Compartilhar

4-Ente culpas e escolhas

Autor: CaHostins
last update Data de publicação: 2026-07-23 00:45:11

O som da notificação ecoou no quarto silencioso.

Miguel, deitado na cama com um livro aberto que já não lia há tempos, estendeu a mão até o celular. Pensou em ignorar — ultimamente, qualquer mensagem parecia trazer mais cobrança do que notícia boa.

Mas não daquela vez.

O assunto do e-mail chamou sua atenção imediatamente:

“Convite para Congresso Internacional de Biologia Marinha”

Ele se sentou na mesma hora, o coração acelerando levemente.

Abriu o e-mail.

Leu uma vez.

Depois outra.

E, na terceira, um sorriso escapou.

Era real.

O congresso importante que ele tanto esperava, com pesquisadores renomados, palestras, experiências de campo… exatamente o tipo de oportunidade que ele vinha esperando. Um passo concreto na direção da vida que queria construir.

Por alguns segundos, tudo pareceu leve.

Até ele lembrar.

Seu pai.

O sorriso diminuiu, mas não desapareceu completamente.

Miguel passou a mão no rosto, pensativo, e se levantou. Sabia que não podia adiar aquela conversa.

Encontrou o pai no escritório, como sempre.

— Precisamos conversar — disse, apoiando-se na porta.

O homem assentiu, sem muita expressão.

— Sobre?

Miguel respirou fundo.

— Recebi um convite para um congresso. De biologia marinha.

O silêncio veio imediato.

— Onde? — perguntou o pai, com um tom neutro demais.

— Fora do País. Dura alguns dias… talvez uma semana.

O pai encostou na cadeira, observando o filho com atenção.

— E você quer ir.

Não era uma pergunta.

Miguel sustentou o olhar.

— Quero.

O homem ficou em silêncio por alguns segundos. Então, suspirou, levando a mão ao peito de forma discreta — mas não o suficiente para passar despercebido.

— Eu não estou bem, Miguel.

A frase caiu no ambiente com um peso diferente de tudo que já tinham dito antes.

Miguel franziu a testa, preocupado.

— Como assim?

— Tenho me sentido cansado… mais do que o normal. Os médicos ainda estão investigando, mas… — ele pausou, escolhendo as palavras — não sei quanto tempo vou ter com disposição para manter tudo isso.

Miguel ficou em silêncio.

Aquilo não parecia uma simples estratégia para convencê-lo.

Ou talvez fosse.

E era isso que o deixava ainda mais confuso.

— É justamente por isso que você deveria estar mais presente — continuou o pai. — A empresa precisa de você. Eu preciso de você.

A culpa veio rápida, como uma onda forte.

Miguel desviou o olhar por um instante, passando a mão pelos cabelos.

Era sempre assim.

Entre o que ele queria…

E o que esperavam dele.

— Eu vou ao congresso — disse, por fim.

A própria voz pareceu mais firme do que ele se sentia.

O pai o encarou, surpreso.

— Miguel—

— Eu vou — repetiu, agora mais calmo. — E, quando eu voltar… a gente conversa sobre a empresa.

O silêncio que se seguiu foi diferente dos outros.

Mais tenso.

Mais definitivo.

O pai assentiu lentamente, embora a expressão não demonstrasse aprovação.

— Espero que você saiba o que está fazendo.

Miguel não respondeu.

Porque, no fundo, ainda não sabia completamente.

Mas sabia de uma coisa:

Se abrisse mão daquela oportunidade, estaria abrindo mão de si mesmo.

Ao sair do escritório, o peso da decisão caiu sobre seus ombros.

Misturado com culpa.

Com dúvida.

Com medo.

Mas, ainda assim…

Havia também algo novo.

Algo que crescia silenciosamente dentro dele.

Coragem.

E, sem imaginar, aquela viagem — que começava como um passo em direção ao próprio sonho — estava prestes a levá-lo muito mais longe do que ele poderia prever.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.    49- Encontrados oficialmente.

    O quarto do hospital ainda estava silencioso quando dois policiais chegaram acompanhados de uma funcionária da administração. Laura, que estava sentada ao lado da cama de Miguel, levantou-se imediatamente. — Bom dia. Vocês são Laura e Miguel? — perguntou um dos policiais. — Sim — respondeu ela, um pouco apreensiva. — Somos da polícia local. Precisamos confirmar a identidade de vocês e registrar oficialmente o que aconteceu. Como vocês foram encontrados após um período desaparecidos, precisamos concluir alguns procedimentos. Miguel, ainda deitado, assentiu. — Tudo bem. Um dos policiais puxou uma cadeira, enquanto o outro abriu uma pasta com formulários. As perguntas começaram. Queriam saber quando haviam desaparecido, onde estavam antes do acidente, como haviam chegado à ilha e quantos dias passaram isolados. Perguntaram sobre as circunstâncias da queda, os ferimentos, a falta de comunicação e a maneira como conseguiram chamar a atenção do navio. Laura respondeu p

