로그인POV MayaHavia algo que eu estava começando a compreender sobre Nicolas Beaumont.Ele não sabia amar pela metade.Quando se importava com alguém, entregava tudo. Sua atenção, seu tempo, sua preocupação e até as partes de si mesmo que provavelmente preferiria esconder.O problema era que, durante muito tempo, ele havia acreditado que amar alguém significava impedir que qualquer coisa ruim acontecesse.Como se pudesse prever cada perigo, controlar cada circunstância e construir uma parede tão alta ao redor das pessoas que amava que nada seria capaz de alcançá-las.Eu conhecia aquele olhar.Conhecia a maneira como seus dedos apertavam os meus quando alguma coisa o preocupava. A forma como seus olhos percorriam o ambiente antes de se voltarem para mim. O hábito de perguntar se eu estava bem mesmo quando eu acabara de dizer que estava.Às vezes, Nicolas exagerava.Eu sabia disso.Mas, depois de tudo o que havíamos vivido, começava a enxergar algo que antes talvez não tivesse compreendido p
POV NicolasEu nunca fui um homem que soubesse ficar parado.Sempre havia alguma coisa para resolver, alguma decisão esperando por mim, algum problema que não poderia ser adiado. Desde que assumi a Beaumont Holding, aprendi a transformar o tempo em uma espécie de inimigo. Cada minuto precisava ter uma finalidade. Cada hora precisava produzir algum resultado.Descansar nunca foi exatamente uma habilidade minha.Até Maya aparecer.Agora, eu conseguia passar uma tarde inteira no sofá, sem saber o que estava acontecendo no mercado, sem verificar meus e-mails a cada cinco minutos e sem sentir que o mundo desmoronaria caso eu não estivesse no comando de tudo.Bastava ela estar ao meu lado.Era ridículo.Eu sabia que era.Mas, quando Maya se acomodava contra meu peito, entrelaçava os dedos nos meus e começava a falar sobre alguma coisa que havia acontecido com Patrícia ou Gabriel, eu descobria que existiam coisas muito mais importantes do que qualquer reunião.Ela, por exemplo.Sempre ela.O
POV MayaAcordei com a sensação de que estava sendo observada.Não era uma sensação ruim. Pelo contrário.Havia algo tão tranquilo na maneira como Nicolas me olhava que, por alguns segundos, preferi manter os olhos fechados, fingindo que ainda dormia.Sentia seus dedos acariciando delicadamente meu braço, enquanto sua respiração tocava meus cabelos.— Eu sei que você está acordada — ele murmurou.Sorri antes de abrir os olhos.— Como?— Você acabou de sorrir.— Talvez eu esteja sonhando.— Espero que seja comigo.Virei o rosto para encará-lo.Nicolas estava deitado ao meu lado, apoiado em um dos braços, com o cabelo ligeiramente bagunçado e uma expressão tão serena que quase não parecia o mesmo homem que fazia uma empresa inteira ficar em silêncio quando entrava em uma sala.Ali, comigo, ele parecia simplesmente Nicolas.O meu Nicolas.— E se não for? — provoquei.Ele levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.— Depois de tudo o que fiz por você?— Tudo o quê?— Dividi minha cama,
POV NicolasEu ainda conseguia sentir o gosto do beijo dela.Marcado nos meus lábios. Intenso. Vivo.Mas, daquela vez, não era apenas a memória da sua boca que permanecia.Eram as palavras.Eu também amo você.Aquelas quatro palavras ainda ecoavam no meu peito, fazendo cada batimento cardíaco soar como um aviso.Eu tinha passado tanto tempo tentando proteger a Maya de tudo e de todos ao seu redor...Que, em algum momento, esqueci de protegê-la do perigo mais real.Esqueci de protegê-la de mim.Do homem que achava que amar era antecipar tragédias e desenhar rotas de fuga.Do homem que confundia cuidado com posse. Que disfarçava o próprio medo atrás de uma armadura de controle.Do homem que acreditava que, se tivesse todas as respostas na palma da mão, nada no mundo seria capaz de machucá-la.Mas a Maya tinha acabado de me arrancar dessa ilusão.Ela me mostrou que não precisava de um escudo humano escolhendo cada passo por ela.Precisava de alguém com coragem suficiente para segurar sua
POV NicolasA noite havia caído pesado sobre a cidade.Do alto do apartamento, as luzes da metrópole pareciam pequenas estrelas frias espalhadas pelo horizonte.Lá fora, o mundo continuava girando, rápido e impiedoso.Mas eu não conseguia admirar a paisagem.Estava sentado na ponta do sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos fortemente entrelaçadas.Pensando.A cabeça fervia num turbilhão que eu não conseguia desacelerar.Pela primeira vez em muito tempo, o vazio no meu peito não era sobre negócios.Não era sobre contratos milionários.Nem sobre a responsabilidade esmagadora da Beaumont Holding.Tampouco sobre a sombra daquele homem que havia voltado do passado para tentar desestabilizar o meu império.Eu só conseguia pensar em Maya.Em tudo o que havíamos passado até aqui.Em cada escolha que fiz acreditando estar fazendo o certo.Eu decidi para onde ela deveria ir.Quem deveria estar ao seu redor.Onde deveria morar.Quantos seguranças deveriam dar cada passo ao lado dela.
POV NicolasA cidade passava pela janela do carro em um silêncio sufocante.Luzes borradas.Prédios imponentes.Pessoas anônimas seguindo suas vidas normais.Tudo parecia assustadoramente normal.Mas, para mim, o conceito de normalidade havia se despedaçado para sempre.Maya estava sentada ao meu lado no banco traseiro do carro.Sua mão ainda permanecia entrelaçada à minha, fria, mas viva.De vez em quando, eu virava o rosto em sua direção.Um movimento involuntário.Como se meu cérebro precisasse de uma prova física, constante e ininterrupta de que ela realmente estava ali.Viva.Segura.Comigo.Maya percebeu o peso do meu olhar.— Você está me olhando de novo — sussurrou ela, com a voz ainda levemente rouca.Eu não desviei.— Estou.— Por quê?Respirei fundo, sentindo o ar queimar no peito.— Porque ainda estou tentando convencer meu próprio corpo de que você não é uma ilusão. Que você realmente está aqui.Ela apertou minha mão com mais força, fincando as unhas levemente na minha pe







