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Autor: Steffany
last update Fecha de publicación: 2025-07-08 22:51:19

Alice acordou cedo naquela segunda-feira. O sol invadia o pequeno quarto onde agora dormia com a mãe, cuja tosse constante a despertava de tempos em tempos. A casa da família não era mais a mesma desde a morte do pai. As paredes pareciam mais frias, e o cheiro de mofo misturado ao chá de erva-doce tomava conta do ar. Mas ali ainda era o seu lugar, mesmo com todas as cicatrizes que o tempo e a perda haviam deixado.

Sentou-se na beira da cama, prendeu os cabelos com um elástico antigo e olhou par
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Último capítulo

  • O anjo do herdeiro bilionário    FIM

    Os dias já não doíam como antes.A dor da ausência da mãe continuava ali — num cheiro, numa canção, numa receita escrita à mão guardada no fundo da gaveta —, mas agora vinha como brisa, não mais como tempestade.O luto ainda vivia em Alice, mas não a paralisava. Ela começava, devagar, a levantar-se por dentro.Naquela manhã, o sol atravessava as janelas da mansão com generosidade. Alice estava sentada na antiga varanda de madeira, os cabelos presos num coque solto e um lápis entre os dedos. No colo, um caderno de esboços. No peito, o nascimento de um novo desejo.Camila surgiu logo depois com uma das gêmeas no colo, a blusa manchada de leite e um sorriso cansado e cúmplice."Ela não quer dormir sem escutar sua voz," disse, entregando o bebê com carinho.Alice a recebeu com um beijo na testa da filha. Era incrível como já conseguia diferenciar o choro de cada uma. Sentia-se conectada a elas de um modo que jamais imaginara possível."Esses olhos me salvam todos os dias," murmurou, embal

  • O anjo do herdeiro bilionário    54

    Desde que a mãe partira, tudo em Alice parecia suspenso. Os dias deixaram de ter começo, meio e fim. A mansão, antes cheia de sons, agora era atravessada por um silêncio denso, quase sólido. Nem mesmo o choro dos bebês — suaves, frágeis, ainda tão novos neste mundo — parecia capaz de furar o véu de tristeza que a envolvia.Alice passava horas sentada na poltrona do quarto, olhando os berços duplos como se ainda não compreendesse que aquelas duas pequenas vidas haviam saído de dentro dela. Era estranho. Queria amá-los com força, como sempre sonhou, mas tudo o que conseguia sentir era um vazio do tamanho do mundo.Daniel fazia o que podia. Contratou uma enfermeira para os gêmeos, organizou a logística da casa para que Alice pudesse descansar, trouxe flores, chá calmante, um terapeuta — tudo. Mas era como se Alice tivesse se trancado por dentro. A morte da mãe e o susto do parto prematuro haviam feito mais do que a derrubar: haviam despedaçado algo muito íntimo e antigo, como uma coluna

  • O anjo do herdeiro bilionário    53

    A manhã chegou nublada, o céu carregado de nuvens baixas que pareciam anunciar não apenas chuva, mas uma mudança inevitável. Alice acordou com o coração apertado, um pressentimento estranho tomando forma em seu peito, ainda antes dos primeiros raios tocarem as janelas da mansão.Telma entrou no quarto em silêncio, o olhar baixo, as mãos trêmulas segurando um telefone.“Alice... temos que ir ao hospital. Sua mãe... ela não acordou bem.”O mundo pareceu girar ao contrário. Alice tentou se levantar rapidamente, mas uma dor aguda cortou-lhe o ventre. Ainda assim, insistiu. Precisava vê-la. Precisava estar com ela.Ao chegar ao hospital, a notícia caiu como uma lâmina.Dona Tereza não resistira ao agravamento do quadro cardíaco. Partira durante a madrugada, sem dor, segundo os médicos. Adormeceu e não acordou mais.Alice sentiu as pernas falharem. Daniel a segurou antes que ela caísse.“Não... não pode ser... ela prometeu que estaria comigo... que veria os netos...”O grito ficou preso em

  • O anjo do herdeiro bilionário    52

    O inverno parecia ter chegado mais cedo naquele ano. Na mansão cercada por colinas e árvores antigas, os dias ficavam mais curtos, as noites mais longas, e o frio se instalava não só nos cômodos de mármore e cortinas pesadas, mas também em certos silêncios que agora permeavam a casa.Alice estava com a gravidez avançada, e mesmo com todos os cuidados, nem sempre se sentia bem. Os hormônios bagunçavam seu humor, o corpo doía de um jeito que ela nunca havia experimentado e, por mais que tentasse manter a mente serena, a ansiedade a corroía por dentro.A presença constante da mãe ao seu lado era, ao mesmo tempo, uma bênção e um alerta silencioso. Dona Tereza havia se mudado para a mansão por insistência de Daniel, que dizia que ali ela teria mais conforto, mais cuidado, mais tudo. A verdade, porém, é que a mãe de Alice já dava sinais de cansaço. Havia noites em que tossia baixinho, escondendo a mão no lenço; outras em que parecia esquecer pequenas coisas, como o nome de um chá ou onde gu

  • O anjo do herdeiro bilionário    51

    A maternidade havia transformado Alice de uma forma que ela mesma ainda estava tentando compreender. Cada madrugada em claro, cada troca de fraldas, cada choro decifrado no colo, parecia retirar um pedaço antigo dela para dar lugar a uma mulher mais forte, mais determinada. Mas também mais cansada.Daniel, por sua vez, vivia o paradoxo de ser pai outra vez e reviver as sombras do passado. Ele se envolvia em tudo: preparava mamadeiras, ninar o bebê, acalmava Alice, e mesmo assim sentia que havia algo que o separava de sua esposa. O medo. A perda da ex ainda era uma ferida que sangrava em silêncio.Alice percebia isso. Por mais que ele sorrisse e dissesse estar tudo bem, ela conhecia os olhos de Daniel. Sabia quando ele estava fingindo firmeza.A nova rotina começava a desgastar o relacionamento. Pequenas discussões, mal-entendidos, silêncios longos. Não era falta de amor, era exaustão emocional.“Daniel, você precisa confiar que eu consigo cuidar do nosso filho sozinha também,” disse A

  • O anjo do herdeiro bilionário    50

    A rotina da gravidez seguia, mas a mansão começava a parecer menor a cada dia.Daniel, mesmo mais cuidadoso com suas palavras, continuava vigiando cada movimento de Alice como quem protege um cristal raro. E, embora ela soubesse que era por amor, sentia-se sufocada.A sensação de estar sendo constantemente observada, vigiada, guiada… a levava a buscar, ainda que inconscientemente, formas de escapar.Começou a inventar pequenas saídas à cidade: uma visita à farmácia, uma ida rápida à livraria, o pedido de uma fruta específica que só se encontrava na feira municipal. Qualquer desculpa servia para respirar longe dos muros altos e da presença vigilante de Daniel.Foi então que o novo chofer, Pedro, passou a ser seu parceiro constante nessas escapadas.Pedro era jovem, bem-apessoado, tinha o tipo de simpatia que facilmente abria espaço onde antes havia resistência. Ele nunca passava do limite, mas também nunca perdia a chance de elogiar.“Você tá cada dia mais bonita, dona Alice. A gravide

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