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CAPÍTULO 3

Author: Peachy
Saí do chuveiro enrolada em um roupão e peguei o celular.

A manchete do Page Six havia desaparecido.

Atualizei a página.

Nada.

Abri o Twitter.

A galeria de fotos também tinha sumido.

Digitei "Vincenzo Genevieve" na busca.

Nenhum resultado.

Nenhuma foto.

Nenhuma notícia.

Nada.

Soltei uma pequena risada.

Só existia uma pessoa em Nova York capaz de apagar a internet daquele jeito.

Era compreensível.

Um casamento entre duas famílias daquele porte envolvia tanto o mundo legal quanto o submundo. Eles jamais permitiriam que aquilo virasse espetáculo público.

Mas, se fosse mentira, por que ter tanto trabalho para esconder?

Joguei o celular sobre a cama.

Então era por isso.

Por isso ele saiu sem olhar para trás naquela manhã.

Ele estava prestes a se casar.

Nem se dava mais ao trabalho de fingir.

Que pena.

Nunca consegui a escritura desta cobertura.

Nos três dias seguintes, Vincenzo não ligou.

Eu também não.

Quando Martha trouxe meu café da manhã na terceira manhã, ela hesitou na porta.

— Moça... o Chefe não...

— Martha. — Mexi o café lentamente. — Ele disse que preciso sair daqui?

— ...Não, mas...

— Então está tudo bem.

Sorri.

Ela não sorriu de volta.

Na manhã seguinte, porém, eu estava parada no hall de entrada com minhas malas.

Martha permanecia perto da porta.

Os olhos vermelhos.

Claramente tinha chorado.

— Moça... tem certeza de que não quer esperar?

— Esperar o quê?

Coloquei o cartão-chave sobre a mesa de entrada.

— Esperar ele trazer a futura esposa para morar aqui?

Ela ficou sem resposta.

Olhei em volta pela última vez.

A cobertura parecia exatamente igual.

Os mesmos móveis.

As mesmas obras de arte.

As mesmas janelas gigantes com vista para Manhattan.

Sete anos.

Mesmo assim, aquilo nunca foi meu.

— Este lugar nunca me pertenceu.

Empurrei a caixa das safiras Cartier na direção dela.

— Obrigada por cuidar de mim durante todos esses anos.

— Moça...

— Fique com elas.

Ela arregalou os olhos.

— Eu não posso...

— Pode.

Sorri.

— Adeus, Martha.

Voltei para o Brooklyn.

Para o pequeno apartamento que comprei com meu primeiro salário como atriz.

Sete anos atrás.

Era minúsculo.

As janelas ficavam voltadas para o norte e o apartamento congelava durante o inverno.

Mas era meu.

A porta era minha.

As janelas eram minhas.

A cama era minha.

Naquela noite, Harper apareceu sem avisar.

Entrou como um furacão.

Bateu na mesa da cozinha e declarou:

— Vamos sair.

— Não.

— Vamos sim.

— Não.

— Vou te levar para o Pegasus.

Suspirei.

— Harper...

— Vou reservar a sala VIP e contratar todos os homens gostosos do clube para você.

Fechei os olhos.

O Pegasus era o clube de strip masculino mais caro do Upper East Side.

Duas horas depois eu estava sentada em um sofá de couro preto cercada por homens musculosos usando calças de couro apertadas.

Peitorais brilhando de óleo.

Sorrisos ensaiados.

Perfume demais.

— Champanhe, senhoras?

— Não.

— Quer companhia, gata?

— Não.

— Posso sentar aqui?

— Não.

Esfreguei as têmporas.

Harper já estava bêbada.

Muito bêbada.

Sentada entre dois dançarinos loiros enquanto bebia como se estivesse tentando apagar a própria existência.

— CHLOE!

Toda a sala olhou.

Fechei os olhos.

— Não.

— VOCÊ AINDA ESTÁ PENSANDO NO VINCENZO?!

A sala inteira ficou em silêncio.

Eu me levantei imediatamente.

Arrastei Harper para um canto.

— Harper, cala a boca.

— Achei que você tivesse superado ele!

— Fala mais baixo.

— Então se diverte!

Soltei um suspiro cansado.

— Nós nunca fomos namorados.

Ela piscou.

