Mag-log in~~ Jade ~~
Quando cheguei da empresa a cobertura estava silenciosa, aparentemente Giovanne havia saído, o que me pareceu perfeito, pois não estava interessada em vê-lo. As horas passaram, eu estava no quarto, mais acordada do que nunca. O cansaço físico parecia ter sido obliterado pela adrenalina que aquela ligação do Renato havia injetado no meu sangue à tarde.
Passei a noite inteira focada no trabalho. Eu estava adiantando o mapeamento dos vetores de reconexão sináptica, recalculando cada miligrama dos reagentes químicos para testar na bancada logo de manhã. Eu não ia apenas cumprir o contrato, eu ia provar a minha inocência esfregando os resultados na cara de Giovanne Vance.
Já passava das três da manhã quando o bipe característico do elevador privativo ecoou pela cobertura. Em seguida, passos pesados avançaram pelo corredor, mas não vinham sozinhos.
— Isso é som de salto... — murmurei para o monitor do laptop, revirando os olhos.
Soltei um riso soprado e voltei para as minhas análises. O "homem de gelo", o puritano do compliance que exigia dedicação exclusiva e restrição afetiva, estava trazendo uma mulher para a toca, que hipócrita.
O problema foi que os sons que vieram a seguir simplesmente me impediram de focar. A porta do quarto dele se fechou, mas o isolamento acústico daquela cobertura luxuosa não era páreo para o escândalo que começou. Logo de cara, um baque surdo contra a parede foi seguido pelo estalo nítido de um tapa na pele e um gemido alto, agudo, que ecoou pelo corredor.
Paralisei com a caneta no ar, os olhos arregalados.
— Misericórdia — sussurrei.
O que se seguiu foi uma sucessão de provocações sussurradas, respirações arfantes e os sons clássicos, ritmados e absurdamente nítidos de um sexo... eu diria que selvagem. Minhas bochechas queimaram instantaneamente.
— Esse homem é um nojento, um descarado — esbravejei, largando a caneta na mesa. — Incapaz de respeitar a minha presença... Custava ter ido para um motel?
Comecei a andar de um lado para o outro na suíte, ora cobrindo os ouvidos, ora chocada com a intensidade da barulheira. O rítmico colidir dos corpos e os estalos de pele contra pele continuaram até que uma sequência de gemidos agudos da moça precedeu alguns minutos de um silêncio abençoado.
Respirei aliviada, cruzando os braços.
— Hmm... Se esses gemidos não forem falsos, ao menos pra fazer o serviço ele serve — pensei alto, soltando uma risadinha cínica sozinha. — Gostoso o traste é, não dá para negar.
Tentei me sentar novamente para focar nos gráficos, mas não se passaram nem cinco minutos e a cama do quarto ao lado começou a ranger com força. Os gemidos dela retornaram, ainda mais altos.
— Eu não acredito... — bufei, irritada.
Peguei meu travesseiro, joguei-me na cama e o pressionei contra a cabeça com força, tentando abafar o som do show erótico vizinho, até que um gemido longo e agudo da mulher pareceu ditar o fim da segunda rodada.
— Agora acabou, não é possível — pensei, soltando um bocejo longo.
O cansaço finalmente começou a pesar nas minhas pálpebras, e decidi me ajeitar para dormir de verdade. Mas, para o meu completo desespero, a barulheira recomeçou pela terceira vez, implacável.
— Porra... Esse cara é uma máquina? — esbravejei no escuro, encarando o teto com pura indignação. — Ele tomou alguma coisa... Não é possível!
Eu estava pronta para enfiar a cabeça debaixo do colchão quando, desta vez, a voz do próprio Giovanne ecoou através da parede. Não era o tom corporativo que eu conhecia, mas um registro grave, rouco e absurdamente arrastado pelo prazer.
— Isso, deliciosa... Você senta muito gostoso. — Ele falava em inglês.
Aquela frase me atingiu como uma corrente elétrica. Ali no escuro, deitada na cama, senti um calafrio violento percorrer minha espinha. A imagem dele na noite anterior, sem camisa, com os músculos do abdômen desenhados sob o luar, a voz rouca soprando perto do meu pescoço, invadiu a minha mente sem pedir licença. Os rosnados de prazer dele no quarto ao lado continuavam, e um calor repentino e avassalador atingiu o meu núcleo.
Minha respiração ficou pesada, meu coração acelerou. Mordi os lábios, tentando lutar contra o que o meu próprio corpo exigia, mas os sons de t***s e as investidas pesadas do outro lado da parede me fizeram imaginar a cena com uma nitidez perigosa. Eu comecei a me imaginar ali, sob o corpo dele, recebendo aquela intensidade.
