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Capítulo 7

Autor: Pombo do Mar
— Tudo bem.

— Você não precisa ser sempre tão resistente. Eu sei que você gosta daquele Otávio, mas... espera, o que você disse?

Baixei os cílios.

— Eu disse tudo bem. Pode apresentar a gente.

......

Depois do jantar, peguei o celular por hábito e vi que o Otávio estava me ligando pelo WhatsApp.

Eu já tinha trocado de número, mas ainda havia muitos amigos no chip antigo, então, nesses dias, eu ainda entrava nele de vez em quando.

Ele parecia ter esquecido completamente tudo o que tinha acontecido nos últimos dias e falou com naturalidade:

— Por que seu telefone não chama?

Antes que eu respondesse, ele continuou:

— Esquece. As coisas do Natal já estão todas prontas. Tem mais alguma coisa que você quer comprar? Eu peço pro assistente providenciar.

De repente, me lembrei do ano em que a mãe do Otávio tinha acabado de morrer.

Naquele Natal, eu tinha voltado pra casa.

À noite, fiz uma chamada de vídeo com ele, querendo desejar feliz Natal antes da data.

Demorou muito pra atender.

A tela estava completamente escura; só dava pra ver um pontinho alaranjado que ia se apagando aos poucos.

A voz do Otávio saiu rouca:

— O que foi?

Quando a câmera se ajustou à luz, percebi que ele estava sentado na varanda, cercado de garrafas vazias e bitucas de cigarro.

Do lado de fora, havia luzes em todas as casas e fogos de artifício no céu, mas toda aquela animação parecia não ter nada a ver com ele.

Ele apenas ficava ali sentado, observando a plenitude dos outros, fumando sozinho na noite.

Naquele instante, senti uma dor enorme por ele.

Meus olhos arderam, mas forcei um sorriso e disse:

— Vim te desejar feliz Natal antes. Tem presente pra mim ou não?

Ele soltou uma risada baixa. Em seguida, soou o aviso de transferência.

Ele me mandou dez mil dólares.

Fiquei paralisada.

Depois de um longo silêncio, Otávio falou em voz baixa:

— Volta mais cedo, eu...

A frase foi levada pelo vento. Não ouvi o final.

Não sei se ele quis dizer [eu estou sozinho] ou [eu sinto sua falta].

Não pensei em mais nada.

Disse aos meus pais que a empresa tinha uma emergência e comprei a primeira passagem disponível de volta para Sol Nascente.

Às três da manhã, Sol Nascente ainda estava agitada, com luzes por toda parte, carros indo e vindo sem parar.

Mas a casa do Otávio estava toda às escuras.

Subi as escadas ofegante e bati forte na porta:

— Otávio, abre a porta!

Achei que ele já estivesse dormindo, mas não demorou nada para abrir.

Ele me encarou fixamente, com uma expressão rara de surpresa.

Ficou parado à porta:

— Por que você voltou?

Sorri, com os olhos curvados:

— Vim passar o Natal com você.

Otávio não disse nada, apenas continuou me olhando.

Quando comecei a ficar constrangida sob aquele olhar, ele de repente me puxou para um abraço.

Um abraço forte demais, como se quisesse me prensar contra o próprio corpo.

Desde então, todos os anos eu passava o Natal com o Otávio antes de voltar pra casa.

Isso virou um costume silencioso entre nós.

Só não imaginei que, mesmo tendo a Camila ao lado dele, ele ainda fosse me procurar para passar o Natal juntos.

Olhei pela janela e disse em voz baixa:

— Eu voltei pra Porto Azul.

Otávio ficou em silêncio por um instante.

Parecia não ter esperado aquilo.

Depois de um tempo, forçou um tom casual:

— Faz sentido. Você passou tantos anos sem voltar pra casa no Natal... é justo ir ver sua família.

— É. — Segurei o celular com força.

A linha ficou em silêncio dos dois lados. Ao fundo, ouvi vagamente a voz da Camila:

— Otávio, vem rápido! Como regula essa água quente?

— Já vou. — Ele respondeu.

— Então vou desligar. — Apertei os lábios.

— Tá bom. — A voz do Otávio não demonstrava emoção alguma.
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