LOGINEleanor entrou na mansão ainda com a sensação desagradável de que deveria olhar por cima do ombro.As crianças, ao contrário, pareciam ter superado rapidamente a saída inesperada do shopping. A maior preocupação de Tomas continuava sendo o balão do Sonic que a avó prometera comprar e não comprara. Sofia reclamava que nem terminara o sorvete, enquanto Theo tentava explicar que seu joelho precisava de um curativo, embora a pequena marca da queda mal pudesse ser vista.“Vamos subir”, disse a governanta, conduzindo os três em direção à escada.“Eu não quero banho”, Tomas avisou.“Nem eu”, Theo concordou.“Eu quero”, Sofia declarou, apenas para contrariar os irmãos.A governanta suspirou e chamou outra funcionária que passava pelo hall.“Pode me ajudar com
Eleanor estava começando a compreender por que Natasha parecia permanentemente cansada.Cuidar de três crianças ao mesmo tempo exigia uma habilidade que ela definitivamente não possuía.Mesmo contando com a governanta e dois seguranças, aquela simples ida ao shopping já havia se transformado em uma pequena operação. Theo queria entrar em todas as lojas que tivessem brinquedos na vitrine, Sofia parava diante de qualquer coisa cor-de-rosa e Tomas fazia perguntas sobre absolutamente tudo.Ainda assim, Eleanor estava adorando.Os seguranças mantinham uma distância razoável. Ela mesma pedira que não ficassem grudados nas crianças. Não queria assustá-las nem transformar um passeio comum em uma operação militar. Bastava que permanecessem atentos.Depois de comprar algumas roupas que Natasha provavelmente diria que as crianças
Mesmo depois que a ligação terminou, Natasha continuou olhando para o telefone nas mãos de Thorne.A última frase de Terry permanecia em sua cabeça.Alguém poderia ter planejado o acidente de Thorne.Natasha não sabia se acreditava. Depois de tudo o que descobrira sobre Terry, seria ingenuidade aceitar qualquer coisa que ela dissesse sem questionar. Ainda assim, havia desespero demais naquela voz para que conseguisse simplesmente ignorá-la.“O que você vai fazer?”Thorne deixou o telefone sobre a mesa de centro.“Ainda não sei.”Natasha o observou por alguns segundos. Ele parecia perturbado. Não exatamente preocupado com Terry, mas abalado pelo que acabara de ouvir.E, contra toda a lógica, aquilo a incomodou.“Você ficou mexido.”“Ela acabou de dizer que alguém pode ter planeja
Terry segurava o telefone com tanta força que seus dedos doíam.O quarto onde estava escondida mal podia ser chamado de quarto de hotel. As paredes tinham manchas de umidade, o colchão estreito estava coberto por um lençol áspero e uma lâmpada amarelada pendia do teto. Depois de tudo o que vivera nos últimos dias, porém, aquele lugar miserável parecia quase um refúgio.Não sabia por quanto tempo.“Eu acho que a pessoa que armou para mim é a mesma pessoa que planejou o seu acidente de carro.”O silêncio do outro lado da linha durou apenas um instante.“O que você está dizendo?”, Thorne perguntou.Terry fechou os olhos.Não podia explicar.Não naquele momento.“Eu conto tudo quando estiver em segurança.”“Terry, se isso é mais uma mentira...&rdquo
Thorne não disse nada imediatamente.Apenas colocou o telefone no viva-voz e sentou-se no sofá. Natasha acomodou-se ao lado dele, perto o bastante para ouvir tudo, mas permaneceu em silêncio.“Terry?”Do outro lado da linha, houve uma respiração profunda antes que a voz conhecida surgisse.“Thorne... graças a Deus você atendeu.”Ele franziu a testa. Havia alguma coisa diferente na voz dela. Parecia cansada, talvez assustada, mas Thorne já não confiava o suficiente em Terry para acreditar facilmente em qualquer emoção que demonstrasse.“O que você quer?”“Eu preciso da sua ajuda.”Natasha olhou para ele. Thorne sustentou seu olhar por um instante antes de voltar a atenção para o telefone.“Minha ajuda?”“Eu sei que não tenho o direito d
CAPÍTULO 149 — UMA LIGAÇÃO INESPERADAThorne saiu da fisioterapia sentindo um cansaço agradável na perna. Ainda havia dor depois de alguns exercícios, mas nada comparado ao que enfrentara meses antes. Seus movimentos estavam mais firmes, a amplitude aumentara e até o fisioterapeuta demonstrava surpresa com a evolução das últimas semanas.Entrou no carro satisfeito.Estava melhorando.Na verdade, desde que reencontrara Natasha, parecia que várias coisas em sua vida haviam começado a melhorar ao mesmo tempo.Seu psiquiatra já levantara a possibilidade de que parte das dificuldades enfrentadas depois do acidente tivesse um componente psicológico. Tanto a estagnação na recuperação da perna quanto os problemas de ereção poderiam ter sido agravados pelo estado emocional em que Thorne mergulhara







