou em silêncio. Pietro conhecia a mulher com quem estava casado havia mais de vinte anos. Sabia reconhecer quando ela escondia alguma coisa. Ele ouviu tudo o que a mulher disse. Pietro sabia que era mentira. Não necessariamente sobre Catherine. Mas sobre a origem da informação. Donatello nunca fazia nada sem verificar várias vezes. Pietro voltou à janela. — Porque seria um problema o nosso filho casar com ela? – perguntou ele a Milena — Porque os nossos parceiros não aceitariam – disse ela como se entendesse alguma coisa de negócios — Os nossos parceiros ou tu? – disse ele diretamente e ela ficou em silêncio. Pietro sorriu discretamente — Se Máximo insistir nessa relação, podes ter problemas com o conselho – insistiu ela — O conselho responde a mim – disse ele — Hoje – disse ela e a palavra ficou suspensa. Pietro virou-se lentamente. — O que queres dizer? – perguntou ele — Nada – disse ela Pietro sentiu a desconfiança aumentar. — Apenas acho que existem membros da família que poderiam questionar se Máximo está realmente preparado para assumir tudo – disse ela e Pietro soltou uma gargalhada sem humor. — E quem seria essa alternativa? – perguntou Pietro e não deixou a esposa responder — Mário? – perguntou ele diretamente Mais silêncio. Pietro fechou os olhos. Ali estava. A verdadeira razão daquela conversa. Não era Catherine. Não era Andreia. Era o grupo. Sempre fora. — Mário é competente — disse Milena finalmente. — Nunca disse que não era – disse Pietro — E conhece o grupo – disse ela — Não conhece mais do que Máximo – rebateu Pietro — Foi criado ao lado dele – disse ela — E passou a vida inteira a competir com ele – disse Pietro Milena não respondeu. Pietro voltou a sentar-se. — Tu e o teu irmão estão muito preocupados com o meu filho – disse Pietro — Somos família – disse Milena Pietro olhou para o telefone. — Família? – perguntou ele com um tom carregado de ironia — Quando a família precisa de alguma coisa, costuma lembrar-se de mim – disse ele — Pietro... – disse Milena Milena ficou em silêncio. — Vocês querem que eu acredite que estão preocupados com o futuro de Máximo – disse ele — Estamos – disse Milena — E, por coincidência, a solução é um casamento com Andreia – disse Pietro — Seria bom para todos – disse Milena — Principalmente para Mário – disse Pietro A respiração de Milena mudou. Pietro percebeu. Tinha a confirmação que precisava. — Não precisam de mentir-me — disse calmamente. — Ninguém está a mentir – disse Milena — Estão a omitir – disse Pietro — É diferente – disse Milena e Pietro sorriu. — Não tanto quanto pensas – disse ele e levantou-se novamente. — Sei muito bem que o meu irmão quer o meu grupo – disse Pietro de forma direta — E sei que quer colocar o filho dele no lugar do meu – continuou ele — Mário é teu sobrinho – disse ela — E Máximo é meu filho – disse ele de forma seca — Nunca confundi as duas coisas – disse Milena — Pietro, ninguém está a tentar tirar nada ao Máximo – disse ela e o silêncio que se seguiu foi pesado. Pietro sabia que os irmãos tinham uma ambição antiga. Desde o dia em que assumira os negócios da família deles, Donatello nunca deixara de olhar para o crescimento do grupo Santoro como algo que também lhe pertencia. E Milena, tinha passado metade da vida a reclamar que o casamento lhe roubara a juventude. Mas nunca recusara os benefícios que aquele casamento lhe proporcionara. Pietro conhecia-os demasiado bem. — Vou falar com Máximo — disse finalmente. Milena pareceu surpreendida. — E Andreia? – perguntou Milena — Também vou falar com ela – disse ele — Pietro...