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.   48- De volta à vida

    O hospital parecia pertencer a outro mundo. Depois de tantos dias na ilha, Laura quase se sentia perdida em meio às paredes brancas, às luzes fortes e ao movimento constante de médicos e enfermeiros. Assim que chegaram, Miguel foi encaminhado para a emergência. — Vamos levá-lo para fazer alguns exames — explicou uma enfermeira. Laura tentou acompanhá-lo. — Posso ir com ele? — Por enquanto, você precisa aguardar aqui. Assim que terminarmos, alguém virá falar com você. Laura assentiu, embora não gostasse da ideia de ficar longe dele. A maca desapareceu pelo corredor. E, pela primeira vez desde o resgate, Laura ficou sozinha. Sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera e olhou para as próprias mãos. Ainda havia sujeira sob suas unhas. O cabelo estava embaraçado. As roupas estavam sujas e amassadas depois de tantos dias na ilha. Ela ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo havia realmente acontecido. Pouco depois, uma mulher se aproximou. — Laura

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.   47- O fim do isolamento.

    Laura ainda estava ajoelhada ao lado de Miguel quando ouviu um som distante vindo do mar. Ela ergueu a cabeça. Por alguns segundos, ficou em silêncio, tentando entender o que estava ouvindo. Então o som ficou mais claro. Um motor. Laura se levantou depressa e saiu do abrigo. Correu até a praia e olhou para o horizonte. Lá estava. um barco Era pequeno e distante, mas não havia dúvida. Estava se aproximando lentamente da ilha. — Meu Deus... Laura começou a acenar com os dois braços. — AQUI! AQUI! O barco continuou avançando. — Eles viram a gente... Laura sentiu os olhos se encherem de lágrimas. O pequeno barco começou a se aproximar da ilha, enquanto ela continuava acenando. Quando finalmente chegou perto da margem, dois homens desembarcaram. — Você esta sozinha aqui? — um deles perguntou. — Não! Somos nós! — Laura respondeu, quase sem conseguir conter a emoção. — Nós vimos o sinalizador e depois a fumaça. Estávamos tentando descobrir se havia

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.   46- Entre a esperança e o medo.

    Laura permaneceu ao lado de Miguel. Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, olhando para o céu. A luz vermelha subia lentamente, deixando um rastro luminoso antes de começar a desaparecer entre as nuvens. — Agora eles vão nos encontrar — Laura disse, mais para convencer a si mesma do que a Miguel. Ela continuou olhando para o alto até que o sinalizador se tornasse apenas um pequeno ponto de luz. Então se levantou de repente. — A fogueira! Laura saiu correndo até o local onde haviam deixado a madeira empilhada. Sem perder tempo, começou a colocar todos os galhos secos que ainda tinham dentro das brasas. — Vamos... queima! — murmurou Laura, abanando o fogo com uma camiseta para alimentar as chamas. Aos poucos, as brasas ganharam força, e o fogo voltou a se espalhar, iluminando o pequeno abrigo. Pegou mais lenha e colocou sobre o fogo. Depois outra. E outra. As chamas começaram a crescer, alimentadas pela madeira seca, e uma coluna de fumaça subiu pelo ar. —

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.   45- O Sinal no horizonte.

    Laura acordou no meio da madrugada com o som de Miguel se mexendo inquieto ao seu lado. — Miguel? Ele não respondeu. Ela se virou e percebeu que ele estava tremendo debaixo da coberta. — Miguel, você está bem? Ele abriu os olhos com dificuldade. — Estou com... muito frio. Laura se aproximou e colocou a mão em sua testa. Assustou-se. Ele estava ardendo em febre. — Você está queimando! Miguel tentou se sentar, mas imediatamente levou a mão à cabeça. — Espera... — O que foi? — Minha cabeça está doendo. Laura o ajudou a se encostar. Ele respirava mais rápido que o normal e parecia confuso, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos. — Está com tontura? Miguel fechou os olhos. — Um pouco. Laura trouxe água. — Bebe devagar. Ele tentou tomar alguns goles, mas fez uma expressão de enjoo e afastou o recipiente. — Não consigo. — Está enjoado? Ele assentiu. Laura voltou a olhar para a picada. A lesão parecia ter piorado. A

  • Presa na ilha com o herdeiro Bilionário.   44- A picada

    O dia amanheceu tranquilo. A luz do sol atravessava as frestas entre as folhas, iluminando aos poucos o interior do abrigo. Laura foi a primeira a acordar. Enquanto preparava as frutas e castanhas que tinham para o café da manhã, observou Miguel ainda deitado, aproveitando os últimos minutos de sono. Quando ele finalmente abriu os olhos, ela sorriu. — Bom dia. — Bom dia — ele respondeu, ainda sonolento. Os dois comeram juntos antes de começar mais um dia na ilha. Miguel se levantou e começou a vestir a camiseta que havia deixado dobrada ao lado do colchão improvisado. No instante em que passou a mão pela lateral do quadril para ajeitar a roupa, sentiu uma picada forte. — Ai! Ele parou por um segundo. — O que foi? — Laura perguntou. Miguel levou a mão ao local. — Alguma coisa me picou. — O quê? — Não sei. Deve ter sido algum inseto que estava na roupa. Ele sacudiu a camiseta, olhou rapidamente para o tecido e depois para o chão. Não encontrou nada. — E

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status