Impulsivamente, minhas mãos se apressaram e encontraram a minha intimidade. Eu estava úmida, latejando. Diante do ritmo daqueles sons, comecei a me tocar com pressa, buscando alívio, deslizando de forma frenética, os dedos até soltar um gemido baixinho e contido contra o travesseiro ao atingir um clímax intenso, exatamente no mesmo instante em que ouvi um último rosnado forte de Giovanne no quarto ao lado e o suspiro final da mulher.
Meus batimentos foram suavizando aos poucos, enquanto eu regulava o ar nos pulmões. O silêncio finalmente reinou na cobertura.
— Ele é realmente potente... O Renato quase não me fazia chegar em um — murmurei para a escuridão, fechando os olhos. Finalmente, o silêncio me permitiu descansar.
Na manhã seguinte, bem cedo, eu já estava vestida com calça jeans e uma blusa simples, de pé na sala de estar com a minha bolsa, aguardando o horário do motorista, por mais exausta que estivesse.
Para a minha surpresa, a porta do quarto principal se abriu e Giovanne saiu sozinho. Ele usava apenas a sua calça de moletom cinza habitual, completamente sem camisa, com os cabelos bagunçados e uma expressão nitidamente cansada, mas travou o passo ao me ver ali na sala.
— O que está fazendo aqui? — ele perguntou, a voz ainda mais rouca, demonstrando uma certa urgência enquanto olhava ao redor.
Inevitavelmente, meu olhar desceu pelo peito dele, memorizando os traços do seu corpo por um breve segundo antes de eu desviar os olhos com indiferença, ignorando o magnetismo dele.
— Esperando o motorista.
— Não precisa ficar indo aos sábados — ele disse, passando a mão pelo rosto, parecendo tenso. — Vá descansar a mente para ver se ela funciona melhor... E não fique circulando aqui fora. Eu... Eu estou com visita.
Cruzei os braços, e um sorriso de puro deboche brotou nos meus lábios.
— Jura??? Uma ótima companhia, por sinal. Eu diria que excelente. Adorei o show erótico.
Giovanne congelou. Ele me olhou com os lábios entreabertos, seus olhos azuis arregalando-se em um misto perfeito de choque, surpresa e um constrangimento tão genuíno que quase não combinava com ele. Ele ficou bons segundos em silêncio, o rosto ganhando uma tonalidade levemente avermelhada, antes de soltar uma risadinha acanhada, coçando a nuca.
— Deu para ouvir?
~~ Jade~~Valentina e eu nos entreolhamos, a resposta da pergunta dela estava na ponta da minha língua, mas eu ainda não sabia até que ponto era possível confiar nela.— Não sei, dona Eleanor. O Giovanne só me disse que precisava resolver umas pendências da empresa, não me deixou vir, me ligou uma última vez dizendo que logo voltava para casa e, de repente, desapareceu.— Ele tinha algum inimigo?— Além dos próprios parentes e da família da ex? — falei com certo desdém. — Nunca mencionou nenhum…— Que parentes? O meu irmão e o meu sobrinho? O que está insinuando?— Não estou insinuando nada, apenas respondendo à sua pergunta de acordo com o que já ouvi dele.Eleanor começou a andar de um lado para o outro.— Raciocina, sogra. Quem teria interesse em derrubar o seu filho e por quê?Ela parou, encarando-me com os olhos cheios de lágrimas, e eu tive a certeza de que a resposta já havia cruzado a mente dela, embora lhe faltasse coragem para admitir.— A senhora sabia que a Alexandra e o s
~~ Jade ~~Ocorreu um empate, ficando nítido naquele momento quem eram os membros leais ao Giovanne e os lobos em pele de cordeiro que estavam com seu tio. Porém, antes que eu pudesse lamentar a derrota evidente, Eleanor voltou a encarar o irmão, erguendo uma sobrancelha.— Bom, temos um empate e como sócia majoritária e dona direta desta empresa, detenho o poder de escolha. Dito isto, assunto encerrado. Reunião encerrada. Estão liberados senhores.Washington e Eleanor ficaram ali se encarando, como se fossem entrar em combate físico. Fiquei observando-os ainda incrédula com a atitude da minha sogra, e ao mesmo tempo feliz, desejando poder contar isso para Giovanne um dia.Ela havia me defendido, defendido o filho pela primeira vez e colocado a vida dele acima do dinheiro. Era realmente uma pena que ele não pudesse estar ali para ver aquilo.— Jade! — Valentina me tirou do meu momento de transe, puxando-me pelo braço. — Vamos… A reunião acabou… Vem!— Eu não estou bem, amiga. Preciso
