INICIAR SESIÓN—Você está grávida.
Victoria soltou uma gargalhada.
—Claro.
Jessil não riu.
—Estou falando sério.
—E eu também. Cale a boca.
—Você está há dez minutos olhando para esse café como se ele tivesse insultado você.
—Ele me dá nojo.
—Exatamente.
Victoria empurrou a xícara.
Haviam se passado quase dois
—Papai, não!O grito atravessou a casa. Victoria levantou os olhos do computador. Silêncio. Depois, ouviu a voz de Darío.—Não conte à sua mãe.Victoria fechou os olhos.—Darío.Outro silêncio. Pequenos passos correram pelo corredor. Uma menina de dois anos e meio apareceu no escritório com chocolate ao redor da boca.—Mamãe.Victoria olhou para a mancha.—O que você comeu?A pequena escondeu as mãos atrás das costas.—Nada.—Victoria.Darío apareceu atrás dela.—Antes que tire conclusões...—Ela está com chocolate até nas sobrancelhas.—Foi um acidente.—Como alguém come chocolate por acidente?Darío olhou para a filha. A menina olhou para ele. Nenhum dos dois respondeu.Victoria se levantou.—Vocês dois são péssimos mentirosos.—Ela herdou isso de você.—Claro.A pequena correu até Victoria.—Vovô deu.Victoria levantou os olhos.—León!Do terraço, ouviu-se:—Não me envolvam nos problemas de vocês!Darío sorriu.—Caso resolvido.Três anos. Haviam se passado três anos desde aquele te
—Por que não se ouve nada?Darío estava de pé ao lado da maca, com os braços cruzados. A médica nem sequer levantou os olhos.—Porque ainda não liguei o som.Victoria cobriu o rosto.—Perdoe-o.—Estou fazendo uma pergunta.—Você está fazendo perguntas desde que entramos.—Foi para isso que viemos.A médica sorriu.—Senhor Montenegro, preciso que me permita trabalhar.Darío fechou a boca, mas isso durou aproximadamente vinte segundos.—É isso?A médica moveu o transdutor.—Sim.Victoria parou de respirar.Na tela havia uma pequena forma que ela mal conseguia compreender. Não parecia um bebê, não como os das fotografias, mas estava ali.—Está tudo bem? —perguntou Victoria.A médica aponto
—Você está grávida.Victoria soltou uma gargalhada.—Claro.Jessil não riu.—Estou falando sério.—E eu também. Cale a boca.—Você está há dez minutos olhando para esse café como se ele tivesse insultado você.—Ele me dá nojo.—Exatamente.Victoria empurrou a xícara.Haviam se passado quase dois meses desde que vencera o concurso da Phoenix e sua vida se transformara em uma loucura.Entrevistas, contratos, reuniões, novos clientes. Pessoas que, algumas semanas antes, a chamavam de oportunista agora queriam contratar o Estúdio Armand.Era hipócrita. Também eram negócios, e Victoria pretendia aproveitar aquilo.—Estou cansada —disse.—Também está pálida.—Durmo cinco horas.
—Retiramos o jardim.—Não.—Victoria, são quase dois milhões.—Não.—Então mudamos a fachada.—Também não.A arquiteta júnior deixou o lápis cair.—O que diabos você quer que eliminemos?Victoria olhou para as plantas abertas sobre a mesa. Estavam trabalhando havia dezenove horas. Tinham dormido talvez duas, havia café frio por toda parte e alguém deixara metade de um hambúrguer sobre uma amostra de concreto.Os oito por cento continuavam ali.Malditos e intocáveis.—Precisamos parar de cortar —disse Victoria.—O quê?—Estamos procurando coisas para eliminar.—Porque precisamos reduzir os custos.—Não necessariamente.Ela se aproximou da tela.—Precisamos reduzir o custo fina
O telefone de Victoria não parou de tocar durante quase vinte minutos. Primeiro foram as mensagens de sua equipe, depois chegaram as de sua família e, por fim, começaram a aparecer as notificações da imprensa.Victoria continuava sentada sobre uma pilha de materiais, com o capacete na cabeça e poeira até nas calças, quando abriu a primeira notícia.VICTORIA ARMAND, ENTRE OS TRÊS FINALISTAS DO CONCURSO DA PHOENIX CAPITAL.Aquilo estava bom.A segunda, nem tanto.A ESPOSA DE DARÍO MONTENEGRO PODERÁ FICAR COM O CONTRATO MILIONÁRIO DA PHOENIX.Victoria apertou os lábios.—Começamos.—O quê? —perguntou o engenheiro.—Nada.Guardou o telefone. Havia prometido que aquilo não lhe importaria. Mentira, importava. Incomodava-a que nove dias sem dormir, centenas de alteraçõ
Victoria acordou porque alguma coisa fazia cócegas em suas costas. Abriu um olho. Darío estava com o rosto enterrado contra seu pescoço e uma das mãos debaixo do lençol, abraçando-a pela cintura.—Que horas são?—Não importa.—Isso significa que está tarde.—Estamos em lua de mel.Victoria procurou o telefone sobre a mesa. Darío a segurou antes que pudesse alcançá-lo.—Nem pense nisso.—Tenho um escritório.—Tem um marido.—O escritório existia primeiro.Darío levantou a cabeça.—Isso é tecnicamente falso.—O escritório de arquitetura, sim. Você é mais velho.—Victoria...Ela riu e conseguiu se esticar até pegar o telefone.Onze e dezessete.Tinha vinte e trê







