MasukAndreia não conseguiu pensar noutra coisa durante toda a noite.Catherine estava grávida.A notícia não saía da sua cabeça.Não era apenas mais um filho de Máximo.Era a confirmação de que Catherine estava a construir exatamente a vida que Andreia tinha perdido.Uma casa.Uma família.Um futuro.E, agora, outro bebé.Na manhã seguinte, Andreia foi diretamente procurar Milena.Encontrou-a no pequeno salão privado da residência dos Santoro, a tomar café.— Precisamos de conversar – disse Andreia e Milena levantou os olhos.— O que aconteceu? – perguntou Milena e Andreia fechou a porta.— A Catherine está grávida – disse Andreia e Milena ficou imóvel.— O quê? – perguntou Milena— Descobri ontem – respondeu Andreia— Tens a certeza? – perguntou Milena— Vi-a na clínica – disse Andreia e Milena pousou lentamente a chávena.— O Máximo sabe? – perguntou Milena— Não – disse AndreiaUm silêncio pesado instalou-se entre as duas.Milena levantou-se.— Isso muda tudo – disse Milena e Andreia so
As semanas tinham passado depressa.Demasiado depressa.Desde que Máximo assumira oficialmente a sua liberdade, parecia ainda mais determinado a construir um futuro com Catherine.Falava frequentemente do casamento.Às vezes fazia-o diretamente.Outras vezes, deixava pequenas pistas.Uma viagem.Um restaurante.Uma conversa sobre flores.Até Émile já tinha percebido que alguma coisa estava a ser preparada.Mas naquela manhã, pela primeira vez em semanas, Catherine acordou sem Máximo ao seu lado.Ele tinha partido ainda antes do amanhecer.Uma viagem de negócios.Apenas alguns dias.Mas tinha ficado contrariado desde o momento em que Pietro lhe explicou que não podia adiar aquela reunião.— Não gosto de deixar-vos sozinhos — disse Máximo na noite anterior.Catherine sorriu.— Não estamos sozinhos, os meus pais estão aqui – disse Catherine— Eu sei – disse Máximo— E temos segurança – disse Catherine— Também sei – respondeu Máximo— Então? – pergunto Catherine e Máximo suspirou.— Não
Catherine tinha aprendido, nas últimas semanas, a entrar no edifício do Grupo Santoro sem olhar para os lados.Era a única maneira de conseguir trabalhar.Os olhares continuavam.Os murmúrios também.Mas ela já não permitia que cada palavra atravessasse a barreira que tinha construído dentro de si.Tinha um cargo para desempenhar.Uma equipa para liderar.E queria provar que Pietro tinha tomado a decisão certa.Naquela manhã, chegou mais cedo.Passou quase uma hora a rever uma apresentação antes da reunião da direção. Quando finalmente fechou o computador, respirou fundo.— Está pronta – disse ela e a assistente sorriu.— Vai correr bem – disse a assistente e Catherine levantou-se.— Espero que sim – disse ela e saiu do gabinete.Não chegou a percorrer metade do corredor.As portas do elevador abriram-se.Andreia saiu.Catherine parou.Ao lado dela estava Milena.As duas caminharam pelo corredor como se ainda pertencessem àquele lugar.Andreia usava um fato impecável e trazia o queixo
A manhã tinha começado como qualquer outra.Ou, pelo menos, era isso que Catherine tentava convencer-se.Desde que o novo gabinete fora instalado ao lado do de Máximo, trabalhar tornara-se simultaneamente mais fácil e mais perigoso.Mais fácil porque bastava abrir a porta para o encontrar.Mais perigoso pelo mesmo motivo.Naquela manhã, Catherine tinha uma reunião atrás da outra. Relatórios, campanhas, números, chamadas internacionais.Quando finalmente conseguiu alguns minutos sozinha, deixou-se cair na cadeira e fechou os olhos.— Precisas de um intervalo – disse Máximo e ela abriu os olhos.Máximo estava encostado à porta.— Há quanto tempo estás aí? – perguntou ela a olhar para ele— Tempo suficiente para perceber que estás a precisar de respirar – disse ele— Tenho uma reunião daqui a vinte minutos – disse ela— Vinte minutos são suficientes – disse ele e Catherine sorriu.— Para quê? – perguntou ela e ele entrou e fechou a porta.— Para te lembrar que não tens de carregar a empr
Mário nunca tinha prestado verdadeira atenção a Catherine.Até ela entrar na vida dos Santoro.Antes, para ele, era apenas a mulher que tinha desaparecido anos atrás e que, de repente, reaparecera com um filho que se parecia demasiado com Máximo.Uma complicação.Mais um problema para a família.Mas, quando começou a vê-la diariamente pelos corredores da empresa, alguma coisa mudou.Catherine não precisava de fazer esforço para chamar atenção.Era a forma como caminhava, sempre segura apesar dos olhares.A maneira como falava nas reuniões.A inteligência com que desmontava um problema sem levantar a voz.E havia a beleza.Uma beleza que Mário começou a notar demasiado.Naquela manhã, viu-a sair do elevador.Usava um vestido simples e um casaco claro. Trazia alguns documentos nas mãos e falava com um dos responsáveis do departamento.Mário parou.Ficou a observá-la.— Então é verdade — murmurou.O funcionário que estava ao lado dele olhou.— O quê? – perguntou o funcionário que o acomp
Catherine passou mais tempo diante do espelho naquela manhã do que gostaria de admitir.Não porque estivesse preocupada com a roupa.Nem com o cabelo.Estava preocupada com o que iria encontrar quando entrasse naquela sala.Era a primeira reunião importante desde que assumira oficialmente o cargo de Diretora de Marketing do Grupo Santoro.E sabia que seria observada.Não apenas pelos membros da direção.Por todos.Desde que a sua chegada à empresa tinha sido anunciada, os comentários não tinham parado.A mulher de Máximo.A mãe de Émile.A francesa que apareceu do nada.A responsável pelo escândalo que abalou o grupo.A amante.A mulher que tinha destruído o casamento de Máximo.Pouco importava que nenhuma dessas descrições fosse justa.As pessoas repetiam aquilo que ouviam.E Catherine começava a perceber que, numa empresa daquela dimensão, os rumores podiam ser mais perigosos do que qualquer número num relatório.Máximo entrou no quarto enquanto ela terminava de apertar o relógio.—







