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Capítulo 3

Autor: Beatriz Ferraz
Do outro lado da linha, houve um breve silêncio. Então, uma risada ainda mais arrogante ecoou.

— Se já sabia que isso terminaria assim, por que agiu daquela maneira?

Interrompi Pedro:

— Mas tenho uma condição. Quero transmitir essa consulta ao vivo para o mundo inteiro.

A risada do outro lado da linha cessou de repente.

— Transmitir ao vivo? — A voz dele ficou fria. — Luana Ferreira, você está sendo massacrada por toda a internet. Ainda quer fazer uma transmissão porque acha que não foi insultada o suficiente?

Olhei pela janela enquanto um sorriso se formava lentamente em meus lábios.

— Uma transmissão para o mundo inteiro. Diante de milhões de pessoas, vou me humilhar perante a família Siqueira e tratar Daniela. Não é exatamente isso que você quer? Aproveitarei a oportunidade para admitir publicamente meus erros e deixar uma saída para mim.

Pedro permaneceu em silêncio. Alguns segundos depois, soltou um murmúrio satisfeito:

— Luana Ferreira, você realmente sabe engolir o orgulho quando é necessário. Está bem. Já que quer passar vergonha em público, farei a sua vontade.

— Porém... — Mudei o tom. — A transmissão precisa ser mantida em segredo para a Daniela. Ela é a paciente. Se souber que tanta gente está assistindo, pode acabar emocionalmente abalada. Se alguma coisa acontecer por causa disso, não me responsabilizo.

Pedro concordou prontamente, sem sequer refletir sobre o assunto.

Na manhã seguinte, fui ao local escolhido por Pedro para a consulta: a ala de internação privativa, no último andar do Hospital Santa Aurora.

Diante da porta estavam duas pessoas conhecidas, um homem e uma mulher, ambos na casa dos cinquenta anos.

O homem era alto e usava um sobretudo de caxemira cinza-escuro.

A mulher vestia um trench coat azul-marinho e exalava elegância.

— Você é a Luana? — Perguntou Yasmin, mãe de Pedro, em tom gentil.

Assenti.

— Sou eu.

Ela me examinou dos pés à cabeça e fez um leve aceno.

— Sou a mãe da Daniela. Já ouvi falar de você. Dra. Luana, Daniela é nossa filha, e nós a criamos desde pequena. Convidamos você hoje com toda a sinceridade.

Ela tirou um cartão de visitas da bolsa e o estendeu para mim.

Não o aceitei, mas ela não pareceu se incomodar.

— Cure a Daniela, e prestígio e dinheiro não serão um problema. Posso reverter sua demissão do Hospital Santa Aurora. Além disso, garanto que, de agora em diante, todos os recursos do Grupo Siqueira na área da saúde estarão à sua disposição. Essa é a prova da nossa sinceridade.

Lancei-lhe um olhar.

"Era uma pena, mas eu não precisava de nada daquilo."

— Sra. Yasmin, vim hoje para examinar a paciente. Conversaremos depois da consulta.

Um brilho discreto passou pelos olhos de Yasmin, mas ela logo recuperou a serenidade.

Ao ouvir minhas palavras, Augusto, pai de Pedro, que estava ao lado dela, pigarreou.

Seu olhar não era tão gentil quanto o de Yasmin.

— Luana, o que minha esposa disse reflete a vontade dela. Quanto a mim, digo o seguinte: se conseguir curar a Daniela, a família Siqueira vai te recompensar muito bem. — Ele fez uma pausa. — Sua reputação já está destruída. Esta transmissão foi uma exigência sua e também é sua última oportunidade. Caso não consiga curar nossa filha, você nunca mais terá lugar na área médica.

Permaneci imóvel, sustentando seu olhar por três segundos.

— Sr. Augusto, só saberei se conseguirei curar a paciente depois de examiná-la. — Dito isso, passei por ele, abri a porta e entrei no quarto.

Ele franziu levemente a testa, como se estivesse refletindo sobre alguma coisa. Em seguida, ele e Yasmin também entraram.

Depois de entrarem, não disseram mais nada. Apenas se sentaram em silêncio em um canto.

Pedro estava sentado no sofá, descascando uma maçã.

Ele me lançou um olhar, depois desviou os olhos para a saída do ar-condicionado e, em seguida, para o objeto de decoração sobre a mesa de cabeceira.

Ele devia ter escondido as câmeras nesses lugares.

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