LOGINBÔNUS — TIA REBEKANARRAÇÃO DE ALICE...Acordamos com o barulho da porta se abrindo e uma voz animada ecoando pela casa.— TEMOS VISITA!!!Abri os olhos assustada.Lucas também despertou, erguendo a cabeça do travesseiro com aquela expressão de quem ainda não fazia a menor ideia de onde estava.Meu Deus...Nós dois estávamos com o rosto completamente amassado de sono!— Que gritaria é essa? — Lucas resmungou, esfregando os olhos.Soltei uma risadinha.Ele se levantou, pegou a camiseta que havia deixado sobre a cadeira e a vestiu.Antes de sair, inclinou-se sobre mim e depositou um beijo carinhoso em meus lábios.— Bom dia, amor.Sorri.— Bom dia, meu amor.Lucas olhou na direção da porta, franzindo a testa.— Mas que visita é essa, assim, do nada?!Dei de ombros.— Não faço ideia!Ele segurou minha mão, e saímos do quarto.Assim que chegamos à sala, encontramos uma figura que eu conhecia muito bem.TIA REBEKA!Meu Deus!A tia mais alto-astral que Lucas tinha!Ela estava parada no meio
NARRAÇÃO DE ALICE...Depois de fazer as pazes com tio Will, Lucas pareceu respirar um pouco mais aliviado.Mas ainda havia alguém com quem ele precisava conversar.Meu pai.Henrique permanecia parado ao meu lado, observando tudo em silêncio.Lucas olhou em sua direção.Hesitou por alguns segundos.Então se aproximou.— Padrinho...Sua voz estava carregada de angústia.Meu pai ergueu o olhar.— Me perdoa...Henrique permaneceu sério.Sério até demais!Eu conhecia aquele olhar.Meu pai estava tentando controlar as próprias emoções.— Lucas... — começou, respirando fundo. — Espero que, daqui para a frente, você comece a tomar atitudes de homem, e não de moleque!Lucas abaixou discretamente a cabeça.— Eu sei, padrinho...— Você não é mais uma criança! Precisa entender que suas decisões têm consequências. E que não pode resolver seus problemas fazendo besteiras!Lucas assentiu.— Eu sei. E me arrependo de tudo.Meu pai o observou por alguns segundos.Depois colocou uma das mãos sobre seu
NARRAÇÃO DE ALICE...Continuamos deitados na cama daquele chalé, ainda sem roupas, trocando carícias e beijos demorados.Eu não sentia a menor vontade de sair dos braços de Lucas.Meu Deus...Como era bom estar ali novamente!Aconchegada em seu peito, sentindo suas mãos acariciarem minhas costas, enquanto ele depositava pequenos beijos em minha testa.Parecia que, finalmente, o mundo havia parado de desabar sobre minha cabeça.Mas aquela tranquilidade durou pouco.O toque do meu celular rompeu o silêncio do chalé.Levantei a cabeça imediatamente.Meu celular!Nossos pais!Meu Deus do céu!Como eu tinha conseguido me esquecer de que nossas famílias estavam desesperadas procurando Lucas?!— Ai, meu Deus! — exclamei, levantando-me às pressas.Lucas me olhou assustado.— O que foi, pequena?!— Nossos pais, Lucas! Eles ainda estão procurando você!Procurei minha calça jeans pelo chão, quase tropeçando nas próprias roupas.O celular continuava tocando.Lucas se sentou na cama e começou a ve
NARRAÇÃO DE ALICE...Permanecemos abraçados por um longo tempo.Era como se tentássemos recuperar, naquele único abraço, cada segundo dos nove semanas que passamos separados.Lucas me apertava contra seu peito, acariciando minhas costas, enquanto eu escondia o rosto na curva de seu pescoço.Meu Deus...Como eu sentia falta daquele cheiro!Daqueles braços!Da sensação de estar protegida junto ao corpo dele!Senti seus lábios roçarem minha nuca, seguidos por uma respiração quente próxima ao meu ouvido.Fechei os olhos.Eu tinha sentido tanta saudade...Tanta!— Me perdoa, Alice... — ele sussurrou, com a voz embargada. — Por favor, me perdoa...Aquelas palavras foram suficientes para fazer meu coração apertar novamente.Afastei o rosto apenas o necessário para encará-lo.Seus olhos estavam marejados.Meu Lucas...Acariciei seu rosto.E, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, procurei seus lábios.Beijei-o.Com vontade.Com saudade.Com todo o amor que eu havia tentado esconder
NARRAÇÃO DE ALICE...— Eu não preciso de ninguém! — respondi, irritada, afastando-me de Jhonny.Comecei a caminhar, mas logo ouvi seus passos atrás de mim.Meu Deus!Aquele garoto não sabia o significado da palavra sossego?!Parei bruscamente.Respirei fundo e me virei para encará-lo.— O QUE VOCÊ QUER, JHONNY?!Ele ergueu discretamente as sobrancelhas.— Conversar com você... Te conhecer melhor? Alguma coisa do tipo?Havia uma pontinha de sarcasmo em sua voz.Revirei os olhos.Ah, claro!Agora ele queria ser meu amiguinho!— Acredito que você precise fazer isso porque é seu trabalho cuidar da netinha mimada do chefe Maurício!Jhonny me encarou por alguns segundos.Sua expressão permaneceu praticamente inalterada.— Entenda como quiser, Alice.Ele olhou na direção do pátio.— Vamos. Quero conversar com você.Cruzei os braços.— Passo a ideia!Ele suspirou, demonstrando impaciência.— Alice...— Não, Jhonny! Eu não quero conversar!Virei as costas antes que ele pudesse insistir novamen
NARRAÇÃO DE ALICE...Sim...Eu passei as férias de inverno praticamente presa dentro do meu quarto.Evitava qualquer contato com as pessoas.Não queria conversar.Não queria sair.Não queria encontrar ninguém.Era doloroso demais acordar todas as manhãs e perceber que nada havia mudado. Que eu continuava com aquele vazio no peito, tentando sobreviver a um dia de cada vez.Eu me sentia como um passarinho com a asa quebrada.Ferida demais para voar.E cansada demais para tentar.Todos tentaram me consolar de alguma maneira.Minha mãe, meu pai, Geovana e até Felipe.Todos tinham alguma coisa para dizer.Alguma explicação.Alguma tentativa de fazer aquela dor parecer menor.Contaram que Lucas havia discutido violentamente com tio Will pelo telefone naquela tarde. A discussão tinha sido tão feia que os dois chegaram a gritar um com o outro.E, aparentemente, aquilo havia sido o estopim para Lucas começar a beber.Mas e daí?!O que aquilo mudava?!Absolutamente nada!Eu não falava com Lucas