— O quê?

— Nunca fomos.

— Chloe...

— Ele era meu protetor.

Peguei o copo dela.

Virei a bebida inteira.

— Eu era seu brinquedo favorito.

Ela ficou imóvel.

— Sete anos atrás ele pagou uma dívida de dois milhões de dólares.

Outra dose.

— Cinco anos atrás abriu as portas de Hollywood para mim.

Mais uma.

— Eu ofereci meu corpo. Ele comprou diversão.

Encolhi os ombros.

— Uma troca justa.

Harper ficou boquiaberta.

— Você deveria ter me contado.

— E o que teria mudado?

Ela não respondeu.

Ficou em silêncio durante alguns segundos.

Então começou a chorar.

Do nada.

Como uma criança.

— Você tem razão!

Praticamente se jogou sobre a mesa.

— Ser solteira é ótimo!

Meu Deus.

— Harper...

— Eu me arrependo de ter aceitado o pedido do Mason!

— Harper.

— Casamento é horrível!

Tapei sua boca imediatamente.

— Você enlouqueceu?

— Mmmmm!

— Se o seu noivo ouvir isso, amanhã eu apareço morta em uma vala.

Mas eu tinha azar.

Muito azar.

Porque exatamente trinta minutos depois a porta da sala VIP foi aberta com violência.

Mason entrou.

Terno desalinhado.

Gravata torta.

Cara de quem tinha atravessado Wall Street correndo.

Sem dizer uma palavra.

Sem cumprimentar ninguém.

Sem olhar para ninguém.

Pegou Harper.

Jogou-a sobre o ombro.

E foi embora.

Simples assim.

Harper acenou para mim de cabeça para baixo.

— Tchau, Chloe!

Fiquei olhando.

— ...

A sala inteira ficou em silêncio.

Os seguranças me olharam.

Os dançarinos me olharam.

Eu peguei minha bolsa.

— A festa acabou.

Saí pela porta dos fundos.

Chamei um Uber no beco.

Era uma da manhã.

O Brooklyn estava silencioso.

O poste ao lado da lixeira piscava de forma irritante.

Foi então que um SUV preto apareceu.

Parou suavemente na entrada do beco.

A janela abaixou.

— Srta. Bennett.

Levantei os olhos.

Lorenzo.

Subchefe de Vincenzo.

O homem que, seis meses antes, tinha perguntado quando o Don se casaria comigo.

O mesmo homem que ouvira a resposta.

Virei para ir embora.

— Ei, ei, ei...

Ele saiu rapidamente do carro.

— Estou implorando.

— Por quê?

— O Chefe está furioso.

Parei.

Infelizmente.

— E isso é problema meu?

— Ele se trancou no cofre subterrâneo e está lá há três dias.

— Que triste.

— Limpando armas.

— Fascinante.

— Bebendo.

— Que continue.

— Quebrou o celular durante uma ligação com Don Salvatore.

— Desejo melhoras.

Lorenzo passou a mão pelo rosto.

Parecia à beira de um colapso nervoso.

— Moça, por favor.

— Não.

— Só converse com ele.

— Não.

— Descubra por que ele está assim.

— Não.

— Pelo amor de Deus.

— Lorenzo...

— Estou implorando!

Antes que eu pudesse terminar a frase, ele segurou meus ombros.

— Me larga.

— O pedido de desculpas pode vir depois.

— Lorenzo.

— Desculpa.

— Lorenzo!

No instante seguinte, fui empurrada para dentro do SUV.

A porta bateu.

— LORENZO!

— Perdão, moça!

Vinte minutos depois, o carro estacionou nos fundos de um cassino no centro de Manhattan.

Meu estômago afundou.

Eu reconhecia aquele lugar.

Era o mesmo cassino.

O mesmo.

Aquele onde meu vestido havia sido rasgado sete anos antes.

Lorenzo abriu a porta.

Me puxou para fora.

E praticamente me arrastou pelos corredores.

Passamos pela área VIP.

Pelas salas privadas.

Até a última porta.

A mais isolada de todas.

Ele a abriu.

— Boa sorte.

— Lorenzo, não se atreva...

Tarde demais.

Ele me empurrou para dentro.

A porta se fechou atrás de mim com um estrondo.

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