- disse Milena — Mas não vou obrigar o meu filho a casar amanhã – disse Pietro Milena respirou fundo. — Ele precisa de compreender que tem responsabilidades – disse Milena — Concordo – disse Pietro — Mas há uma diferença entre responsabilidade e chantagem – continuou ele — O que vais fazer? – perguntou Milena e Pietro pegou num documento. — Vou dar-lhe uma escolha – disse Pietro e Milena ficou em silêncio. — Se ele quer ser o sucessor do grupo Santoro — continuou Pietro — Terá de comportar-se como um homem capaz de carregar esse nome – disse ele — E se escolher Catherine? – perguntou Milena — Então saberemos o que realmente valoriza – disse Pietro Naquela noite, Pietro não dormiu. Sentou-se sozinho no escritório, olhando para uma fotografia de Máximo quando era criança. O filho tinha apenas seis anos. Estava sentado sobre os seus ombros, a rir. Pietro sorriu. Depois o sorriso desapareceu. Não queria transformar o filho numa peça de xadrez. Mas sabia que o mundo em que viviam não perdoava fraquezas. E sabia também que Catherine poderia tornar-se um problema muito maior do que Milena imaginava. Não porque fosse pobre. Não porque fosse francesa. Mas porque, pela primeira vez, Máximo parecia estar disposto a escolher alguém acima do nome Santoro. Pietro pegou no telefone. Precisava falar com o filho. Mas antes de ligar, tomou uma decisão. Não contaria a Máximo sobre a verdadeira conversa que tivera com Milena e Donatello. Ainda não. Queria primeiro ouvir a versão do próprio filho. Queria saber se aquilo era apenas uma paixão passageira ou se Catherine Gagnon tinha conseguido algo que nenhuma mulher antes dela conseguira. Fazer Máximo Santoro pensar numa vida longe do império da família. Em Bordeaux, Máximo dormia profundamente. Catherine estava deitada ao seu lado, a cabeça apoiada no peito dele. Ele abriu os olhos por um instante e olhou para ela. Sorriu. Beijou-lhe os cabelos. Depois fechou novamente os olhos. O telefone, pousado na mesa de cabeceira, começou a vibrar. Uma vez. Duas. Três. Máximo não acordou. No ecrã apareceu um nome. Pietro Santoro. E, naquela noite, enquanto Catherine dormia tranquilamente nos braços do homem que amava, o destino começava a aproximar-se deles. Porque, em breve, Máximo teria de escolher. E a escolha teria um preço.Um ano antes…Andreia e Máximo não viviam um casamento feliz.E já nem tentavam mostrar o contrário.Principalmente ele.- Filha tens de dar um filho a ele – dizia Guida, a mãe de Andreia- Sim… - dizia Andreia não querendo admitir que o marido mal lhe tocava e sempre que isso acontecia era sempre com preservativos que ele mesmo trazia, recusando usar os que ela comprava – Estamos a trabalhar nisso – acrescentava ela ao ver o olhar inquisidor da mãe sobre elaA vida deles era completamente oposta.Ela vivia para compromissos sociais, compras, almoços e lanches com as amigas.Ele vivia para o trabalho.Apenas isso importava para ele.- Temos um problema no hotel em Florença – dizia Mário ao entrar no gabinete de Máximo depois de bater apressadamente na porta e Máximo encarou-o de imediato- Fala – dizia ele e Mário contava o que se estava a passar – Preparem o meu jato – dizia ele e fechava o seu laptop e foi para o closet que tinha no gabinete sempre preparado com roupas e malas feita
Dois anos antes…Em Bordeaux, a vida seguia.Catherine não sabia o que tinha acontecido na vida de Máximo, e aos poucos ele foi desaparecendo do seu coração, ou pelo menos era isso que ela acreditava por não pensar tanto nele, e aos poucos o amor que ela sentia por ele virava rancor.Mágoa.Ela tinha muita mágoa dele.E jurou fechar para sempre o seu coração ao amor.Ela não queria mais voltar a sofrer por amor.Ela não queria mais confiar em mais nenhum homem.Ao contrário do que se passava na sua vida amorosa, a vida profissional corria muito bem.Ela era uma excelente profissional, e mesmo grávida, ela foi promovida a diretora de marketing da vinícola.Há medida que os meses passavam e a gravidez avançava, ela ficava cada vez mais próxima de Olivier.Não tanto como ele queria.E demasiado próxima segundo ela.- Gosto muito de ti – dizia Olivier a olhar para Catherine e ela apenas baixava a cabeçaOlivier era apaixonado por Catherine.Ele não escondia.Ela não era correspondida na m
