LOGINVictoria deixou três pastas, um computador e um copo de café caírem sobre a mesa da sala.—Preciso de um escritório.Darío levantou os olhos do telefone.—Bom dia para você também.—Bom dia. Preciso de um escritório.—Você tem um estúdio inteiro na casa nova.Victoria olhou para ele como se acabasse de dizer uma estupidez.—A casa nova continua com pedreiros entrando e saindo, não temos luz em metade dos cômodos e ontem encontrei um vaso sanitário no meio do que será nossa sala.—É temporário.—O vaso sanitário também, espero.Darío deixou o telefone de lado.Eram pouco mais de sete da manhã. Victoria estava acordada desde as cinco, revisando pela terceira vez as regras do edital da Phoenix Capital.Faltavam onze dias para se
—Como assim você está morando com ele?Nuria deixou o catálogo de arranjos florais sobre a mesa com tanta força que uma das amostras de tecido caiu no chão. Victoria permaneceu sentada diante dela, na sala da mansão, enquanto Darío ocupava o sofá à sua direita. León escolhera uma poltrona próxima e fingia verificar as mensagens em seu telefone.—Exatamente como ouviu, mamãe. Estou morando com Darío.—Mas vocês ainda não se casaram.—Faltam menos de duas semanas.—Doze dias —corrigiu Nuria—. Tempo suficiente para manter um pouco de decência e seguir certos costumes.Victoria olhou para Darío. Ele mantinha um braço estendido sobre o encosto do sofá, atrás dela, e a expressão de quem fazia um esforço considerável para não intervir.&m
—Não sabia que agora você também tinha uma porteira —disse Alex quando Victoria abriu a porta.Ela estava descalça, com o cabelo preso de qualquer jeito e uma xícara de café na mão. Acabara de acordar e não estava com disposição para ouvir provocações antes do café da manhã.—E eu não sabia que você precisava marcar hora para visitar Darío. Bom dia, papai.León demorou a responder. Seu olhar passou de Victoria para os livros de arquitetura empilhados sobre uma cadeira e, depois, para os sapatos femininos junto à entrada.—Bom dia, filha.Alex entrou atrás dele e voltou a olhar para os sapatos.—Você está morando aqui?—Não. Meus livros chegaram sozinhos e eu vim me assegurar de que não roubassem a cafeteira.Darío apareceu
A mala com a qual Victoria passara uma semana entrando e saindo do apartamento caiu sobre o tapete do closet. Ela parou diante dos armários abertos.Darío havia levado a bagagem até ali em vez de deixá-la ao lado do sofá, como nas outras noites. Victoria entendeu o motivo assim que viu o espaço que a esperava.Do lado esquerdo estavam os ternos de Darío, suas camisas escuras e uma fileira de sapatos que parecia nunca ter pisado em uma rua. Do lado direito não havia nada. Gavetas vazias, prateleiras limpas e mais de vinte cabides esperando por roupas.—O que você fez?Darío continuava apoiado no batente da porta, com a gravata frouxa e as mãos nos bolsos.—Abri espaço.—Isso eu já percebi. Por quê?—Porque quero que você more aqui enquanto terminamos a casa.Victoria se virou para ele.—E se
—Se isto acabar sendo outra reunião surpresa, juro que vou pedir o divórcio antes mesmo de nos casarmos.Victoria estava com os olhos cobertos por uma venda escura e os braços cruzados no banco do passageiro da caminhonete. Haviam deixado para trás as ruas de Andraka meia hora antes. Para piorar, seu telefone não parava de vibrar dentro da bolsa com mensagens de Nuria, exigindo decisões urgentes sobre uma infinidade de detalhes com os quais Victoria não se importava.Darío soltou uma gargalhada rouca, girando o volante com apenas uma das mãos para fazer uma curva na estrada de terra.—Que temperamento. Nem sequer assinamos a certidão e você já quer ficar com metade das minhas ações.—Suas ações, não. A cafeteira do seu apartamento, sim —retrucou ela, ajeitando-se no banco—. Além disso, minha mãe está há três dias me perseguindo com catálogos de arranjos de mesa. Se você me trouxe a um viveiro para me obrigar a escolher flores de surpresa, já vou avisando: vou saltar do carro em movime
Nuria estava há quinze minutos discutindo as sutis diferenças entre uma toalha de mesa branca de linho egípcio e outra de cor pérola, mas Victoria mal a escutava. Sua atenção estava fixa do outro lado das portas da biblioteca.Do lado de fora, nos jardins iluminados, Darío caminhava de um lado para o outro com o telefone encostado no ouvido, acertando os últimos detalhes do controle de danos na mídia. Dentro da casa, o conflito era bem diferente.Celeste digitava em seu laptop com uma pressa quase mecânica. Alex, sentado diante dela, do outro lado da escrivaninha de mogno, não tirava os olhos dela.Victoria reconhecia aquela atitude defensiva na postura tensa de Celeste. Ela e Darío quase haviam se destruído fazendo exatamente a mesma coisa: afastando-se antes de serem abandonados, erguendo muralhas de gelo e fingindo que o trabalho era a única coisa que importava.—Você está prestando atenção em mim, Victoria? —perguntou Nuria, franzindo a testa enquanto olhava seu tablet, incomodada







