LOGINO edifício do Grupo era uma fortaleza de vidro e aço que parecia tocar o céu. Alana, que nunca havia pisado ali, sentiu o peso da própria insignificância. Diante daquele fluxo frenético de executivos e da sofisticação impecável das recepcionistas, ela entendeu por que Daniel a via apenas como uma "dona de casa" descartável. O abismo entre o império dele e a vida que ela tentava reconstruir era monumental.
Com a respiração pesada pela vergonha, ela se refugiou em um canto do saguão e ligou para Freitas.
— Senhora? — a voz dele soou surpresa.
— Freitas, estou no saguão. Eu trouxe os documentos que o pai do Daniel pediu. Você poderia descer para...?
— Estou em uma reunião agora, senhora — interrompeu Freitas, apressado. — Vou providenciar para que alguém a busque imediatamente.
Antes que Alana pudesse protestar que não queria subir, a linha caiu. Dois minutos depois, uma secretária a conduziu ao elevador. Alana tentou entregar a garrafa térmica e os papéis ali mesmo, mas a instrução foi clara: "Não temos autorização para manusear documentos confidenciais. A senhora deve entregá-los pessoalmente ao Presidente."
No gabinete da presidência, Daniel acabara de encerrar uma sessão exaustiva. Ele afrouxava a gravata com irritação quando Freitas anunciou a chegada de Alana. As sobrancelhas dele relaxaram por um milésimo de segundo; em sua mente arrogante, o aparecimento dela era a prova de que ela usaria qualquer desculpa — até a sopa do pai — para rastejar de volta.
— Adie a próxima reunião por meia hora — ordenou Daniel. Ele queria tempo suficiente para que Alana admitisse seus "erros" e implorasse para voltar.
Enquanto isso, Alana subia, ouvindo da secretária sobre como o Presidente estava exausto, vivendo à base de café e sofrendo com crises estomacais. O coração de Alana, treinado por dois anos de cuidado, deu um solavanco de preocupação, mas ela logo sufocou o sentimento.
Ao entrar na sala monumental, decorada em tons de cinza escuro que exalavam a mesma frieza de Daniel, ela o encontrou vazio. O perfume dele, amadeirado e marcante, inundava o ar, trazendo memórias de noites que ela preferia esquecer. Ao se aproximar da mesa para deixar os pertences, viu um paletó amassado sobre a cadeira. Por puro instinto, ela o pegou para organizar, como fizera mil vezes antes.
Foi nesse momento que a porta se abriu com estrondo.
Mariela entrou, deslumbrante em uma camisa de seda preta e meias finas que realçavam suas pernas. Ela avançou como uma leoa protegendo seu território e arrancou o paletó das mãos de Alana com um puxão violento.
— Quem deixou você entrar aqui? — perguntou Mariela, com um olhar de desprezo absoluto, fingindo não reconhecer a mulher que vira no restaurante na noite anterior. — Você é alguma empregada nova da família?
A expressão de Alana obscureceu-se instantaneamente. O "não" que ela pronunciou foi seco, carregado de uma indignação que começava a transbordar.
— Não me importa quem você seja, você não tem permissão para estar aqui e muito menos para tocar nas coisas do Daniel — disparou Mariela, ignorando o aviso e entrando na sala de descanso anexa ao gabinete.
A porta estava escancarada, revelando uma cena que Alana jamais imaginou presenciar. A cama de casal estava desarrumada, um cenário de caos que falava por si só. Roupas masculinas e uma cueca boxer azul-escura estavam espalhadas pelo chão com uma negligência íntima. Mariela começou a recolher as peças com a propriedade de quem domina o território. Foi então que, ao puxar o edredom, um par de meias finas e um sutiã estampado surgiram entre os lençóis.
Alana sentiu o sangue fugir do rosto, substituído por um nó sufocante na garganta. Então era ali que Daniel estava "ocupado"? Enquanto ela se preocupava com a saúde dele e trazia a sopa de seu pai, ele transformava o escritório em um ninho para seus encontros com Mariela. A traição não era apenas um deslize; era uma rotina estabelecida no coração do seu império.
— Por que você ainda está aqui parada? — perguntou Mariela, jogando as peças íntimas em direção ao banheiro com um desdém coreografado.
Alana forçou-se a desviar o olhar da cama, focando no envelope em sua mão.
— Isto precisa ser entregue pessoalmente ao Daniel — disse ela, a voz trêmula, mas firme.
— Me dê isso logo — exigiu Mariela, estendendo a mão com hostilidade, agindo como se fosse a verdadeira dona daquela vida.
Sentindo-se profundamente injustiçada, humilhada e reduzida a um nada naquele espaço que deveria ser, por direito, dela também, Alana caminhou em direção à amante de seu marido. Mas ela não ia entregar o documento; ela ia dar um basta.
