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CAPÍTULO 4

Author: Peachy
A sala estava tomada pela fumaça.

O cheiro pesado de charutos, uísque e pólvora pairava no ar.

Sete ou oito homens de terno ocupavam os sofás espalhados pelo ambiente. No instante em que me viram entrar, todos se levantaram ao mesmo tempo.

— Graças a Deus você chegou.

— O Chefe está impossível. Por favor, faça alguma coisa.

— Lorenzo disse que traria você nem que fosse à força. Estamos sendo massacrados há dias.

Não respondi.

Meu olhar passou por eles e encontrou o sofá de couro no fundo da sala.

Vincenzo estava recostado ali.

Olhos fechados.

Camisa aberta.

Dois botões arrancados.

Os cabelos escuros caíam sobre a testa de forma desordenada.

Uma pistola recém-limpa repousava sobre a mesa de centro ao lado de uma garrafa quase vazia de Macallan vinte e cinco anos.

Caminhei até ele.

Como tinha feito incontáveis vezes ao longo dos últimos sete anos.

Sentei naturalmente ao seu lado.

— Vincenzo?

Minha voz saiu suave.

— Você está bem?

Ele não abriu os olhos.

De repente, inclinou-se para o lado.

Todo o peso do corpo caiu sobre meu ombro.

O cheiro forte de álcool me envolveu imediatamente.

Fiquei rígida.

Levantei a mão para apoiá-lo.

Sua testa roçou minha bochecha.

Seu nariz encostou em minha têmpora.

Ele estava queimando de febre.

Achei que estivesse despertando.

Então ouvi.

— ...Genevieve.

O nome saiu em um sussurro.

Mas atingiu meu peito como uma bala.

Olhei para ele.

As sobrancelhas estavam franzidas.

Os cílios tremiam levemente.

E havia algo próximo de um sorriso em seus lábios.

Os outros homens não ouviram.

Continuavam falando.

Sorrindo.

Tentando me entregar uma bebida.

Eu não a peguei.

Toda a energia abandonou meu corpo de uma só vez.

Como se alguém tivesse arrancado algo de dentro de mim.

Um cansaço frio se espalhou pelos meus ossos.

Era exatamente como eu imaginava.

Ele não precisava mais de mim.

Com cuidado, afastei-o do meu ombro e deixei que voltasse a se recostar no sofá.

Nesse momento, o celular sobre a mesa vibrou.

Um nome apareceu na tela.

Genevieve C.

Fiquei olhando para aquelas letras durante três segundos.

Então recusei a chamada.

Dez segundos depois o telefone tocou novamente.

Peguei-o.

Atendi.

— ...Alô?

Silêncio.

Então uma voz feminina respondeu.

— ...Chloe Bennett?

A voz era elegante.

Clara.

Com um leve sotaque de Chicago.

— Sou eu.

— Onde está Vincenzo?

Olhei para ele.

Bêbado.

Inconsciente.

Chamando outra mulher.

— Está bêbado.

Minha voz saiu neutra.

— Sapphire Private Club. Sétima Avenida. Sala VIP três.

Silêncio.

Dois segundos.

— Entendi.

— Venha buscá-lo.

— Estou indo.

A ligação terminou.

...

Joguei o celular de volta sobre a mesa.

Os homens me encararam sem entender.

— O que você está fazendo?

Levantei.

Alisei o casaco.

— A noiva dele está vindo.

Olhei para todos eles.

— Cuidem bem dela.

Lorenzo congelou perto da porta.

— Senhorita...

— Lorenzo.

Ele se calou.

— Seu chefe não está bebendo por minha causa.

Ele abriu a boca.

Fechou.

Abriu novamente.

Mas eu já estava caminhando até a saída.

Antes de atravessar a porta, olhei para trás uma última vez.

Vincenzo continuava imóvel.

Olhos fechados.

Expressão severa.

Nos sete anos em que o conheci, vi homens tentarem matá-lo.

