เข้าสู่ระบบClara apareceu na porta do quarto pouco depois, caminhando com passos lentos e incertos. Em suas mãos, segurava firme uma pequena caixa de papelão gasta pelo tempo, com as bordas amassadas e levemente desbotadas. O silêncio no ambiente era denso, carregado pela expectativa do que ainda poderia surgir das sombras daquela família.— Encontrei isso entre as coisas que a minha mãe deixou guardadas — disse Clara, mantendo o olhar fixo no papelão.Helena levantou os olhos das anotações espalhadas sobre a mesa e observou a irmã com atenção, sentindo uma pontada imediata de apreensão no peito.— Você chegou a abrir? — perguntou ela, inclinando o corpo para a frente.— Não — respondeu Clara, balançando a cabeça devagar. — Tive medo do que poderia encontrar lá dentro.Rafael, que até então observava a rua escura através da janela, aproximou-se em silêncio. Clara caminhou até o centro do cômodo, colocou a caixa sobre a mesa de madeira, bem ao lado dos papéis de Helena, e soltou o ar devagar, pux
Helena espalhou as folhas sobre a mesa de madeira do quarto, ajustando a pequena luminária de cabeceira para clarear os cantos amarelados dos papéis. Voltou às anotações antes de tentar dormir. Havia uma dúvida incômoda que a perseguia desde a conversa com Augusto. O nome de Vittorio aparecia em documentos antigos, fotografias de época e registros bancários, mas quase nunca surgia sozinho. Sempre havia alguém ao lado dele, assinando contratos ou compartilhando as sombras.Ela pegou a fotografia tirada na noite em que tinha apenas cinco anos. No enquadramento desgastado, quatro rostos se destacavam sob a luz fraca de um salão: Vittorio, Augusto, sua mãe e, no canto de uma folha antiga presa ao verso do porta-retratos, uma sequência de nomes parcialmente apagados pelo tempo e pela umidade.Helena aproximou a imagem da lâmpada, forçando a vista. Um sobrenome permanecia perfeitamente legível, cravado na folha como uma marca indelével.Valente.Um arrepio frio percorreu sua espinha. André
— Mãe? — Helena repetiu a palavra como se ela tivesse sido dita em uma língua completamente desconhecida, a voz falhando diante do impacto.Rafael continuava estático diante da televisão desligada, a tela refletindo as sombras do apartamento.— Quem era? — perguntou ele, virando-se devagar.— Eu não sei.— Qual era o número no visor?Helena baixou os olhos para a tela do celular.— Privado.— Você reconheceu a voz, Helena?— Não — sussurrou ela, negando com a cabeça.Nesse instante, Augusto surgiu sob o batente da porta da sala.— Quem ligou? — perguntou ele, com o olhar atento.Helena virou-se para ele, sentindo o peito apertar.— Uma mulher.— E o que ela disse?— Que era a minha mãe.Augusto ficou pálido no mesmo segundo. Foi uma reação sutil, quase imperceptível, mas que não passou despercebida por Helena.— Você conhece essa voz — afirmou ela, dando um passo em direção a ele.— Não — disse ele, recuando levemente.— Augusto...— Eu não conheço voz nenhuma!— Você está mentindo!E
Helena não conseguiu pensar racionalmente. Pegou o celular com as mãos trêmulas e viu a notificação: uma chamada perdida vinda do número fixo do seu próprio apartamento em Londres. Discou de volta imediatamente, mas o sinal ecoou até a ligação cair no vácuo. Ninguém atendeu.— Ele está lá — disse Augusto, quebrando o silêncio tenso.— Como sabe? — Helena virou-se para ele, sentindo o peito oprimir.— Porque foi ele quem me mandou aqui.Rafael deu um passo à frente, com o olhar faiscando de raiva.— Alessandro mandou você?— Sim.— Por quê?Augusto baixou a arma devagar, guardando-a no casaco.— Porque ele quer que vocês encontrem a última peça.Matteo respirou fundo no canto do corredor, abalado.— Augusto...— Chega — cortou Augusto, olhando diretamente para Helena. — Você quer saber quem é seu pai?Ela assentiu em silêncio, tomada por um nó na garganta.— Então precisa ir até o apartamento.— Por quê?— Porque a resposta está lá.— E se for uma armadilha?Augusto respondeu sem hesit
— Helena?Ela continuava em silêncio. Do outro lado da linha, a respiração de Rafael parecia tão ruidosa quanto a dela.— Helena, você está aí? — insistiu ele.Ela finalmente conseguiu encontrar a própria voz:— Estou.— Você ouviu tudo o que a gravação dizia?— Ouvi.— Então você entendeu o tamanho da loucura em que estamos pisando.— Não — a resposta de Helena saiu imediata, seca e sem qualquer margem para dúvidas. — Não entendi nada.— O que exatamente você não entendeu?— Tudo, Rafael! — Ela levantou da cama num impulso e começou a andar de um lado para o outro pelo quarto escuro, apertando o telefone contra a orelha. — Durante meses, cada pessoa que cruzou o meu caminho me contou uma versão convenientemente diferente da minha própria vida. A minha mãe, o Augusto, a Isabella, o Alessandro, o Daniel... E agora você me liga do aeroporto dizendo que o seu pai deixou um arquivo gravado garantindo que você não é filho do Vittorio.— Eu sei o quanto isso soa absurdo.— E ainda existe um
Helena recebeu a ligação às 4h37 da manhã. O sobressalto do toque agudo do celular cortou o silêncio do quarto escuro, fazendo-a despertar num pulo. Com as mãos trêmulas, pegou o aparelho na mesa de cabeceira.Era Rafael.— Helena? — a voz dele veio abafada, sobreposta pelo ruído metálico de fundo.Helena sentou-se na cama, puxando o lençol contra o peito enquanto tentava afastar o torpor do sono.— Onde você está?— No aeroporto.— Você ainda não embarcou? — perguntou ela, a preocupação fazendo sua voz falhar.— Não.— Por quê, Rafael? O que aconteceu?— Porque eu encontrei uma coisa antes de passar pelo portão.Helena ficou em silêncio por um segundo, sentindo uma pontada de ansiedade na espinha.— O que você encontrou?— Um arquivo oculto no computador que era do meu pai.O coração de Helena acelerou imediatamente no peito.— O que tem nesse arquivo?— O seu nome.— O meu nome?— O seu e o meu.A respiração de Helena trancou na garganta. O frio no estômago espalhou-se por todo o se