Três anos antes…O casamento de Máximo e Catherine aconteceu de forma muito rápida e de forma muito glamorosa.Foi tudo preparado por equipas especializadas e a pedido dos pais dos noivos que não se privaram de nada e de poupar para que os filhos tivessem um casamento inesquecível e muito feliz.Andreia, estava uma noiva deslumbrante. O vestido dela tinha sido desenhado pelo estilista mais conceituado de toda a Europa. Todo ele bordado à mão e com diamantes cuidadosamente cravejados no tecido.Máximo estava vestido com um fato de três peças, feito por medida como todos os seus fatos.Nos dias que antecederam o casamento, o casal fez várias capas de revistas.Tudo o que eles faziam era tema.A mudança dos pertences para a casa onde viveriam.A ida de Andreia ao SPA com as madrinhas.O fato de Máximo trabalhar até ao último dia.A ausência de despedidas de solteiro, ou pelo menos que alguém soubesse que elas tinham acontecido.No dia do casamento, foi a loucura.Jornalistas nos portões
Três anos antes…Logo após o noivado mais esperado e falado de Itália, Máximo e Andreia começam a comparecer juntos em público.- Avisa Andreia que temos um jantar hoje – diz Máximo para Donatello – Ela que esteja pronta às dezanove – continua ele sem levantar a cabeça para o tio- Mais alguma coisa? – perguntou Donatello- Não – diz Máximo e Donatello sai do gabinete deleAndreia era a noiva perfeita, sempre bem-comportada, sempre bem vestida, sem causar transtornos e principalmente muito obediente.Ela sabia como estar nos eventos, como ficar apenas ao lado dele, sem se intrometer nas conversas.Dias mais tarde, Máximo vai a uma boate com os seus amigos.- Máximo – chama Romeu – A sua noiva – diz ele e aponta para o canto da zona VIP onde estava Andreia com duas amigas a conversar de forma muito discretaMáximo não respondeu.Apenas olhou.Andreia não demorou muito para o ver e foi até ele.- Querido – diz ela ao chegar junto dele e Máximo forçou um sorriso- Andreia – respondeu el
Três anos antes…Os primeiros dias em casa, não foram os melhores.Catherine estava triste, muito triste.Sem vontade de viver.Ela mal saía do quarto.Isso preocupava os pais dela. Muito, mesmo muito.Antoine olhava para Rose, como que procurasse uma resposta para o estado da filha, mas, ninguém tinha o poder de animar Catherine.Eles faziam de tudo para animar a filha, mas nada era o suficiente para que ela voltasse a sorrir, voltasse a ser a menina sorridente que sempre fora.- Ela aos poucos vai melhorar – dizia Rose para o marido, confiante que a deceção amorosa da filha passasse com o tempo- Se eu pudesse ia a Itália buscar aquele moleque sem vergonha – dizia Antoine revoltado com a forma como a filha tinha sido abandonada por Máximo, ou pelo menos era isso que todos pensavam, pois, a carta que ele escreveu nunca foi entregue a Catherine- De que isso adiantaria, ele se a amasse tinha ficado – dizia Rose e Antoine dava de ombros.Duas semanas depois, Catherine começava a sair d
Três anos antes…Já que tinha de se casar com Andreia, Máximo decidiu que iria ser tudo muito rápido.Assim que Pietro anunciou que o filho se iria casar com Andreia, foi marcado o jantar de noivado deles.- A única coisa boa disto tudo é eu saber que mais uma vez te ganhei – sussurra Máximo ao ouvido de Mário que fica furioso por dentro- E quem disse que eu queria ganhar um casamento forçado? – disse Mário depois de respirar fundo para se conter- Não é preciso dizeres eu sei que sim – diz Máximo mantendo a postura séria deleNo dia do noivado, Máximo não estava com o melhor humor e isso era claro para todos.Já Andreia, estava feliz, muito feliz.- Mãeeeee – gritava ela no quarto dela para a mãe- Fala filha – diz Guida, a mãe dela- Este ou este? – pergunta ela à mãe que a olha com uma cara muito séria- Andreia, pouco importa a roupa interior hoje, tu não vais dormir com ele – diz Guida- E se ele quiser? – pergunta ela- Tu não vais permitir, tens de chegar ao casamento ou perto







