LOGINPOV MayaA mensagem de Soren não saía da minha cabeça.Uma segunda inconsistência nos registros.Eu sabia que ainda não havia provas suficientes para apontar um culpado, mas alguma coisa naquela história me incomodava. Alguém havia consultado informações sobre minha rotina, e uma câmera deixara de funcionar justamente no período que interessava à investigação.Não parecia uma coincidência simples.Abri minha agenda no computador e comecei a revisar os últimos meses.Horários de reuniões, compromissos externos, alterações de última hora. No começo, não encontrei nada além da rotina habitual de uma assistente pessoal. Ainda assim, continuei.Eu conhecia meus próprios hábitos. Sabia quais reuniões eram recorrentes, quais compromissos Nicolas costumava manter em sigilo e quais mudanças haviam sido feitas por solicitação dele.Se alguém estivesse acompanhando meus movimentos, talvez houvesse um padrão que passara despercebido.Abri o histórico das alterações da agenda.Foi quando encontrei
POV NicolasA primeira coisa que senti ao despertar foi o peso delicado de Maya sobre meu peito.A segunda foi a paz.Ela dormia abraçada a mim, com o rosto escondido na curva do meu pescoço e uma das mãos repousando sobre meu coração. Os cabelos estavam espalhados pelo travesseiro, e a respiração tranquila me fez permanecer imóvel por alguns segundos, com medo de que qualquer movimento interrompesse aquele instante.Na noite anterior, ela havia me mostrado algo que eu demorara demais para compreender.Maya não precisava que eu fosse invencível.Precisava que eu fosse sincero.Precisava que, mesmo quando o medo me dominasse, eu permitisse que ela enxergasse o homem por trás do presidente da Beaumont Holding. O homem que também sentia, que também temia perder aquilo que amava e que, por vezes, não sabia o que fazer com a própria vulnerabilidade.Passei os dedos lentamente por seus cabelos.— Meu amor… — sussurrei, embora soubesse que ela não estava acordada para me ouvir. — Como foi qu
POV MayaHavia algo que eu estava começando a compreender sobre Nicolas Beaumont.Ele não sabia amar pela metade.Quando se importava com alguém, entregava tudo. Sua atenção, seu tempo, sua preocupação e até as partes de si mesmo que provavelmente preferiria esconder.O problema era que, durante muito tempo, ele havia acreditado que amar alguém significava impedir que qualquer coisa ruim acontecesse.Como se pudesse prever cada perigo, controlar cada circunstância e construir uma parede tão alta ao redor das pessoas que amava que nada seria capaz de alcançá-las.Eu conhecia aquele olhar.Conhecia a maneira como seus dedos apertavam os meus quando alguma coisa o preocupava. A forma como seus olhos percorriam o ambiente antes de se voltarem para mim. O hábito de perguntar se eu estava bem mesmo quando eu acabara de dizer que estava.Às vezes, Nicolas exagerava.Eu sabia disso.Mas, depois de tudo o que havíamos vivido, começava a enxergar algo que antes talvez não tivesse compreendido p
POV NicolasEu nunca fui um homem que soubesse ficar parado.Sempre havia alguma coisa para resolver, alguma decisão esperando por mim, algum problema que não poderia ser adiado. Desde que assumi a Beaumont Holding, aprendi a transformar o tempo em uma espécie de inimigo. Cada minuto precisava ter uma finalidade. Cada hora precisava produzir algum resultado.Descansar nunca foi exatamente uma habilidade minha.Até Maya aparecer.Agora, eu conseguia passar uma tarde inteira no sofá, sem saber o que estava acontecendo no mercado, sem verificar meus e-mails a cada cinco minutos e sem sentir que o mundo desmoronaria caso eu não estivesse no comando de tudo.Bastava ela estar ao meu lado.Era ridículo.Eu sabia que era.Mas, quando Maya se acomodava contra meu peito, entrelaçava os dedos nos meus e começava a falar sobre alguma coisa que havia acontecido com Patrícia ou Gabriel, eu descobria que existiam coisas muito mais importantes do que qualquer reunião.Ela, por exemplo.Sempre ela.O
POV MayaAcordei com a sensação de que estava sendo observada.Não era uma sensação ruim. Pelo contrário.Havia algo tão tranquilo na maneira como Nicolas me olhava que, por alguns segundos, preferi manter os olhos fechados, fingindo que ainda dormia.Sentia seus dedos acariciando delicadamente meu braço, enquanto sua respiração tocava meus cabelos.— Eu sei que você está acordada — ele murmurou.Sorri antes de abrir os olhos.— Como?— Você acabou de sorrir.— Talvez eu esteja sonhando.— Espero que seja comigo.Virei o rosto para encará-lo.Nicolas estava deitado ao meu lado, apoiado em um dos braços, com o cabelo ligeiramente bagunçado e uma expressão tão serena que quase não parecia o mesmo homem que fazia uma empresa inteira ficar em silêncio quando entrava em uma sala.Ali, comigo, ele parecia simplesmente Nicolas.O meu Nicolas.— E se não for? — provoquei.Ele levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.— Depois de tudo o que fiz por você?— Tudo o quê?— Dividi minha cama,
POV NicolasEu ainda conseguia sentir o gosto do beijo dela.Marcado nos meus lábios. Intenso. Vivo.Mas, daquela vez, não era apenas a memória da sua boca que permanecia.Eram as palavras.Eu também amo você.Aquelas quatro palavras ainda ecoavam no meu peito, fazendo cada batimento cardíaco soar como um aviso.Eu tinha passado tanto tempo tentando proteger a Maya de tudo e de todos ao seu redor...Que, em algum momento, esqueci de protegê-la do perigo mais real.Esqueci de protegê-la de mim.Do homem que achava que amar era antecipar tragédias e desenhar rotas de fuga.Do homem que confundia cuidado com posse. Que disfarçava o próprio medo atrás de uma armadura de controle.Do homem que acreditava que, se tivesse todas as respostas na palma da mão, nada no mundo seria capaz de machucá-la.Mas a Maya tinha acabado de me arrancar dessa ilusão.Ela me mostrou que não precisava de um escudo humano escolhendo cada passo por ela.Precisava de alguém com coragem suficiente para segurar sua







