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Inesquecível

last update publish date: 2025-04-04 05:26:43

Alyssa Petrakis, ao chegar perto da área do Festival Sabor Mediterrâneo, ouviu o celular tocar e ignorou. Um friozinho na barriga aumentou a ansiedade que a perseguia desde que Saiu de Paris e voltou para a Grécia há dois dias.

Tudo, graças ao seu irmão que usou de golpe baixo para forçá-la a vir com ele.

Estalou os lábios e balançou a cabeça, reprovando-se por ter sido tão idiota. Quem mandou entrar numa aposta com um expert em games?

Sem alternativa, ajeitou os óculos de sol sobre o nariz e apoiando um dos braços para fora da janela do carro, aspirou o ar da manhã agradável de junho, na atmosfera vibrante do evento.

Se bem lembrava, a praça do Fórum estava tomada por stands onde produtos gastronômicos gregos estavam expostos. Imaginava a energia contagiante das pessoas, que aproveitavam as novidades da gastronomia local e se divertiam com as apresentações culturais.

Mas sua presença era mais específica. Num lugar mais reservado para produtores e especialistas haveria rodadas de negociações, palestras, aprendizado de inovações do mercado gastronômico, além de premiações.

Como diretora de Branding da companhia Petrakis, em outras palavras era responsável por garantir que a marca da empresa familiar continuasse consistente, autêntica e memorável para os clientes.

Consultou o relógio e sim, estava atrasada. Saulo, que chegou mais cedo para organizar tudo o que iam precisar, estava roendo as unhas, pois segundo ele o cronograma deveria ser seguido à risca.

Responsabilidades à parte, não lhe agradava nem um pouco estar ali e o seu irmão sabia o motivo. Novamente o celular cortou os seus pensamentos e dessa vez atendeu.

— Droga, Saulo, para de dar pressão! Estou aqui!

Ela escutou um suspiro longo, sinal que a paciência do irmão estava feito um vulcão prestes a entrar em erupção

— Maldita hora que deixei você roncando no hotel e vim sozinho pra cá! Papai já ligou de Atenas umas trocentas vezes perguntando por você. Venha logo, se não vamos acabar sendo deserdados.

Ela murmurou, com certa amargura ao lembrar quantas vezes ouviu a palavra " deserdada".

— Qual é a novidade nisso? Próxima vez não vou salvar sua pele, hein? Para de ser dramático!

— Quem mandou me desafiar no game? Você mesma disse que eu podia escolher qualquer coisa.

— Se aproveitou porque eu estava bêbada! Eu odeio você!

Ele riu de Alyssa. Agora era ela quem estava fazendo drama, mas de certa forma, fizera a coisa certa? Se a irmã soubesse que queria dar uma de cupido, ia acabar com ele de vez, mas sentindo remorso de ter revelado a Klaus que ela estava sozinha , achou por bem nao ocultar que o ex-marido estava na área.

— Alyssa ... Eu vi uma pessoa aqui e espero que não fique assustada...

Alyssa emudeceu. A imagem repentina de Klaus Ferranti invadiu sua mente. Os olhos azuis, na tez bronzeada e loiro, dava-lhe um aspecto selvagem e tentador. Com um corpo atlético e uma disposição invejável para levá-la ao ápice do prazer, apertou os olhos com força para desviar os pensamentos de como era bom sentir o seu toque e ouvir sua voz ao pronunciar o seu nome bem baixinho, enquanto os corpos...

" Demorou! Por que fui me meter nessa enrascada?". A sensação de saber que o seu maior pesadelo estava tão perto moía-lhe a alma.

— Espero que você tenha feito o favor de dizer a ele que morri! — retruquei, áspera.

O silêncio suspeito de Saulo a deixou angustiada. As mãos começaram a suar e o coração bater feito louco.

— Saulo? O que você respondeu?

— Eu? Ah, irmãzinha, tenho muito pecado acumulado pra mentir do nada. Vai por mim, quanto mais cedo encontrar o Klaus, mais rápido vai lidar com esse coraçãozinho sofrido.

A simples menção do nome do ex-marido e a suposição de ainda não ter curado as feridas do passado, doeu mais ainda.

— Vou matar você!

— Tá, Alyssa, foi mal! — o tom era um pedido de desculpas —Não vamos falar mais nele. Só vem logo, pelo amor de Deus.

O irmão desligou.

Ela ficou olhando para o celular com as emoções em polvorosa. O irmão se superou! Não seria nada fácil reencontrar Klaus após o divórcio e embora tenha repetido diversas vezes que não sucumbiria novamente aos seus encantos, temia declinar de uma maneira descarada e voltar a amá-lo como nunca.

" Para, Alyssa! Ele não merece o seu amor, lembra?"

Repetiu, ainda de olhos fechados. Como se fosse um amontoado de azeitonas prestes a ser dilacerada num triturador, as forças lhe faltavam. Poderia dar ré e voltar para o conforto do hotel e se chamar de covarde sem nenhum remorso, mas peraí...

" Que história é essa, Alyssa? Você não é um ratinho que anda se escondendo do gato faminto! Você é uma Petrakis e como tal tem que garantir a tradicional postura da família! E daí se Klaus também está no evento? Ele que vá pra o inferno!

Decidida, afastou o cinto de segurança e saiu do carro. Passou os dedos pela cabeleira castanha de corte em v até a cintura, e buscando recuperar-se da sua fraqueza, avistou as pessoas seguindo em direção, ao Festival " Sabor Mediterrâneo ".

Suspirando fundo, tentou buscar forças no seu firme propósito de ficar bem distante dele. Não era possível que um lugar tão grande não lhe permitisse manter a distância necessária para não ter que cumprimentá-lo. Em todo caso se não houvesse alternativa, ia fingir que ele era apenas mais um na multidão. Se tivesse que lhe dirigir a palavra, buscaria ser apenas profissional. Mais nada.

Com passos firmes, foi se esquivando dos visitantes, e aproximando-se dos stands, mas a sua coragem caiu por terra assim que uma silhueta inesquecível atravessou seu caminho. Uma angústia de tirar o fôlego percorreu seu corpo, devastando-a por inteiro. Há poucos metros Klaus a devorava com os olhos. Tentou correr, mas os pés não a obedeciam. Ele diminuía a distância, atraindo-a com olhos azuis tão profundos quanto o mar Egeu.

" Oh, Deus, salva-me desse demônio!

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