LOGINA noite prossegue e o jantar é servido. A mesa é longa, adornada com prataria de família e arranjos florais exuberantes. Ocupo meu lugar entre Átila e meu pai, sentindo o peso da história em cada centímetro desta sala. A conversa flui, mas é uma dança cuidadosa. Falamos sobre negócios, sobre as fundações de caridade de minha mãe, sobre o crescimento dos meninos. Evitamos o nome de Elena como se fosse uma ferida aberta, até que minha mãe, Leila, se inclina para mim, seus olhos brilhando com uma intensidade que me desarma.— Sasha — ela começa, sua voz suave, mas carregada de emoção. — Eu preciso te dizer algo. Algo que eu deveria ter dito há muito tempo, mas que o orgulho e o medo me impediram.Eu a encorajo com um olhar, meu coração batendo um pouco mais rápido. Sei que este é um momento importante, um daqueles que marcam um antes e um depois. Átila, ao meu lado, aperta minha mão sob a mesa, seu apoio silencioso me dando a coragem de que preciso.— Eu sei que fui dura com você e com E
**Sasha**O espelho à minha frente reflete uma mulher que, finalmente, se sente completa. O vestido de seda esmeralda, um presente de Átila, desliza pelo meu corpo com uma leveza que contrasta com o peso das memórias que esta casa ainda carrega. Ajusto o colar de diamantes, sentindo o frio das pedras contra minha pele, um lembrete constante do luxo que me cerca, mas que agora não me define. Hoje não é apenas mais uma noite de gala no calendário social de Londres. É um reencontro, uma tentativa de reescrever a história em um lugar que, por muito tempo, foi sinônimo de dor e expectativas não ditas.Estamos na mansão dos meus pais em Surrey. O cheiro de flores frescas e cera de assoalho cara ainda me transporta para um passado que eu lutei tanto para superar. Mas há uma diferença fundamental agora: eu não entro mais nesta casa como a filha que busca aprovação. Entro como Sasha Megalos, uma mulher que construiu sua própria fortaleza sobre as cinzas de uma promessa e que encontrou um amor
As sombras da noite envolvem nosso quarto, dançando suavemente pelas paredes, e a luz morna e difusa dos abajures cria um ambiente íntimo e acolhedor, um santuário particular onde o mundo exterior parece não existir. Estamos sozinhos, finalmente livres de qualquer distração, imersos em um momento que é apenas nosso, um espaço sagrado onde nossas almas se encontram. O ar está carregado de uma eletricidade sutil, uma promessa silenciosa que paira entre nós. Ela se aproxima lentamente, seus passos suaves como o toque de uma pena, e eu sinto a respiração dela acelerando conforme nossos olhares se cruzam, uma faísca que acende um fogo dentro de mim. Oh, Theos, como gosto de ver esse amor em seus olhos, um brilho que ilumina meu ser. Por tanto tempo sonhei com ele, com essa entrega, com essa verdade. Ainda não me acostumei em ter esse brilho refletido em mim, em ser o motivo de tanta paixão. É uma sensação avassaladora, quase irreal, que me faz querer mais, sempre mais. Eu a beijo com um
ÁtilaO sol começa a se esconder atrás do horizonte, pintando o céu com tons vibrantes de laranja, rosa e roxo, uma obra de arte natural que se desdobra diante dos meus olhos. A casa na praia, com suas paredes brancas e telhado de telhas vermelhas, ganha um tom dourado, tingido pela luz suave da tarde, que se esvai lentamente. Estou sentado na varanda, em minha poltrona de vime favorita, com uma xícara de café ainda quente em minhas mãos, observando minha família. A cena diante de mim é tão perfeita, tão idílica, que às vezes me pego duvidando se é real, se não é apenas um sonho do qual temo acordar. Leo e Nicolas estão na areia, um pouco mais adiante, suas risadas infantis engrossando o som das ondas, enquanto brincam com conchinhas, suas pequenas figuras se destacando contra o azul infinito do mar. Não posso deixar de sorrir ao vê-los, um retrato da alegria e da inocência que eu tanto lutei para preservar.Desde que nos mudamos para cá, para este paraíso particular, tudo parece ter
SashaA brisa suave da Grécia acaricia meu rosto, um toque delicado que me traz uma sensação de paz profunda, quase etérea. Sinto o perfume inconfundível do mar, salgado e fresco, misturado com o calor do sol que beija minha pele e aquece a areia dourada sob meus pés descalços. O horizonte se estende diante de mim como um vasto espelho azul-turquesa, onde o céu e o oceano se encontram em uma linha perfeita e infinita. O som das ondas quebra o silêncio em uma melodia constante e tranquilizadora, um ritmo ancestral que embala minha alma e me faz sentir em casa.Observo Leo, nosso filho de quatro anos, correndo pela areia com uma energia inesgotável, suas risadas cristalinas enchendo o ar de uma alegria contagiante. Ele é um pequeno feixe de energia, um raio de sol em forma de criança, correndo em direção ao mar com uma determinação que só uma criança poderia ter, sem medos, sem hesitações. De vez em quando, ele se vira para olhar para mim e Átila, como se quisesse garantir que ainda est
— Perdoe-me, Átila. — As palavras saem em um fluxo que não posso mais segurar. — Eu estava tão errada sobre você. Sobre nós. Construí uma versão de você na minha cabeça que servia aos meus medos, que justificava a minha raiva, e me recusei a enxergar o que estava bem na minha frente. O homem que ficou acordado a noite toda com Leo com febre. O homem que montou o balanço no jardim sem fazer questão de nenhum elogio. O homem que disse não para o mundo todas as vezes que Leo ou eu precisamos que ele dissesse sim para nós. — Respiro fundo. — Não vi o homem que você é. Mas vejo agora. E sinto muito por ter demorado tanto.Átila me olha em silêncio por um longo momento. Há algo no olhar dele que não tem nome fácil — uma mistura de gratidão e alívio e um amor tão velho e tão sólido que parece ter estado ali desde antes de ele mesmo perceber. Depois ele pisca, e quando reabre os olhos há uma luz neles que nunca esteve antes.— Desde quando, Sasha? — pergunta ele, a voz baixa e quase reverente







