FAZER LOGINDante Navarro era um espírito indomável, alguém que vivia no limite, desafiando regras e quebrando expectativas. Ele acordou naquela manhã em seu pequeno apartamento no Bronx, com o som do motor de uma moto vindo da rua. O cheiro de café barato e óleo de motor preenchia o ar. Ele passou os dedos pelos cabelos bagunçados, olhou o reflexo no espelho rachado e deu de ombros. Mais um dia para sobreviver.
Dante pegou sua jaqueta de couro, os anéis de prata no balcão e saiu em direção à sua moto, uma Harley Davidson personalizada que era seu maior orgulho. Quando acelerou, sentiu o vento no rosto, um lembrete de que, mesmo que sua vida fosse um caos, a liberdade que ele sentia sobre duas rodas era incomparável.
Naquela noite, o destino o levou a uma galeria de arte no centro da cidade. Ele não era o tipo que frequentava lugares sofisticados, mas algo o atraiu para lá. Talvez fosse o som abafado da música clássica vindo de dentro, ou as pessoas de terno e vestido longo que pareciam pertencer a um mundo diferente do seu. Ele parou do lado de fora, observando pela janela.
— Vai entrar? — perguntou um segurança, sem esconder o tom de desdém.
Dante olhou para o homem e deu um sorriso irônico.
— Por que não? Arte também é para gente tatuada, não acha?
O segurança o deixou passar, claramente desconfortável. Dante entrou no salão e imediatamente sentiu os olhares. Era como se cada pessoa ali estivesse julgando sua presença, mas ele não se importava. Ele estava acostumado a ser o outsider.
Enquanto caminhava pelas obras, algo chamou sua atenção. Um quadro vibrante, cheio de cores contrastantes e pinceladas que pareciam dançar pela tela. Ele se aproximou, estudando cada detalhe. Era intenso, quase visceral, e ele se viu perdido naquela explosão de emoções.
— Interessante, não é? — A voz veio de trás dele.
Dante se virou e viu um jovem de aparência refinada, com olhos expressivos que o analisavam com curiosidade. Era Liam, mas Dante ainda não sabia disso.
— É mais que interessante. É visceral. Quem fez isso tem algo a dizer.
Dante percebeu o brilho nos olhos do rapaz. Algo naquele desconhecido o intrigava. Ele não parecia encaixar-se naquele ambiente tanto quanto ele mesmo.
— E você? O que faz por aqui? — perguntou Liam, claramente interessado.
Dante deu de ombros, exibindo um sorriso despreocupado.
— Passei por acaso. Não sou exatamente o tipo de pessoa que frequenta lugares como este. — Ele olhou para Liam de cima a baixo, avaliando-o. — E você? Parece deslocado também.
A resposta fez Liam rir, quebrando a tensão. Dante gostava daquele som; era genuíno, algo que ele não ouvia com frequência. Ele estendeu a mão.
— Dante.
— Liam.
Eles apertaram as mãos, e Dante sentiu algo que não esperava: uma faísca de conexão. Ele não sabia o que era, mas havia algo em Liam que o fazia querer saber mais.
— Então, você conhece o artista? — perguntou Dante, gesticulando para o quadro.
— Eu... — Liam hesitou, mas algo na honestidade de Dante o fez abrir-se. — Sim, de certa forma. Eu pintei isso.
Dante ergueu as sobrancelhas, impressionado.
— Sério? Bom trabalho, cara. Isso aqui é intenso.
Liam corou, surpreso com o elogio. Ele não estava acostumado a receber reconhecimento sincero, especialmente de alguém como Dante, que parecia não ter filtros.
Antes que a conversa pudesse continuar, um alarme tocou no relógio de Liam. Ele olhou o horário e sua expressão mudou.
— Desculpe, eu preciso ir.
— Já? — Dante perguntou, mas não insistiu. Ele sabia que as pessoas sempre iam embora.
— Foi bom te conhecer. Quem sabe a gente se encontra de novo.
Liam saiu apressado, deixando Dante sozinho. Ele ficou olhando para o quadro por mais alguns minutos, tentando entender por que aquele rapaz havia chamado tanto sua atenção.
Mais tarde, Dante voltou para seu apartamento, mas a imagem de Liam não saía de sua mente. Algo nele era diferente. Ele era como uma obra de arte escondida em um mundo cheio de cópias.
Enquanto isso, Liam chegava à mansão Carter. A tensão estava no ar. Ele sabia que seu pai descobriria sua ausência. Mesmo assim, ele não conseguia parar de pensar em Dante — no sorriso confiante, na energia livre que ele parecia carregar. Pela primeira vez em muito tempo, Liam sentia que havia encontrado alguém que o entendia.
> Nota do Autor:
Os capítulos 1 e 2 são complementares, narrando os mesmos eventos sob perspectivas diferentes: o capítulo 1 é contado por Liam, enquanto o capítulo 2 traz o ponto de vista de Dante. Por isso, vocês notarão algumas falas e situações semelhantes, mas não se preocupem! Essa abordagem é intencional e foi feita para mostrar os contrastes entre os personagens. Espero que gostem!
