تسجيل الدخولElaris Stins
Minha cabeça parecia estar cheia de névoa, e quando eu abri os olhos devagar, piscando várias vezes para tentar ajustar a visão… as coisas não pareciam melhorar muito. O que eu via à minha frente não fazia sentido de imediato. Teto de madeira, luz suave entrando pelas frestas de uma janela... tudo parecia tão estranho. Senti algo macio sob meu corpo e, quando tentei me mexer, percebi que estava deitada em uma cama. Uma cama. Como assim? Onde eu estou? Quando foi a última vez que dormi em algo assim? Por um momento, o cheiro de comida me invadiu, fazendo meu estômago roncar de imediato. O aroma era acolhedor, familiar, mas o medo ainda latejava dentro de mim. Fome ou não, eu precisava entender o que estava acontecendo.Quem havia me trazido até ali? Era uma emboscada?
Respirei fundo e deixei que a mente, antes turva, começasse a processar melhor. Lembranças surgiram em flashes. A fuga. O cansaço. A sensação de estar sendo caçada pela própria alcateia, e então… ele, o homem de cabelos negros e curtos, aquele com os olhos claros... Foi ele que me trouxe aqui? Então a ficha caiu. Ele me salvou, espantou os caçadores, e depois... o resto era um borrão. Não sei o que houve depois.O que aconteceu depois? Como vim parar aqui?
Com certo esforço, ergui o olhar e o vi. Ele estava sentado ao lado da cama, me observando. A luz fraca iluminava suas feições de um jeito estranho, o que me fez apertar os olhos, tentando entender melhor quem ele era. — Onde... estou? — Minha voz saiu rouca, quase inaudível, como se eu não falasse há dias. Cada palavra parecia arranhar minha garganta, mas finalmente saiu.Apertei meus olhos, estudando o seu rosto com certo cuidado, ele era... diferente, ele parecia curioso, assim como eu. Queria saber onde estava e porque ele me ajudou.
Ele me encarou por um segundo antes de responder. Seus olhos eram sérios, mas havia algo a mais ali. Não era ameaça, na verdade… talvez fosse preocupação e a curiosidade crescia, conseguia notar. — Você está na minha casa. — A voz dele era grave, mas calma. Ele parecia muito mais à vontade do que eu. Minha cabeça deu uma leve volta com essa informação.“Na casa dele?” Por que diabos alguém que eu nunca tinha visto me traria para sua casa? E por que ele sequer se importaria em me ajudar? As perguntas começaram a rodopiar na minha mente, mas antes que eu pudesse abrir a boca e perguntar qualquer coisa, ele se levantou. — Espera aí. — disse ele, dando alguns passos em direção a uma pequena mesa próxima à janela. Ele pegou um prato e voltou na minha direção com algo quente em mãos. — Aqui. — disse ele, estendendo um prato de sopa fumegante na minha direção.Uma sopa?
O cheiro me atingiu de imediato, e sem que eu conseguisse evitar, meus olhos brilharam com pura gratidão. Fazia tanto tempo que eu não comia algo decente. Meu corpo parecia consumir todas as minhas reservas de energia na fuga, e a fome agora vinha como um soco no estômago.O cheiro me tentava, sentia o cheiro gostoso de carne e legumes, sentia a minha boca salivar... Humm, deve estar gostoso, acho que eu posso provar um pouco, sim? Ele não parecia ser alguém de má índole, bom, até agora eu sentia isso.
Puxei o lençol para mais perto, me cobrindo mais e então peguei o prato com as mãos um tanto trêmulas, tentando não parecer tão desesperada. Respirei fundo, fitando seus olhos.
— Obrigada! — sussurrei, quase como se aquelas palavras fossem difíceis de dizer. E, de certa forma, eram. Não estava acostumada com gestos de bondade, pelo menos… não mais.Tinha alguns dias que estavam em quatro patas, fugindo da minha alcateia, até a minha própria voz estava soando estranha.
O homem apenas assentiu, me olhando por um tempo. Desviei o olhar e encarei a sopa, estava bem cheiroso, meu estomago roncou mais.
Levei a colher à boca, e o calor da sopa me envolveu como um abraço suave. Enquanto comia, uma parte de mim não conseguia deixar de pensar: por que ele está fazendo isso? Por que me ajudou? Eu era uma desconhecida, um problema, claramente envolvida em algo perigoso. Ele não tinha nenhuma razão para se envolver nisso. Continuei comendo, sentindo cada colherada aquecer o meu corpo, mas minha mente estava a mil. Meus pensamentos voltavam sempre para a mesma pergunta: por que ele estava me ajudando? Eu não sabia... e estava curiosa... Aliás... ninguém ajudaria uma estranha, uma fugitiva para falar a verdade. Continuei a comer a sopa, tentei não olhar pra ele enquanto sentia o calor da sopa esquentar o meu corpo, comecei a me sentir melhor. Iria ficar saciada em breve.As perguntas voltavam cada vez mais.
