Beranda / Lobisomem / O Preço da Marca do Alfa / Capítulo 6 - O Adeus que Queima

Share

Capítulo 6 - O Adeus que Queima

last update Tanggal publikasi: 2026-04-14 04:47:50

POV GABRIEL BLACKWOLF

Saí do saguão com o gosto da vitória na boca, mas com uma inquietação no peito que eu me recusava a analisar. Jade estava de volta. Ela estava ali, radiante, viva, a promessa de um futuro que me foi roubado há sete anos. Eu consertaria tudo. Eu teria a vida que planejei antes daquele erro desastroso.

Mas, para construir o novo, eu precisava demolir o velho.

Caminhei até o escritório reservado para os Alfas, puxando meu celular do bolso com urgência. Abri o arquivo que os advogados me enviavam há uns dias, esperando apenas o meu aval. O documento de divórcio.

Júlia queria isso, não queria? Ela não tentou se matar para fugir de mim? A imagem dela com o buraco no peito no restaurante brilhou na minha mente, e uma onda de raiva quente subiu pela minha garganta. Se ela queria tanto ir embora a ponto de morrer, então eu daria o que ela queria.

Rolei a tela até o final. A assinatura digital dela não estava lá — ela não teve tempo de assinar, mas eu tinha o poder de dissolver a união unilateralmente dada a "instabilidade" dela. Assinei com o polegar, validando a biometria de Alfa.

Enviado.

A confirmação piscou na tela. Acabou. O vínculo legal estava desfeito. Ela estava livre. E eu... eu estava livre para Jade.

Guardei o celular, sentindo uma leveza estranha, quase tonta. Eu precisava avisá-la. Precisava olhar na cara dela e dizer que ela não precisava mais tentar se matar para sair da minha vida.

Voltei para a área externa, meus olhos varrendo o jardim como um predador. O sol estava alto, ofensivo. Vi meus filhos brincando, alheios ao fato de que o pai acabara de quebrar a família no papel. Ignorei a pontada de culpa.

Era melhor assim.

Foi quando a vi.

Júlia caminhava em direção à trilha da praia, afastada da festa, segurando uma garrafa de vodka pela metade. Ela andava descalça na grama, o vestido claro esvoaçando, parecendo um espectro de dor e beleza.

A raiva explodiu de novo. Ela estava bebendo? Depois de quase morrer? Depois de envergonhar a todos nós?

Avancei em direção a ela, cortando o caminho. Quando ela me viu, tentou desviar, tentou fugir como sempre fazia.

— Vamos conversar — ordenei, bloqueando a passagem dela.

— Não temos o que conversar — ela rebateu, tentando passar por mim.

O cheiro de vodka nela se misturava ao cheiro natural de limão e baunilha, e aquela combinação foi o gatilho. Eu não pensei. Meu braço se moveu sozinho, interceptando-a, segurando-a com força contra o meu peito duro.

— Gabriel, me solta! — ela gritou, se debatendo.

Eu não ia soltar. Não ali, onde qualquer um podia ver. Arrastei-a de volta para a mansão, surdo aos protestos dela, cego para a dor que eu causava no braço dela. Eu precisava encurralá-la.

Chutei a porta da sala de estudos e a joguei para dentro.

O som da tranca girando foi o único aviso que ela teve.

Ela se afastou, massageando o pulso, o peito subindo e descendo com uma fúria que deixava aqueles olhos amarelos brilhantes.

— O que foi aquilo lá fora? — avancei, encurralando-a contra a mesa de carvalho. — Vai encher a cara e se machucar de novo? Vai se esconder se fazendo de vítima ?

— Eu não estava me escondendo, eu só queria paz! — ela gritou, e havia fogo nela. Eu odiava o quanto aquele fogo me atraía.

— Você não tem direito a paz, Júlia. — Cheguei mais perto, invadindo o espaço dela, sentindo o calor febril que emanava da pele dela. — Mas você conseguiu o que queria.

Ela travou, me olhando confusa e amedrontada.

— Do que você está falando?

Tirei o celular do bolso e joguei sobre a mesa, com a tela aberta no documento.

