LOGIN....Marco não precisou de uma semana para começar a reorganizar a empresa.Desde que assumiu a presidência, dedicou-se a revisar a estrutura dos departamentos, avaliar o desempenho das equipes e analisar os projetos que continuavam em andamento, mas que antes estavam sob o comando de Adrián. No papel, tudo parecia razoável. Uma revisão administrativa após uma mudança na presidência não tinha nada de extraordinário, muito menos em uma empresa do porte do Grupo Montenegro. No entanto, por trás daquela aparente reorganização, havia decisões muito mais calculadas.As primeiras mudanças afetaram diretamente a equipe que havia trabalhado com Adrián durante os últimos anos. Alguns foram transferidos para outras áreas, outros foram designados para projetos secundários e vários perderam as responsabilidades que até então tinham dentro da empresa. Não houve demissões em massa nem anúncios que pudessem levantar suspeitas. Marco simplesmente redistribuiu os cargos, justificando cada movimentação
Assim que Adrián cruzou a entrada, duas pequenas figuras se soltaram de Valeria e correram em sua direção com uma empolgação que não deixava dúvidas sobre o quanto estavam esperando por ele. —Papai! Ele mal teve tempo de deixar as chaves antes de se abaixar para recebê-los. Mateo chegou primeiro, embora Sofía não tenha demorado a alcançá-lo, e Adrián acabou segurando os dois como pôde, um de cada lado, enquanto os pequenos se agarravam ao seu pescoço. Valeria soltou um suspiro de alívio de onde estava. Adrián ergueu os olhos para ela, divertido com sua expressão, e depois voltou a concentrar sua atenção nas crianças. —O que aconteceu? Sentiram tanto a minha falta assim? —Sim! —respondeu Sofía sem pensar duas vezes. Mateo assentiu com entusiasmo, ainda abraçado ao pai. Adrián sorriu levemente e olhou para os dois. —Então vocês quase deixaram a mamãe louca, não foi, crianças? Os dois trocaram um olhar e soltaram algumas risadinhas que confirmaram a suspeita de Valeria. —Antes
O primeiro sinal de que algo havia mudado foi encontrar a porta de seu escritório aberta e dois funcionários retirando seus pertences das gavetas.Adrián parou à porta. Durante alguns segundos, observou enquanto um deles guardava seus documentos em uma caixa, enquanto o outro retirava alguns objetos das estantes. Nenhum dos dois parecia disposto a olhá-lo diretamente. Ambos trabalhavam com uma pressa contida, como se esperassem terminar antes que ele aparecesse.Então viu Marco.Ele estava sentado em sua cadeira, com o corpo ligeiramente inclinado para trás, girando uma caneta entre os dedos. Sobre a mesa repousavam vários documentos do projeto Aurelis, junto a uma nova placa com seu nome gravado. Parecia tão confortável que era difícil acreditar que aquele escritório havia pertencido ao irmão até poucas horas antes.Adrián entrou sem dizer nada. Seu olhar percorreu o ambiente, desde as caixas que estavam sendo preenchidas até os documentos que agora ocupavam sua mesa. Depois, aproxim
Marco deslizou uma cópia de sua proposta para o centro da mesa. — Tudo está incluído. A supervisão dos acessos, a revisão dos protocolos e os relatórios periódicos para ambas as empresas. Também estabeleci prazos de avaliação para que a Aurelis não precise esperar até o lançamento para verificar se estamos cumprindo o que foi acordado. Se não atingirmos os objetivos previstos, haverá mecanismos para corrigir o rumo antes que o problema se transforme em outro risco financeiro. Adrián revisou as primeiras páginas. As condições estavam detalhadas com precisão suficiente para demonstrar que seu irmão não havia preparado aquela proposta de um dia para o outro. Havia prazos razoáveis, responsabilidades atribuídas e medidas que podiam ser verificadas. Não era uma solução improvisada, e isso a tornava mais difícil de contestar. — E o que acontecerá com o trabalho que já foi realizado? — perguntou Adrián. — Não podemos tratá-lo como se nunca tivesse existido. Há avanços que ainda podem ser
O saguão apenas começava a ficar movimentado quando as portas do elevador privativo se abriram no último andar. Naquela hora, os funcionários ainda trocavam cumprimentos junto às mesas, e a equipe da recepção terminava de organizar a agenda do dia. No entanto, nos escritórios da diretoria, o expediente havia começado muito antes. Havia relatórios pendentes, ligações sem retorno e uma negociação que ameaçava se tornar o problema mais caro que a empresa havia enfrentado em anos.Adrián saiu do elevador com o telefone em uma das mãos e uma pasta na outra. Havia passado boa parte da noite revisando os acontecimentos das últimas semanas, procurando alguma alternativa que permitisse recuperar a confiança da Aurelis. Continuava convencido de que poderia resolver aquilo. A situação era grave, mas ainda existiam opções, e ele não pretendia abandonar o projeto sem esgotar cada uma delas.James o esperava em frente ao seu escritório. — É melhor você não se acomodar. A Aurelis acabou de enviar um
Marco havia abandonado a sala naquele dia.Não precisava olhar para trás para saber o que havia provocado nem o que havia deixado sobre aquela mesa. Já havia conseguido exatamente o que queria: que sua proposta deixasse de parecer uma alternativa pessoal e começasse a ser considerada como uma solução para toda a companhia.Isso era o importante.Havia construído sua abordagem em torno das necessidades da Aurelis e das dúvidas que haviam surgido depois do vazamento. Seu compromisso de supervisionar pessoalmente o projeto não havia sido uma promessa feita para impressioná-los. Era uma resposta calculada à principal fraqueza que a Aurelis via na situação atual. Depois do que aconteceu, precisavam saber quem assumiria a responsabilidade se algo voltasse a dar errado.Marco havia lhes dado um nome.O dele.Também havia cuidado dos benefícios. Se o projeto tivesse sucesso, ambas as companhias teriam muito a ganhar depois do lançamento. A Aurelis obteria uma estrutura que considerava mais se







