LOGINLella Nas primeiras voltas, Tyler Vance forçou a passagem por fora na curva dois e jogou poeira no nosso para-brisa. Mas Andrew é frio. Em vez de queimar o composto em uma briga desnecessária logo no início, ele esperou os pneus atingirem a temperatura ideal no asfalto frio de Las Vegas. Quatro voltas depois, costurou a linha de baixo na curva quatro, deu o troco com maestria e deixou Vance para trás, cravando a vitória no Primeiro Estágio. O jogo virou no Segundo Estágio. A pista foi esfriando conforme a tarde avançava, o acerto de Vance casou melhor com a mudança do asfalto e ele conseguiu dar o bote, cruzando na frente na volta 165. A disputa estava insana, no limite da física, exatamente do jeito que a NASCAR deve ser. Então veio o Terceiro Estágio. Buscando o undercut, Vance parou nos boxes antes de nós. A estratégia dele tinha tudo para dar certo, mas a tensão do momento cobrou seu preço na garagem rival. Um dos mecânicos dele deixou a pistola pneumática travar e uma d
LellaVi quando Andrew entrou na garagem. Russell fez questão de provocá-lo assim que ele se aproximou da bancada principal.— Então a sua onda agora é mandar a sua namorada trabalhar enquanto você fica em casa descansando feito uma princesa da Disney? — Russell soltou com a costumeira cara fechada, sem tirar os olhos da tela do monitor, embora um canto do seu lábio denunciasse o tom de brincadeira.Andrew deu uma risada baixa, encostando-se ao lado da bancada com a postura relaxada de quem sabia exatamente o peso do dia que tinha pela frente.— Alguém precisa garantir a beleza da equipe, Russell. E até onde sei, meu trabalho começa quando as luzes apagam lá fora — Andrew rebateu com um sorriso de canto, me encarando por um segundo antes de voltar a atenção para os dados no monitor. — E só para deixar claro, foi a mocinha aí que me abandonou sozinho na cama — Andrew completou, laçando minha cintura com o braço e me puxando suavemente contra seu corpo para plantar um beijo casto no meu
AndrewRespondi às primeiras perguntas da imprensa ainda com a respiração acelerada e o sorriso estampado no rosto, sentindo o calor das luzes das câmeras e o zumbido familiar do curral de imprensa. Quando me perguntaram sobre o desempenho absurdo do carro no último setor da pista, não pensei duas vezes antes de dar os credits a quem realmente merecia. Declarei abertamente aos jornalistas que, além da dedicação impecável de toda a engenharia da Di’Lux, nossa equipe tinha contado com uma ajudinha extra e essencial nos bastidores para encontrar aquele acerto perfeito na bancada.A declaração logo atiçou a curiosidade da multidão de repórteres. Uma das jornalistas estendeu o microfone na minha direção e, com um sorriso esperto, foi direta ao ponto, perguntando sobre o beijo apaixonado que eu tinha dado em uma mulher misteriosa na garagem logo após cravar o melhor tempo, momento que já começava a repercutir nas redes sociais.— Vocês viram, né? Não deixam passar nada! — soltei uma gargalh
Lella Saí do quarto na ponta dos pés para não acordar a Max, deixando a porta entreaberta. O corredor silencioso me conduziu até a cozinha da enorme suíte. Eu só precisava de um copo d'água para baixar o ritmo de um dia alucinante, mas encontrei a luz do balcão acesa. Minha mãe estava encostada ali, segurando uma xícara de chá entre as mãos. — Pensei que já estaria deitada... — disse, caminhando até a geladeira e pegando a jarra. — O dia foi longo... já vou me deitar, mas queria conversar um pouco com a minha filha antes de dormir — respondeu ela, me observando servir a água. Soltei um suspiro longo, apoiando os cotovelos no balcão frio. Minhas pernas ainda sentiam o peso de ter andado o paddock inteiro. — Nem me fale. Parece que vivemos três dias em um só — comentei, tomando um gole demorado. — Foi um dia exaustivo mesmo. E pensar que antes de trabalhar naquela barulheira toda você ainda encarou uma visita a sua avó no hospital... O tom da minha mãe ficou mais brando, e
LellaFugi do almoço com o pai do Andrew, usando a desculpa perfeita de que a Max precisava descansar. Se Andrew percebeu minha fuga, pareceu não se importar. A ideia de colocar a Max em meio a tantas apresentações e formalidades com o pai do Andrew no meio da correria do paddock parecia demais para uma manhã só. No fundo eu sabia que um encontro entre o Richard e a minha filha seria inevitável. Ele era uma figura presente, imponente e claramente interessado em fazer parte da vida de Andrew. Evitar aquela aproximação hoje era apenas adiar o óbvio, mas eu precisava desse tempo para assimilar a mudança gigantesca que vinha acontecendo.Passei o restante do tempo até a classificação acompanhando tudo pelos monitores ao lado do Russell, ajustando os últimos detalhes e monitorando as telemetrias em tempo real. A adrenalina da garagem tomou conta de mim e a pista deu a resposta perfeita.Assim que o cronômetro zerou, lá estava o nome do Andrew no topo da tabela. Ele alcançou a primeira posi
Andrew No sábado bem cedo, cheguei ao autódromo antes mesmo que a equipe terminasse de levantar as portas da garagem. O sol ainda estava baixo, mas eu já circulava pelo paddock com uma xícara de café na mão, só esperando o momento exato em que o Russell pisaria ali. Quando o vi dobrar a esquina com a sua típica cara de poucos amigos matinal, dei um sorriso presunçoso, erguendo o copo no ar. — Bom dia, Russell! Tá atrasado, velhinho. A equipe precisa de gente com ritmo por aqui — provoquei, fazendo questão de olhar o relógio no pulso. Russell parou, me encarando por cima dos óculos com uma mistura de incredulidade e profundo desgosto. — Você é um completo idiota, Andrew — resmungou ele, passando por mim e dando um tapa fraco na minha cabeça. — O motor não vai fugir daqui. Era melhor ter aproveitado a companhia da Lella até mais tarde... Dei uma risada fraca, acompanhando os passos dele para dentro da garagem. — Primeiro você reclama que eu estou atrasado, agora faz questã