~~ Jade ~~— O que houve? — perguntei, sentindo o estômago revirar.— O Edward disse que o que aconteceu não foi um acidente.— O quê? — Fiquei de pé num sobressalto. — Tentaram matar o Giovanne de propósito?— Ele ainda está muito confuso, às vezes fala coisas desconexas, mas repetiu várias vezes que não foi um acidente. Ele falou sobre carros pretos… E me pediu para procurar um tal de D’Ávila.— D’Ávila? — Franzi o cenho, confusa.— Sim. Eu pesquisei, ele é o CEO de uma empresa de auditoria forense — Valentina explicou do outro lado da linha. — Talvez eles tenham contratado os serviços deles.— Você acha que esse D’Ávila está envolvido no atentado?— Não, amiga… Raciocina. Eles devem ter descoberto algo muito grave, alguma sujeira pesada.— Então… Tentaram calar os dois? Por isso ele viajou de repente para Boston e não me deixou vir junto… — deduzi, o pavor me gelando a espinha.— O Edward ainda não consegue explicar com clareza. Depois eu tento tirar mais detalhes dele, mas por pre
~~ Jade ~~— Dona Eleanor… — Dei um passo para trás, cobrindo minha barriga com a mão em um gesto puramente defensivo. — Desde quando a senhora está aí?— Está grávida… — Seus olhos desceram para a mão. — Grávida de quanto tempo? Por que eu não soube disso antes?— Ele não quis… Não queria que ninguém em Boston soubesse.— Ele pretendia esconder o meu neto de mim?!— Não! — Minha voz falhou, atropelada pela exaustão e pela dor. — Nós só estávamos protegendo o nosso bebê porque… porque vocês me odeiam! Porque você sempre me tratou com desprezo!— Você fez a cabeça do meu filho! — ela acusou, dando um passo em minha direção. — Envenenou o Giovanne contra a própria família!— Eu não fiz nada! — rebati com os dentes cerrados, as lágrimas escorrendo quentes e descontroladas pelo meu rosto. — Ele tomou essa decisão sozinho!Eleanor calou-se abruptamente. Passou a mão trêmula pelos cabelos, e caminhou até a beira do leito de Giovanne. Fitou o rosto pálido e entubado do filho como se buscasse
~~ Valentina ~~O táxi disparou pelas ruas de Boston em direção ao Massachusetts General Hospital. No banco traseiro, eu segurava Jade com força, sentindo o corpo dela tremer de enquanto lágrimas mudas desciam por seu rosto pálido. Ela parecia anestesiada, com as mãos cravadas na barriga como se aquele bebê fosse sua única força.Com as mãos trêmulas, peguei meu celular e busquei o contato de Grace, a irmã de Edward. Disparei a chamada rezando para que ela atendesse em meio ao caos.— Hey? Valentina? — a voz dela soou chorosa.— Grace, por favor, me diz que você tem notícias! — falei em inglês — Onde eles estão? Como o Edward está?— Nós estamos no MGH… — Grace respirou fundo, tentando conter os soluços. — Foi horrível, Valentina. O carro despencou do viaduto. O estado do Giovanne é crítico, os médicos disseram que a atividade cerebral dele está quase imperceptível… Mas o Edward… Ele passou por uma cirurgia e já recuperou a consciência, mas ainda está confuso.Um breve momento de alív
~~ Jade~~Conseguimos um voo que sairia ainda na madrugada. Falei para minha mãe que a nossa presença havia sido solicitada com urgência, inventando uma desculpa corporativa qualquer, e fizemos as malas rapidamente.Uma vez no avião, o silêncio reinava. Valentina estava com o olhar distante, perdido no encosto da poltrona à nossa frente. Eu chorava em silêncio, com as mãos firmemente apoiadas em meu ventre, temendo o que estava por vir.— Ele não passava nem duas horas sem ligar ou mandar mensagem… — murmurei com a voz embargada.Valentina também derrubou uma lágrima, apertando minha mão com força.— Ele não ia brincar comigo desse jeito. Isso não pode ser uma brincadeira. Ele sabe que eu não tenho psicológico para essas coisas… — Amiga… — Valentina disse em um tom suave. — Eu acho que o Giovanne jamais faria algo para te estressar dessa forma, principalmente agora, com a gravidez…Assenti, o choro se aprofundando e rasgando minha garganta.— Você também acha que aconteceu algo sério







