Beranda / Lobisomem / O Sacrifício da Princesa Cristal / 📖 Capítulo 5 – Entre olhares e aliança

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📖 Capítulo 5 – Entre olhares e aliança

Penulis: Kaah Crystal
last update Tanggal publikasi: 2026-04-28 07:56:45

Capítulo 4 — Entre Olhares e Alianças

O rio cortava a floresta como uma fita de prata, refletindo os Ășltimos raios de sol que atravessavam as copas das ĂĄrvores.

Helena estava sentada sobre uma pedra próxima à margem, com os pés mergulhados na ågua cristalina. Seus longos cabelos negros caíam sobre os ombros, enquanto ela observava distraidamente o movimento da correnteza.

Ao seu lado, Iago permanecia em silĂȘncio.

Era estranho.

Ele conhecia Helena desde que ambos eram crianças. Conhecia seus sorrisos, suas manias, suas irritaçÔes e até mesmo o jeito como ela franzia o nariz quando alguma coisa a incomodava.

Mas, ultimamente, alguma coisa havia mudado.

Nela.

Ou talvez nele.

Hiago desviou os olhos para o rio, tentando esconder o que estava pensando.

Helena nĂŁo era mais a menina que corria pela floresta com ele.

Ela era uma mulher.

Uma mulher linda.

E ele sĂł havia percebido isso recentemente.

— VocĂȘ estĂĄ quieto demais — Helena comentou, olhando para ele.

Iago sorriu de canto.

— Estou pensando.

— Isso Ă© perigoso.

Ele soltou uma risada.

— Continua engraçadinha.

— E vocĂȘ continua chato.

— Não sou mais criança, Helena.

Ela virou o rosto para ele.

— Eu sei.

A resposta simples fez Iago ficar em silĂȘncio.

Ela sabia?

SerĂĄ que realmente sabia?

Ele olhou para o prĂłprio corpo e depois para a ĂĄgua.

Talvez precisasse mostrar a ela.

Sem dizer uma palavra, Hiago se levantou e começou a tirar a camisa.

Helena ergueu uma sobrancelha.

— O que vocĂȘ estĂĄ fazendo?

— Está calor.

— A água está praticamente congelando.

— Para mim está agradável.

Iago jogou a camisa sobre uma pedra e entrou no rio.

Helena tentou nĂŁo olhar.

Tentou.

Mas acabou olhando.

Iago havia crescido.

Muito.

Os ombros largos, os braços musculosos e o abdÎmen definido deixavam claro que aquele menino magro que costumava acompanhå-la pela floresta havia ficado para trås hå muito tempo.

Ela piscou algumas vezes.

— Desde quando vocĂȘ ficou assim?

Iago olhou para ela, divertido.

— Assim como?

— Forte.

Ele abriu um sorriso satisfeito.

— Faz bastante tempo.

— E eu nunca percebi.

— Esse Ă© exatamente o problema.

Helena franziu a testa.

— Que problema?

Iago apenas mergulhou na ĂĄgua.

Quando voltou Ă  superfĂ­cie, passou a mĂŁo pelos cabelos molhados e olhou para ela.

— Nada.

Helena balançou a cabeça.

— VocĂȘ estĂĄ estranho.

— Talvez eu tenha mudado.

Ela sorriu.

— Para mim, vocĂȘ ainda Ă© o Hiago que roubava frutas da cozinha e colocava a culpa em mim.

Ele riu.

— E vocĂȘ ainda Ă© a garota que me entregava quando eu fazia isso.

— Porque vocĂȘ merecia.

Iago aproximou-se da margem.

— EntĂŁo Ă© isso?

— Isso o quĂȘ?

— VocĂȘ realmente ainda me enxerga como aquele garoto?

Helena sorriu sem perceber a profundidade daquela pergunta.

— Claro.

Iago respirou fundo.

Ele teria que ter paciĂȘncia.

