Share

Capítulo 2

Author: J.P Andrade
last update publish date: 2023-05-01 08:18:14

Quando abriu os olhos sua visão estava turva e todo o seu corpo doía.

— Sra. Valois? Consegue me ouvir?

Diante dela estava um homem de cabelos grisalhos e com um jaleco branco.

— Onde...— tentou perguntar, porém, sentia-se tão fraca...

— A Sra. está no Hospital Provence Aligre, foi uma das vítimas da explosão no restaurante Picardie-Baux. — Informou o médico de plantão.

Rosalie se sentia ainda confusa, e ao ouvir aquelas coisas tentou se sentar, mas sentiu uma forte dor na lateral do corpo e na cabeça.

Ela gemeu de dor e o médico se aproximou.

— Não se mexa, quebrou várias costelas e ficou em coma durante dois dias.

Rosalie Valois arfou ao sentir a dor alucinante em seu corpo e cabeça.

Uma semana em coma?

Ela olhou ao redor e viu o quarto branco e vazio, e pensou em Duncan.

— Onde está meu marido?

Quando o olhar do médico vacilou, ela gritou um sonoro não.

Como se pudesse negar a verdade estampada em seu rosto.

— O Sr. Valois suportou todo o impacto da explosão, seu corpo foi encontrado protegendo a Sra.

Não...

Não...

Duncan...

Rosalie se sentiu cortada em mil pedaços, jogada na escuridão de um mundo sem Duncan Valois, o homem que conhecia desde os sete anos.

Ela se permitiu chorar após a saída do médico.

Chorou completamente paralisada no leito, até que seus filhos vieram buscá-la no dia seguinte.

Quando chegou em casa ela providenciou o funeral de seu marido para o dia seguinte.

A mulher entrou no quarto e se deitou na cama, mergulhando na dor do luto.

Na manhã seguinte Rosalie e seus dois filhos seguiram de carro para o funeral de Duncan Valois.

Na entrada do cemitério ela viu os acionistas do Grupo Empire, e os ouviu falar negativamente de Duncan.

Ela olhou para seus dois filhos e só conseguiu pensar que precisava ser forte.

A mulher olhou para o caixão preto na cova e não ouviu nada do que o padre dizia sobre o falecido.

Só pensava em uma coisa.

Duncan estava morto.

Morreu se jogando em cima dela, a protegendo com seu próprio corpo.

— É uma viúva agora, espero que entenda sua posição, Rosalie.

Rosalie desviou seu olhar do caixão para o rosto de Louie Valois, irmão mais novo de Duncan.

— O que disse? — perguntou-lhe.

O homem que não era tão alto como Duncan havia sido, a olhou nos olhos.

Seus olhos azuis eram astuciosos e frios.

Ele tirou uma mecha de cabelo negro da testa e perguntou em tom malicioso:

— Quem cuidará de você, agora que Duncan se foi?

Ela abriu e fechou a boca, sem ter certeza de que ouvira direito.

Louie vestia um terno preto, ele passou as mãos levemente no terno quando algumas folhas caíram de uma arvore.

— O que está insinuando? — questionou a viúva.

O homem diminuiu a distância entre eles, fazendo com que seus rostos ficassem próximos demais.

Aquilo foi tremendamente desconfortável.

— Seja minha mulher. É isso que estou insinuando, Rosalie Valois. Se submeta a mim, sendo uma esposa obediente e leal, caso contrário arque com as consequências.

Ela desferiu um tapa contra Louie, que não reagiu.

Isso atraiu todos os olhares.

O caixão de Duncan já havia sido sepultado e todos os presentes olharam para a cena que se desenrolava.

— Como ousa? Seu infeliz! — Esbravejou a viúva.

Seu sangue fervilhando.

— Meu pedido de casamento foi cedo demais? — Provocou Louie, o sarcasmo obscuro em cada palavra.

Bastien e Angelika reagiram ao ver a cena desastrosa.

Os adolescentes expulsaram seu tio com seu coração partido, o levando para fora do cemitério.

Rosalie voltou seu olhar para a sepultura enquanto os presentes se dispersavam, ela caminhou e se ajoelhou diante.

Lentamente tocou a terra onde Duncan descansaria.

— Você jurou, Duncan você jurou que nem a morte, te faria me deixar... — A mulher sussurrou.

[...]

O homem despertou gritando um nome.

Ele segurou as cobertas com força e se ouviu gritar "Rosalie" mais uma vez.

Quando olhou ao redor viu que não estava mais em meio ao fogo, e sim em um quarto luxuoso.

Havia inúmeros móveis de mogno e as paredes eram cinza.

A porta se abriu e um homem vestido com um uniforme entrou.

— Sr. Lecomte, está tudo bem?

Foi como levar um soco no estômago, ele piscou várias vezes e se levantou da cama.

Havia um espelho gigante na parede, ele olhou nos olhos verdes de François Lecomte.

CEO do grupo Lecomte, seu concorrente no mercado de autopeças internacional.