Esse lobo, esse homem que me salvou ainda fez uma sopa pra mim...E.. Por que ??Elaris StinsA guerra acabou.E, pela primeira vez em minha vida…Eu me sentia livre.O castelo da minha família, que por tanto tempo foi um símbolo de medo e aprisionamento para mim, agora não passava de ruínas.A batalha foi feroz.Houve perdas.Mas nós vencemos.Astris se foi.Minha família perdeu seu domínio.Meus pais e meu cunhado foram presos, todas as pessoas próximas do castelo souberam o que minha família fez e bom, eles iriam pagar por isso, na prisão, para sempre. E, mais importante…Davian estava vivo.Assim que tudo terminou, nós voltamos para casa.Ou melhor…Para o lugar que eu finalmente podia chamar de lar.***Desde o momento em que saímos da guerra, Davian e eu simplesmente não conseguimos nos desgrudar.Ele estava sempre perto.Seja segurando minha mão, me puxando para o seu lado enquanto andávamos, ou até mesmo apenas encostando nossos ombros quando sentávamos juntos.E eu também não fazia questão de me afastar.Depois de tudo, tudo o que eu queria era sentir o
Elaris StinsA escuridão se dissipou ao meu redor, mas eu ainda podia senti-la, pulsando dentro de mim como uma segunda pele.Ela já não me assustava mais.Porque agora…Eu era a escuridão.Astris, ou melhor, sua alma, se contorcia dentro da redoma negra que a prendia.Ela gritava, se debatia, tentando escapar, mas era inútil.A escuridão se enroscava nela como correntes invisíveis, consumindo-a aos poucos, absorvendo tudo o que ela era.— Elaris… — sua voz estava distorcida, desesperada.Mas não havia mais volta.Não havia redenção.E eu não me importava.Minhas mãos se fecharam lentamente, e a sombra apertou sua existência como se estivesse esmagando algo frágil.E então, com um último grito de puro terror…A alma de Astris foi devorada.O corpo do meu cunhado caiu pesadamente no chão, inerte.Sem ela para possuí-lo, ele estava inconsciente.Eu respirei fundo, tentando me recompor, e então senti algo mudar no ar.Uma onda de energia se espalhou pelo campo de batalha, suave, reconfor
Elena Winslow QuimbyO campo de batalha estava um caos.Espadas se chocavam, uivos ecoavam pelo ar, e o cheiro de sangue e magia pairava sobre tudo como um nevoeiro sufocante.Meus movimentos eram calculados, rápidos, cortando qualquer inimigo que ousasse cruzar meu caminho.E Zane?Ele não saía do meu lado por nada.Cada golpe meu era acompanhado por um golpe dele, como se estivéssemos em perfeita sincronia.Então…Algo mudou.Uma luz intensa explodiu no meio do campo.Brilhante.Cegante.Minha visão se preencheu por um brilho dourado ofuscante, e quando consegui piscar e me recompor, o que vi fez meu coração parar.Meus homens.Meus guerreiros.Eles estavam…Se desfazendo.Transformando-se em pó.Cada fibra do meu corpo gelou.— O que…?Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele apareceu.No meio da destruição.Caminhando tranquilamente pelo campo, como se fosse o dono do mundo.Um homem loiro, com um sorriso preguiçoso nos lábios e uma aura dourada ao seu redor.E
Davian Deane. A dor era insuportável.A cada batida do meu coração, o buraco onde antes estava meu olho latejava como se alguém estivesse enfiando uma lâmina quente ali repetidamente, como se desejasse me torturar de uma forma contínua e irritante.Já fazia quase um dia inteiro.E nada tinha diminuído o tormento.Dellan tentou ajudar. Tentou estancar o sangue, tentou limpar o ferimento com o pouco de água suja que tínhamos, tentou até falar merda para me distrair.Mas nada funcionava.Porque, no fim das contas…Uma parte do meu corpo tinha sido arrancada.E, claro, nem mesmo um maldito remédio me deram para aliviar a dor. Nem mesmo um único segundo de anestesia, eu não conseguia adormecer e a dor não era forte o suficiente para me apagar.Era como se eu estivesse condenado a agonizar, divertir aqueles desgraçados que haviam nos capturado e jogado ali.Não que eu esperasse que eles fizessem algo para ajudar.Se eu achava que eles me deixariam confortável depois do que fizeram?Eu seri
Astris Os dias estavam passando.E nada.Nenhuma resposta da alcateia de Zane.Nenhuma tentativa de negociação.Nenhuma palavra de Elaris.Isso estava começando a me irritar.Eles realmente achavam que podiam me ignorar?Que podiam simplesmente se esconder e esperar que eu desistisse?Que tolos!Se não queriam se mover, então eu mesma os faria agir.***Os corredores das masmorras eram frios, úmidos e impregnados com o cheiro de decomposição e ferrugem.O som dos meus passos ecoava pelas paredes de pedra enquanto eu caminhava, acompanhada por dois guardas, um de cada lado.Em minha mão, segurava algo pequeno e afiado.Uma faca.Eu girava o cabo entre os dedos conforme avançava, sentindo a lâmina deslizar suavemente contra a minha pele.Quando cheguei diante da cela, parei e observei os dois prisioneiros.Dellan estava sentado contra a parede, de olhos fechados, como se tentasse ignorar a imundície ao seu redor.Já Davian…Ele estava sentado no chão, os braços pesados pelas correntes
Davian Deane Eu tentei.Eu realmente tentei.Mas nada, absolutamente nada, funcionava.A cela estava trancada com algum tipo de encantamento.Toda vez que eu tentava me transformar em sombra para escapar, sentia uma barreira invisível me puxando de volta, como se estivesse preso em uma armadilha mágica.Eu já tinha tentado forçar as correntes, chutado as grades, até usado minha própria força bruta para tentar derrubar a porcaria da porta.Nada.E foi aí que a realidade finalmente me atingiu.— Isso é sério? Agora eu que sou a porcaria da donzela em perigo?Eu soltei um suspiro exasperado, apoiando a cabeça na parede fria de pedra atrás de mim.Isso me lembrava tanto da vez em que Zane foi feito prisioneiro que quase doía de ironia.Eu zombei tanto dele naquela época.E agora?O universo decidiu que era minha vez.Minha expressão azedou ainda mais.Então, um movimento ao meu lado me fez desviar o olhar.Dellan soltou um gemido baixo, se mexendo no chão antes de abrir os olhos lentamen







