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Capítulo 6

Author: Pombo do Mar
Os amigos ao lado não perceberam a cena de antes e, já meio bêbados, disseram:

— Camila, você não sabe? A Paula não pode comer peixe, ela é alérgica.

Camila respondeu com indiferença:

— É mesmo?

......

Depois de várias rodadas de bebida, todo mundo já estava um pouco alterado.

Um dos amigos, com o rosto vermelho, disse:

— Otávio, naquela época a gente apostou se você conseguiria se casar antes dos 30. Quem diria que você encontraria o amor verdadeiro tão rápido.

Outro, ainda mais bêbado, estreitou os olhos e riu feito bobo:

— Pois é! A gente sempre achou que você e a Paula eram tão próximos que acabariam se casando.

O rosto da Camila ficou péssimo.

Otávio, de repente, sorriu de canto:

— Como isso seria possível? A gente nunca ficou junto. Somos só melhores amigos.

Ele disse isso rindo, como se fosse uma piada absurda.

Os amigos acompanharam a risada:

— Exato! Agora a gente entende, vocês dois são aquele tipo de amizade pura entre homem e mulher, hahaha!

Eu também ri:

— Isso mesmo. Como eu poderia ficar com o Otávio? Isso é ridículo demais.

Otávio se aproximou e passou o braço pelo meu ombro.

Provavelmente já estava bêbado.

Com o rosto corado e os olhos úmidos, ele inclinou a cabeça e perguntou:

— Você não gosta mesmo de mim, né?

Naquele instante, tentei encontrar alguma coisa no olhar dele.

Mas não havia nada.

Ele só me encarava, como se entre nós realmente existisse apenas aquela amizade que ele dizia.

Sorri de leve:

— Claro que não.

— Ainda bem. — Otávio assentiu, sacudindo meu ombro. — Afinal, nós somos melhores amigos.

Apesar de ter bebido tanto, eu nunca me senti tão lúcida.

Repeti:

— Sim. Melhores amigos.

......

Na manhã seguinte, comprei uma passagem direta para casa.

Antes de embarcar, olhei o celular uma última vez.

Otávio tinha postado no Instagram.

Era uma foto com a Camila, sem legenda alguma, apenas duas mãos entrelaçadas, dedo com dedo.

Uma oficialização. Embaixo, só mensagens de felicitações dos amigos.

Fiquei olhando por um tempo, tirei o chip do celular e joguei no lixo.

......

Voltar pra casa foi mais fácil do que eu imaginava.

Meus pais foram me buscar de carro.

Perto do Natal, as ruas estavam todas enfeitadas com luzes coloridas, e as lojas tocavam [Noite Feliz].

Aqui não era tão movimentado quanto Sol Nascente, mas o cheiro de pólvora deixado pelos fogos espalhados pelo bairro me trazia uma sensação estranha de tranquilidade.

Minha mãe estava radiante.

Afinal, para passar o Natal com o Otávio, fazia três anos que eu não voltava pra casa.

Mas depois de um tempo, ela não resistiu e começou a reclamar:

— Você já vai fazer 30 anos este ano, como ainda não tem namorado? A filha da vizinha é até mais nova que você, e o filho dela já tem vários anos. Eu fui lá outro dia, é tão gordinho, dá vontade de apertar.

— As meninas do meu trabalho estão todas indo a encontros arranjados. Aqui perto apareceu um rapaz outro dia, muito bonito. Depois eu te apresento.

Ela falava enquanto observava meu rosto pelo canto do olho.

Antes, eu detestava ouvir falar de encontros arranjados.

Nesses anos em que gostei do Otávio, tudo em mim girava em torno dele.

Depois daquela relação confusa que começou numa noite de bebedeira, achei que tivesse uma chance, e meus olhos passaram a enxergar só ele.

Por isso, toda vez que minha mãe mencionava encontros, eu ficava irritada e não queria ouvir uma palavra sequer.

Mas dessa vez, olhando os pedaços de papel dos fogos estourados do lado de fora da janela, senti um cansaço profundo.

Eu estava cansada.

Me acalmar, me estabelecer... talvez isso também não fosse algo tão ruim assim.
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