— O divórcio. Eu assinei. Acabei de enviar para os advogados e só falta a sua assinatura. — Minha voz era fria, cortante, mas meu coração batia num ritmo violento e errado.

— Você está livre, Júlia. Não precisa mais tentar se matar para fugir de mim. Acabou.

Eu esperava alívio no rosto dela. Esperava gratidão. Mas o que vi foi choque, e depois... uma dor crua que me desestabilizou.

— Você... você assinou? — ela sussurrou, a voz falhando.

— Era o que você queria, não era? — rosnei, me aproximando mais, até que minhas coxas tocassem as dela, prendendo-a na mesa. — Agora você pode ir embora. Pode sumir. Eu tenho a Jade. Eu tenho a mulher que eu sempre quis.

Eu esperei o choque. Eu pensei que veria lágrimas, como vi mais cedo. Eu estava pronto para vê-la desabar.

Mas o que vi me deixou louco.

Ela começou a rir. Bem na minha cara. Rir de verdade, de colocar a mão na barriga.

Eu a sacudi, tentando fazer aquele sorriso de escárnio desaparecer, mas ela continuou me encarando, os olhos amarelos brilhando com uma lucidez assustadora.

— Você se acha tão esperto, mas é tão previsível, sabia? — ela perguntou, a voz ainda trêmula pelo riso, mas afiada como uma lâmina. — Você acha que assinar um papel muda o fato de que você é um covarde hipócrita? Você corre para a Jade como um cachorrinho, mas não consegue ficar cinco minutos sem me tocar.

Aquilo foi o limite. A verdade na voz dela era um insulto que eu não podia aceitar.

— Cala a boca — avisei, aproximando meu rosto do dela.

— Me obrigue — ela desafiou, erguendo o queixo, o cheiro de vodka e desafio emanando dela.

— Eu odeio você — sussurrei, a respiração batendo contra a boca dela, densa e pesada. — Eu odeio a sua ousadia.

— Você é patético — ela provocou.

Eu não a soltei. Em vez disso, esmaguei minha boca na dela.

O beijo não foi suficiente. Nunca seria. O gosto de vodka e fúria na boca dela agiu como gasolina no incêndio que eu tentava apagar há sete anos.

Minhas mãos, que deveriam empurrá-la, desceram para a cintura dela, apertando a carne macia através do tecido fino do vestido. Eu a arrastei da mesa, ignorando os protestos abafados contra a minha boca. Meus passos eram cegos, guiados apenas pela necessidade de tê-la em uma superfície onde eu pudesse quebrá-la do jeito que eu queria.

Chegamos ao sofá de couro escuro no canto da sala. Eu a joguei ali, seguindo-a imediatamente, cobrindo o corpo pequeno dela com o meu peso esmagador.

— Você é minha — rosnei contra o pescoço dela, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha.

Minhas mãos eram donas dela. Elas subiram pelas coxas, puxando o vestido para cima, sentindo a pele quente e febril que eu desprezava amar tanto. O cheiro dela... de limão, baunilha e agora essa excitação crua... invadiu meus pulmões, me deixando embriagado.

Eu queria senti-la. Pele contra pele. Sem barreiras.

Meus dedos foram para a alça do vestido, prontos para rasgá-lo se fosse preciso. Eu estava perdido, mergulhado na escuridão do meu próprio desejo.

PLAFT!

O estalo foi alto, seco e ardeu como o inferno. Meu rosto virou para o lado com a força do impacto. O choque me fez parar por um segundo, piscando para dissipar a névoa vermelha da luxúria.

— Au! Por que você me...? — comecei, a mão indo ao rosto.

— Seu babaca! — ela gritou, os olhos amarelos faiscando de um ódio genuíno. — Você não tem mais direito de me tocar!

E antes que eu pudesse processar, a mão dela voou novamente.

PLAFT!

O segundo tapa foi mais forte.

— Aí! Para com isso! — rugi, o instinto de predador assumindo o controle.

Eu capturei os pulsos dela no ar antes que ela pudesse me bater pela terceira vez. Com um movimento bruto, levei os braços dela para cima da cabeça, prendendo-os contra o couro do sofá com uma única mão. Usei meu corpo para travar as pernas dela, imobilizando-a completamente.