"
Mariela sentiu, inconscientemente, um ligeiro desconforto."Aconteceu alguma coisa com Marília?"Alana sussurrou: "Não desligue ainda", e então olhou para Mariela."Se Marília não quiser te ver, você ainda assim a verá?"O corpo de Mariela tremia, e seu rosto ficava cada vez mais pálido e fraco.Ela havia considerado muitas possibilidades, como Marília correndo em sua direção como uma louca e lhe dando dois tapas quando se encontrassem.Ou talvez Marília fique desapontada com ela e se recuse a falar com ela...Espere um minuto, mas ela nunca imaginou que Marília nem sequer a veria!Marília não queria se encontrar, mas Daniel ainda poderia marcar um encontro se ela quisesse.Mas ela hesitou..."Volte a falar comigo depois de ter pensado melhor sobre isso."Alana estava prestes a desligar, então pediu que lhe desse mais tempo para pensar a respeito.Mariela imediatamente colocou a mão na borda da mesa, que estava pendurada ao seu lado. "Eu vejo! Por favor, peça para ele arrumar para mim
O "curtir" de Daniel significa que ele reconheceu a notícia.Como Suzi havia previsto, a captura de tela da notícia que ele havia curtido rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados.A conta pública de Alana foi inundada de comentários, com muitos internautas pedindo que ela respondesse.O telefone dela não parava de tocar, então ela simplesmente desligou todas as notificações e concentrou toda a sua atenção no trabalho.Suzi ficou em casa e não saiu, enquanto ela e Edgar saíram para trabalhar.Dentro da loja, o jeito como Wane e os outros a olhavam mudou.O ponto crucial é que nenhum deles fofocou; eles apenas a olharam com sorrisos cúmplices."Srta. Alana, devo agendar menos viagens de negócios no futuro?"A única ligação entre a vida amorosa de Alana e seu trabalho é se Daniel permitirá que ela faça viagens a negócios.Wane precisa resolver isso para evitar erros mais tarde.“Não precisa, organize como quiser.” Alana entendeu o que ele queria dizer e acrescentou: “Essa no
"Então você deve estar doente!" disse Suzi sem hesitar. "Em plena juventude, você não aceitaria uma mulher que lhe fosse dada de graça?"Edgar ficou atônito, sem conseguir encontrar uma única palavra para respondê-la por um longo tempo.Suzi estava em vantagem naquele momento e se sentia satisfeita consigo mesma. "A propósito, você já teve algum relacionamento na vida?""Não se meta na minha vida!" disse Edgar, irritado."Você está com raiva porque está envergonhada? Você nunca teve um relacionamento antes?" Suzi sorriu. "Pirralho, você já teve uma queda por alguém?"Edgar enrijeceu o pescoço: "Claro que eu... fiz isso!"Suzi ficou interessada. "Colega de classe ou de trabalho? Você está se saindo muito bem agora. Essa pessoa ainda está por aí?""Você nem o conhece." Edgar sentiu-se inexplicavelmente desconfortável."Você vai me conhecer melhor quando me contar, não é?" Suzi se inclinou para mais perto, parecendo preocupada. "Ela é bonita? Talvez você possa me apresentá-la algum dia?"
"Então você deve estar doente!" disse Suzi sem hesitar. "Em plena juventude, você não aceitaria uma mulher que lhe fosse dada de graça?"Henrique ficou atônito, sem conseguir encontrar uma única palavra para respondê-la por um longo tempo.Suzi estava em vantagem naquele momento e se sentia satisfeita consigo mesma. "A propósito, você já teve algum relacionamento na vida?""Não se meta na minha vida!" disse Henrique, irritado."Você está com raiva porque está envergonhada? Você nunca teve um relacionamento antes?" Suzi sorriu. "Pirralho, você já teve uma queda por alguém?"Henrique enrijeceu o pescoço: "Claro que eu... fiz isso!"Suzi ficou interessada. "Colega de classe ou de trabalho? Você está se saindo muito bem agora. Essa pessoa ainda está por aí?""Você nem o conhece." Henrique sentiu-se inexplicavelmente desconfortável."Você vai me conhecer melhor quando me contar, não é?" Suzi se inclinou para mais perto, parecendo preocupada. "Ela é bonita? Talvez você possa me apresentá-la
Alana não caiu na armadilha dele de testá-la."Você pode me emprestar um carro e eu mesmo volto dirigindo."A mão dela está quase totalmente recuperada e ela já pode dirigir.A mão de Daniel, com as veias claramente visíveis, repousava no corrimão da escada, encostada nele, olhando diretamente para ela.Alana contornou-o e desceu as escadas.Pensei que tinha escapado da ambiguidade e do constrangimento causados por aquela investigação.Para surpresa de todos, a sala de estar estava vazia; Henrique e Suzi não estavam em lugar nenhum.Daniel desceu lentamente por trás e parou nos dois degraus.Ele parecia completamente indiferente, parado ali casualmente com as mãos nos bolsos.O olhar dele fez Alana se sentir desconfortável mais uma vez.Alana pegou o celular e ligou para Henrique e Suzi, discando qualquer número que encontrasse.A chamada foi interrompida dois segundos após ser discada.A mesma coisa aconteceu quando eles atropelaram outra pessoa.O tom incessante do celular ressoava
Com a gaze amarrada atrás das costas, Alana agachou-se, ficando de frente para os ombros largos e a cintura fina do homem. Nas áreas não cobertas por gaze, havia grandes áreas de hematomas e inchaço. As pontas dos dedos frias dela percorreram suas costas bem definidas, e seus músculos se tensionaram instantaneamente. Daniel prendeu a respiração por um instante, suas mãos, que estavam ao lado do corpo, se fecharam com força, e seu olhar se tornou extremamente profundo. Alana desatou o nó, levantou-se, envolveu-o com os braços e desfez o embrulho, camada por camada. A respiração dela fez cócegas na nuca dele, e ele se endireitou ainda mais na cadeira. Não era por causa da dor da ferida nas minhas costas, mas sim porque meu corpo estava se tensionando involuntariamente e um fogo caótico estava se acumulando gradualmente na parte inferior do meu abdômen. Ao ver os ferimentos por toda a extensão de suas costas, Alana engasgou em choque. Duas cicatrizes feias percorriam toda