O amanhecer do dia seguinte foi uma mistura de confusão e tensão. Liam acordou mais cedo do que o normal, sentindo um peso na consciência, uma mistura de emoções ainda difíceis de processar. O beijo de ontem à noite não estava mais em seus lábios, mas a sensação que ele provocou ainda estava em seu corpo e mente. Ele sentia uma vontade incontrolável de ver Dante novamente, de tentar entender o que havia acontecido, mas também temia o que esse encontro significaria.Sentado à mesa do café, Liam mexia distraidamente na xícara, o olhar distante, enquanto seu pensamento voltava incessantemente para o beijo. Dante havia dito que não se arrependeria, que queria tentar. Mas e ele? Liam não sabia ao certo o que queria, não tinha a certeza de seus sentimentos, e isso o deixava inquieto. Era mais fácil racionalizar que tudo não passava de uma confusão passageira, mas no fundo ele sabia que não era bem assim. Algo estava mudando, algo que ele não podia ignorar.Enquanto isso, Dante também lutava
O ar na oficina estava denso, pesado com tudo o que não havia sido dito. Liam ainda sentia o gosto do beijo nos lábios, e o peso de suas palavras não ditas pesava como uma rocha em seu peito. Dante estava diante dele, mas não mais como o homem destemido e confiante que sempre parecia ser. Algo havia mudado entre os dois, e Liam não sabia o que fazer com isso.Dante não tinha mais aquele olhar impassível, mas sim uma fragilidade rara, um vislumbre da verdade que ele sempre tentou esconder. O que estava acontecendo com ele? Como ele podia sentir tudo isso por Liam, quando nunca havia considerado um homem como objeto de desejo? A confusão era ainda maior do que ele queria admitir, mas no fundo ele sabia que não poderia ignorar o que estava acontecendo entre eles.O silêncio entre eles era desconfortável, mas, de alguma forma, também acolhedor. Liam tentava processar o turbilhão de emoções que sentia. A vergonha ainda o consumia, mas havia algo mais... um desejo profundo, uma necessidade
O silêncio que pairava na oficina após o beijo era denso e pesado, como se o tempo tivesse se estagnado, incapaz de avançar. Liam estava parado, sua respiração irregular, o corpo aquecido por uma energia estranha que ele não sabia como controlar. Ele olhou para Dante, mas o que viu foi algo que o deixou ainda mais perdido. A expressão de Dante estava tão intensa que parecia um reflexo dos próprios sentimentos confusos de Liam. Não era apenas a adrenalina do momento, mas algo mais profundo e incontrolável, como se o mundo ao redor deles estivesse desmoronando. Liam sentiu um calor inusitado subindo por seu pescoço. O beijo, aquele gesto espontâneo e urgente, parecia agora uma terrível falha. Ele sentiu vergonha, a tímida sensação de estar exposto, de ter ultrapassado uma linha que não sabia como voltar atrás. O que ele fizera? O que Dante pensaria? Ele se afastou, tentando esconder a aflição no fundo de seu olhar. Seu corpo estava tenso, seus dedos trêmulos. A última coisa que queria
A escuridão da noite envolvia a oficina como um véu, mas Dante sabia que algo estava errado assim que colocou os pés ali. O lugar, sempre bagunçado, parecia ainda mais caótico. Ferramentas espalhadas, marcas de pneus no chão e um cheiro de óleo queimado denunciavam que ele não estava sozinho. Ao se aproximar da bancada principal, viu um bilhete preso na parede com uma faca cravada. Suas mãos tremiam ao puxar o papel, lendo a mensagem escrita em letras grandes e raivosas: — "Seu tempo acabou. Resolva isso ou resolvemos você." Dante amassou o bilhete com força, sentindo o peso das ameaças que se acumulavam. A dívida não era apenas uma sombra em sua vida; agora era um perigo real que poderia engolir tudo. Ele precisava de um plano, mas cada opção parecia levar a mais caos. Na manhã seguinte, enquanto Dante lutava com suas preocupações, Liam enfrentava seus próprios desafios na mansão Carter. Durante o café da manhã, Charles colocou uma pilha de documentos na frente dele, cada um deta
Os dias que se seguiram foram um turbilhão de emoções para Liam. Ele começou a passar mais tempo com Dante, tentando escapar da sufocante mansão Carter. No entanto, quanto mais ele se aproximava do mundo de Dante, mais percebia o quão diferente era aquele universo do qual estava acostumado. Na manhã de segunda-feira, Charles convocou Liam para mais uma reunião familiar, algo que ele sabia que não poderia evitar. Sentado na longa mesa de jantar, cercado por advogados e conselheiros, ele se sentiu preso como nunca. — Você tem compromissos esta semana. Eventos importantes para nossa imagem. Não há espaço para distrações, Liam. — Charles afirmou, enquanto deslizava uma lista de compromissos na direção do filho. Liam olhou para a lista e depois para o pai, sentindo a frustração crescer dentro de si. Ele sabia que discutir seria inútil, mas a presença de Dante em sua vida começava a lhe dar coragem para questionar a autoridade absoluta de Charles. — Talvez seja hora de você parar de
A noite caía sobre a cidade, mas para Dante, ela trazia mais ameaças do que descanso. Na oficina, os homens que vieram cobrar sua dívida já estavam sem paciência. Um deles, um sujeito de olhos frios e barba cerrada, jogou uma chave inglesa sobre a bancada, fazendo um estrondo que ecoou pelo espaço. — Está na hora de parar com as desculpas, Navarro. O chefe quer o dinheiro até amanhã. — Já disse que estou resolvendo. — Dante respondeu, mantendo a calma aparente, embora sentisse o peso crescente da pressão. O outro homem, mais alto e com uma cicatriz atravessando o rosto, deu um passo à frente. — Resolver? Não parece que você está fazendo muita coisa além de fugir. Dante apertou os punhos, mas sabia que entrar em uma briga ali só complicaria ainda mais a situação. — Só mais alguns dias. Eu vou conseguir. O homem de cicatriz sorriu, mas era um sorriso cruel. — Melhor você conseguir, Navarro. Porque, da próxima vez, não viemos só para conversar. Os dois saíram, deixando