Ela se contorceu debaixo de mim, arqueando as costas, tentando se soltar. O movimento dos quadris dela contra os meus foi elétrico. Em vez de me parar, a luta dela só acendeu mais ainda o meu desejo. Eu podia sentir meu membro rígido na calça esfregando na macieis quente do centro dela, que já estava molhada por mim. Eu solto um rosnado de prazer.

Olhei para o rosto dela. Era pura fúria. As bochechas coradas, os lábios inchados pelo meu beijo, o peito subindo e descendo freneticamente.

— Me solta, Gabriel! — ela sibilou, debatendo-se inutilmente contra minha força de Alfa. — Não ouse me tocar! Eu não te quero mais!

Eu parei. O som da respiração ofegante dela preencheu a sala. Um sorriso lento, arrogante e perigoso curvou meus lábios enquanto eu sentia o coração dela martelar contra o meu peito, traindo cada palavra que ela dizia.

— Não é isso que seu corpo está me dizendo — falei, minha voz um sussurro sombrio.

Baixei meu rosto, roçando o nariz no pescoço dela, sentindo-a tremer — não de medo, mas da mesma atração maldita que nos acorrentava.

— Você diz que não me quer, Júlia... — deslizei a mão livre pela lateral do corpo dela, apertando sua cintura com posse. — Mas você está queimando por mim. Exatamente como eu estou queimando por você.

Não esperei pela resposta dela.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 81 - O Alvo nos Holofotes

    (POV DE GABRIEL BLACKWOLF)O espelho me devolvia um estranho.Meus cabelos ainda estavam úmidos, gotas frias escorrendo pela nuca e se perdendo no colarinho da camisa social branca. O cheiro de sabão neutro e o rastro metálico do ritual de limpeza ainda impregnavam meus poros.Meus dedos travaram no tecido da gravata de seda.Eu, o Comandante da Polícia Lupina, o homem que enfrentava assassinos sem piscar, não conseguia dar um simples nó. Minhas mãos tremiam. Um tremor sutil, rítmico, que nascia no fundo da minha alma aterrorizada.Encarei meu reflexo, buscando os restos do Alfa que eu costumava ser.Minha mente voltou para a penumbra do quarto, dias atrás. A luz vermelha piscando no armário... a porta do closet se abrindo devagar como a boca de um túmulo.Foi real?Fechei os olhos com força, sentindo uma pontada de dor na têmpora. O piche que tossi ainda deixava um gosto amargo, ferroso, na base da minha língua.— Delírio — sussurrei para o espelho, tentando convencer a mim mesmo. —

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 80 - O Contrato com o Demônio

    (POV GABRIEL BLACKWOLF) O peso do meu corpo contra o colchão parecia a gravidade de um planeta inteiro me esmagando.Rafael e meu pai me ajudaram a deitar. Eu era um Alfa, o Comandante, mas naquele momento, eu era apenas carne e osso quebrados, cheirando a sangue e piche.Eles me limparam, mas o frio da purificação ainda morava na minha medula.Júlia dormia ao meu lado. O som da respiração dela era a única coisa que mantinha o meu coração batendo no ritmo certo.Fechei os olhos. O silêncio da casa foi preenchido pelo som distante das ondas quebrando na orla de Costa da Lua.Aquele som... aquele maldito som de água e sal.Ele me arrastou para baixo. Para longe. Para um tempo onde a minha pele não tinha cicatrizes e a minha alma não conhecia o peso da farda.(FLASHBACK — MUITOS ANOS ATRÁS)O sol de meio-dia queimava meus ombros pequenos, mas eu não me importava.Eu tinha oito anos e a areia entre os meus dedos era o meu reino. Mas o meu tesouro era ela.Júlia tinha chegado a poucos mes

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 79 - Até meu coração parar de bater