Vi carregamentos inteiros desaparecerem.

Vi guerras entre famílias.

Vi caçadas.

Vi traições.

E ele jamais vacilou.

Quando sequestraram suas rotas de contrabando, ele simplesmente abriu uma garrafa de uísque.

Quando três famílias da Costa Leste se uniram para destruí-lo, ele apenas acendeu um cigarro.

Vincenzo nunca bebia por tristeza.

Exceto por uma única razão.

Uma mulher.

Genevieve Conti.

Saí do clube.

Mas não fui embora imediatamente.

Comprei uma garrafa de água em uma bodega no beco dos fundos.

Fiquei encostada na parede.

Esperando.

Vinte minutos depois, um Maybach preto parou diante da entrada principal.

Blindado.

Placas de Chicago.

A porta traseira se abriu.

Uma mulher loira desceu.

Saltos vermelhos.

Casaco bege.

Brincos de pérola.

Saí do beco.

Ela me viu imediatamente.

Sorriu.

— Chloe.

— Genevieve.

Era ainda mais bonita pessoalmente.

Alta.

Elegante.

Cada movimento transmitia a confiança de alguém que nasceu no topo da cadeia alimentar.

Uma verdadeira princesa da máfia.

— Obrigada pela ligação.

— Não foi nada.

Ela me observou durante alguns segundos.

Avaliando.

Medindo.

Como se eu fosse um objeto exposto em uma vitrine.

— Ouvi dizer que vocês ficaram juntos durante sete anos.

Sorriu educadamente.

— É bastante tempo... para uma garota como você.

Continuei em silêncio.

— Mas Vincenzo vai se casar agora.

Seu sorriso permaneceu intacto.

— Você parece inteligente, Chloe. Não me importo com o passado. Porém, daqui para frente, não quero que exista qualquer contato entre vocês.

Baixei os olhos.

— Eu entendo.

E entendia mesmo.

Ela era Genevieve Conti.

Filha única.

Herdeira.

A futura Donna.

Eu era apenas uma garota comprada por dois milhões de dólares.

Uma gata selvagem mantida em uma gaiola dourada.

Sabia exatamente qual era a diferença entre nós.

Quando cheguei ao Brooklyn, já passava das quatro da manhã.

Joguei o celular sobre a mesa.

Coloquei-o no silencioso.

E desabei na cama.

Eu tinha me preparado para aquilo.

Durante meses.

Talvez anos.

Mas encarar a realidade ainda doía.

Uma dor afiada.

Cruel.

Profunda.

As lágrimas escorreram silenciosamente pelo meu rosto e molharam o travesseiro.

Mesmo assim...

Eu não olharia para trás.

...

Não esperava acordar às dez da manhã com o celular vibrando sem parar.

Abri os olhos.

Peguei o aparelho.

Meu coração parou.

Vincenzo.

Mais de vinte chamadas perdidas.

Fechei os olhos por um instante.

Respirei fundo.

Então atendi.

— Alô?

A resposta veio imediatamente.

Gelada.

Sombria.

Perigosa.

— Você tem muita coragem.

Sentei na cama.

Totalmente desperta.

— Vincenzo...

— Chloe Bennett.

Ele pronunciou meu nome como se estivesse mastigando vidro.

— Quem você pensa que é?

Fiquei imóvel.

Sem entender.

Antes que pudesse responder, a ligação foi encerrada.

Afastei o celular do ouvido.

Observei a tela.

Confusa.

Três segundos depois, liguei de volta.

Chamada recusada.

Tentei novamente.

Bloqueada.

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Então sorri.

Um sorriso pequeno.

Cansado.

Tudo bem.

Perfeito.

Abri a galeria.

Apaguei cada fotografia.

Cada conversa.

Cada registro.

Cada lembrança digital daqueles sete anos.

Depois apaguei seu número.

Se aquilo realmente tinha acabado...

Eu cortaria todos os laços.

De uma vez por todas.

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