Porque, aos olhos de Helena, ele ainda era apenas seu melhor amigo.

Mas talvez isso pudesse mudar.

Algum dia.

---

Enquanto isso, dentro da alcateia, Celeste começava a perceber que precisava agir.

Darley não lhe dava atenção.

NĂŁo demonstrava carinho.

NĂŁo parecia interessado nela.

E aquilo a incomodava profundamente.

Se queria permanecer ao lado do Alfa, precisaria conquistar algo muito mais importante do que a atenção dele.

Precisava conquistar pessoas.

Aos poucos, Celeste começou a se aproximar de alguns membros da alcateia.

Conversava.

Escutava.

Fazia elogios.

Demonstrava interesse pelos problemas dos outros.

E, principalmente, descobria quem estava insatisfeito com Darley.

Ela nĂŁo queria apenas ser a mulher ligada ao Alfa.

Queria ter influĂȘncia.

Queria aliados.

E estava conseguindo.

Pouco a pouco.

---

Darley observava tudo de longe.

Sabia exatamente o que Celeste estava fazendo.

E nĂŁo interferia.

Para ele, aquilo nĂŁo importava.

Celeste era uma peça.

Nada mais.

O acordo entre os dois tinha um Ășnico objetivo.

O Reino das Fadas.

Darley era poderoso. Sua alcateia era forte. Seus guerreiros eram capazes de enfrentar quase qualquer inimigo.

Mas havia algo que ele nĂŁo possuĂ­a.

Magia.

As fadas possuíam algo que os lobos jamais conseguiriam conquistar pela força.

E, se Darley queria alcançar aquele poder, precisava entrar naquele reino.

Celeste seria a porta.

Por isso, ele permitiria que ela criasse seus prĂłprios aliados.

Desde que ela nĂŁo esquecesse quem realmente estava no comando.

---

No Reino das Fadas, porém, os preparativos para um grande acontecimento jå começavam.

O palĂĄcio estava sendo decorado.

Tochas mĂĄgicas iluminavam os corredores.

Flores encantadas desabrochavam durante a noite.

Mensageiros percorriam os reinos vizinhos.

Um baile seria realizado.

E nĂŁo seria um baile comum.

Seria a apresentação oficial da princesa Helena aos povos mågicos que cercavam o Reino das Fadas.

Fadas.

Elfos.

Lobos.

Criaturas mĂĄgicas de diferentes territĂłrios.

Todos seriam convidados.

Todos conheceriam a princesa.

E, pela primeira vez, Helena seria apresentada nĂŁo apenas como a jovem que crescera protegida entre as ĂĄrvores e os encantamentos.

Mas como princesa.

Como herdeira.

Como uma das figuras mais importantes daquele mundo.

E entre os convidados estaria alguém que Helena jamais imaginaria encontrar naquela noite.

Darley.

O Alfa.

O homem que carregava seus prĂłprios interesses.

O homem que precisava da magia das fadas.

E que estava disposto a fazer qualquer acordo necessĂĄrio para conseguir aquilo que desejava.

Naquela noite, muitos olhares se encontrariam.

Alguns por curiosidade.

Outros por interesse.

Alguns por desejo.

E outros por pura ambição.

Mas ninguém imaginava que aquele baile seria o começo de acontecimentos capazes de mudar o destino de vårios reinos.

E, enquanto Helena se preparava para ser apresentada ao mundo, Iago fazia uma promessa silenciosa a si mesmo.

Ele nĂŁo seria mais apenas o menino que caminhava ao lado dela.

Ele faria Helena enxergĂĄ-lo.

Mesmo que demorasse.

Mesmo que precisasse conquistar, pouco a pouco, um espaço que até então pertencia somente à amizade.

Porque, pela primeira vez, Hiago nĂŁo queria ser apenas o melhor amigo da princesa.

Ele queria descobrir se poderia ser algo muito mais.

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