    (POV GABRIEL BLACKWOLF) A escuridão foi rasgada por um trovão que nasceu dentro das minhas costelas.Meu corpo arqueou violentamente sobre o mármore frio, os calcanhares batendo contra o chão.O ar entrou nos meus pulmões como se eu estivesse engolindo cacos de vidro em brasa.Abri os olhos. A visão estava turva, manchada por um vermelho pulsante.Rafael estava sobre mim. O rosto dele era uma máscara de horror; o suor escorria pelo seu nariz, e suas mãos agarravam as pás do desfibrilador como se fossem a única coisa impedindo o mundo de desabar.Ele me envolveu em um abraço bruto, a respiração dele vindo em soluços curtos contra o meu pescoço.— Porra, seu filho da puta! — ele rugiu, o tremor nos braços dele me sacudindo. — Você vive me matando do coração! Que susto, porra!Tentei falar, mas só consegui expelir mais um jorro de sangue negro.O gosto era de piche e morte. A purificação ainda não tinha acabado.Eu sentia o bloqueio se retorcendo dentro de mim, uma criatura de sombras q

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 78 - O Ritual de Purificação do Alfa

    (POV DE GABRIEL BLACKWOLF)O silêncio da garagem era mais ensurdecedor do que as sirenes no beco.Desliguei o motor, mas minhas mãos continuaram presas ao volante. O vídeo no meu celular queimava no meu bolso como brasa.Ele estava lá dentro. O monstro viu o momento em que eu a possuía com os lábios. Ele assistiu à nossa fraqueza.Júlia abriu os olhos devagar. O brilho castanho caramelado estava opaco, perdido em uma névoa de exaustão e dor.— Gabriel... você não me levou para a escola — ela murmurou, a voz saindo como um sopro.— Não. Você não está nada bem, trouxe você para casa. Virei-me para ela. A palidez do seu rosto me atingiu como um soco no estômago. Ela parecia de porcelana, prestes a estilhaçar ao menor toque.— Acho que vou chamar o Rafael — continuei, já pegando o celular. — O estresse ainda te causando dor? A marca não está estabilizando direito...Ela apenas concordou com um movimento mínimo de cabeça, fechando os olhos novamente como se a luz do dia doesse.— E os men

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 77 - Olhos em todo lugar

    (POV DE GABRIEL BLACKWOLF)O papel estava úmido, impregnado com o cheiro ferroso de sangue fresco.A caligrafia era um escárnio. Cada letra desenhada com uma precisão doentia que fazia meu lobo rosnar no fundo da minha alma."A pele dela é tão macia quanto eu imagino, Comandante? Estou ficando insatisfeito com a distância. Não se engane, Júlia será minha. E você... você será o primeiro a apodrecer debaixo de sete palmos."Amassei o bilhete com tanta força que o papel se tornou uma massa disforme na palma da minha mão.O desgraçado estava brincando de deus. Primeiro a minha casa, agora um corpo desovado na porta do meu almoço. Ele não estava apenas matando; ele estava marcando território.— Jhonny! — chamei, a voz saindo como um trovão, autoritária e letal.Meu braço direito apareceu em segundos, já isolando o perímetro com a equipe de perícia.— Comandante, a área está cercada. Ninguém passa — Jhonny informou, mas seus olhos desviaram para Júlia.O Bilhete parecia queimar como um avis

  • O Preço da Marca do Alfa    Capítulo 76 - Campo Minado

    (POV DE JÚLIA MONTSERRAT)Eu encarava aqueles olhos azuis elétricos tentando esconder meu desespero da pior forma possível, mas não durou muito.— Júlia, qual o problema? Você não quer ir? — ele perguntou calmamente.Meu coração batia tão forte que era difícil respirar.Eu com certeza viraria um meme se alguém me filmasse. Tentei forçar um sorriso e manter a boca ocupada, mas eu sei que uma hora teria que responder e Gabriel ia explodir.Eu tava segurando uma bomba.Fiquei com dó dos garçons. Ele ia quebrar aquela mesa com certeza.— Júlia, fala... o que tá rolando? — ele questiona, a testa franzida."Ah, Gabriel... por que agora? Por que voltar a ser o homem por quem eu morreria, logo quando eu mais preciso te odiar?" Não adiantava mais esconder.— Tudo bem, tenta ficar calmo, por favor... — eu começo e tomo um gole da minha bebida gelada. — É que o Dante me convidou pra ir já tem uns dias.Gabriel parou de respirar.— Ele falou que vocês estavam cogitando se faria ou não o baile dia

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status