Duncan gritou.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 100

    Ele tocou levemente o rosto de Rosalie, e embora ela soubesse que ele se sentia culpado pelo que dissera, ela havia compreendido perfeitamente o seu sentimento. Seus dedos deslizaram suavemente pela pele dela, traçando o contorno de suas bochechas, como se quisesse apagar todas as palavras ditas sob o peso do desespero. Seus olhares se encontraram, revelando uma conexão profunda e inquebrável, forjada nas provações que enfrentaram juntos ao longo dos anos.Rosalie, por sua vez, revivia em sua mente os momentos em que se sentiu sozinha e sem forças, quando Duncan se afastou. Embora fosse uma mãe dedicada, com filhos que dependiam dela, esses momentos de solidão a haviam feito sentir uma fraqueza interior, uma sensação de vazio que parecia não ter propósito. Ela tinha lutado com determinação, mas não podia negar as cicatrizes emocionais que aquelas separações haviam deixado.A mulher olhou para ele por mais alguns segundos, seus olhos refletindo uma mistura de sentimentos. As palavras e

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 99

    Naquele momento terrível, Duncan experimentou uma dor alucinante, uma agonia que parecia transcender os limites da própria compreensão humana. O impacto brutal contra a parede foi como uma avalanche de sofrimento, uma força devastadora que lhe roubou o fôlego instantaneamente. Mesmo que seus pulmões se debatessem em busca de ar, a respiração lhe foi negada, afogando-o em um silêncio angustiante.Todavia, em meio ao mar agitado de sensações avassaladoras, seu único pensamento persistente era o vazio angustiante de suas mãos.Em sua mente, ele revivia o momento em que desesperadamente tentara erguê-las na direção de Rose, uma tentativa desesperada de protegê-la, de assumir parte do impacto da explosão iminente e da parede que se aproximava perigosamente. Mas o destino, caprichoso e implacável, o lançou em direção à parede em uma fração de segundo, separando-o da mulher que amava. Enquanto sua visão turvava e o mundo girava ao seu redor, a única imagem que lhe restou foi a de suas mãos,

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 98

    Ele podia perceber no olhar de Rosalie uma mistura de emoções, incluindo trauma e arrependimento, e entendia que as cicatrizes emocionais do que havia acontecido eram profundas. No entanto, ele não se permitia sentir arrependimento por suas escolhas, pois elas os haviam conduzido até aquele momento crucial em suas vidas.Observou atentamente quando Rosalie desviou o olhar para suas próprias mãos, como se evitasse encará-lo diretamente. Era nesse gesto que ele reconhecia um sinal de que ela estava lidando com questões internas, questões que haviam surgido desde que ele tomara decisões que jamais imaginara tomar.Havia uma escuridão que se infiltrara em sua alma, algo que ele enfrentara ao longo de uma jornada tortuosa e cheia de perigos. Ele se sentia como alguém navegando em um mar negro, lutando contra criaturas aterradoras e monstruosas, e agora compreendia que, de certa forma, havia se transformado em uma delas. As escolhas que fizera haviam cobrado seu preço, e ele não podia volta

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 97

    Rosalie viu tudo ao seu redor acontecer tão lentamente que, por um momento, ela acreditou que era ela a levar o tiro. A cena se desenrolou diante de seus olhos como um filme em câmera lenta, e a sensação de iminente despedida pairou no ar.Era ela a partir daquele mundo, e tudo em que conseguiu pensar foi que era justo que sua última visão fosse o rosto do homem que amava com tanta força. Seu coração parecia congelado em seu peito enquanto enfrentava o que parecia ser o fim iminente. Ela só lamentou não poder ver o rosto das crianças uma última vez, mas naquelas circunstâncias, era uma dádiva que eles não estivessem ali, poupando-os dessa cena de violência e perigo.Então, ela caiu para trás, seu corpo sendo puxado por Louie, e ambos bateram com força contra o chão frio e duro. A dor de seu impacto foi como um choque em seu corpo, mas a adrenalina ainda bombeava forte em suas veias.Rosalie ainda sentia as mãos de Louie sobre ela, sua presença dominando seu campo de visão, e apenas qu

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 96

    O olhar de Duncan estava vermelho, e seu corpo estava cheio de adrenalina quando o corpo inerte do homem caiu ruidosamente no chão, inundando-o com um alívio profundo. Finalmente, o homem que havia orquestrado sua morte estava agora sem vida, seu plano nefasto completamente frustrado. No entanto, essa vitória amarga era obscurecida pela angústia que sentia pela incerteza do paradeiro de Rosalie.A notícia de que ela não estava mais presente na casa de Victor o dilacerou, mas Duncan não estava disposto a se render à desesperança. O som distante de tiros ecoou mais uma vez, proveniente do térreo, indicando que os homens leais a Victor ainda resistiam, como obstáculos persistentes em seu caminho. Determinado a resgatar sua amada, ele se virou e saiu pelo corredor, acompanhado por seus leais companheiros. Duncan mantinha sua arma firmemente em mãos, pronto para enfrentar qualquer obstáculo em seu caminho.Ao chegarem à metade do corredor, foram surpreendidos por homens leais a Victor, e o

  • O retorno do magnata francês.   Capítulo 95

    Rosalie foi arrastada com brutalidade para um quarto que mais parecia uma prisão, onde um vai e vem constante de mulheres entravam e saíam, como se estivessem participando de um sinistro ritual. O ambiente, apesar de espaçoso, transmitia uma sensação de opressão. As paredes claras, embora belas, pareciam se fechar sobre ela, tornando o espaço ainda mais claustrofóbico. No centro do quarto, uma majestosa cama de dossel dominava a cena, e um espelho grande e luxuoso, refletindo a agonia nos olhos de Rosalie, adornava uma das paredes.No canto do quarto, estrategicamente posicionado como um troféu sinistro, encontrava-se um longo vestido de noiva, uma obra-prima de seda pura. O busto do vestido era esculpido com precisão, um corte reto que se desdobrava elegantemente em uma cauda longa, que fluía como um rio de cetim.Rosalie não precisava de explicações para compreender o que estava acontecendo com ela naquele momento angustiante.Enquanto uma das mulheres, com mãos ágeis e impiedosas,

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status