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50 - Yari Konstantin.

last update publish date: 2026-09-22 01:58:51

Na manhã seguinte àquela em que abri as caixas vindas de Edimburgo, acordo com o som de Nikolai batendo de leve na porta do meu quarto.

Ainda tenho os olhos inchados. A noite passada foi feita de lágrimas que eu não sabia que ainda existiam dentro de mim, e de um abraço que, por algumas horas, conseguiu segurar os pedaços que ameaçavam se soltar.

— Posso entrar? — pergunta, a voz baixa, cuidadosa, como se soubesse exatamente o quanto eu ainda estou frágil.

— Pode.

Ele entra já vestido, algo est
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  • Prometida ao Bilionário Russo.   75 - Nikolai Konstantin.

    Desligo antes que ela possa fazer mais perguntas e disco imediatamente para Viktor Morozov, meu chefe de segurança.— Senhor Konstantin.A voz dele mantém a serenidade habitual.— Viktor, preciso que dobre a segurança da mansão imediatamente e peça ao Alexis para levar a Yari e minha avó para o quarto do pânico; que ele não as deixe sozinhas. — Levanto da cadeira enquanto falo, já pegando o casaco sobre o encosto. — Ninguém entra. Ninguém sai sem a minha autorização.Há uma breve pausa do outro lado.— Aconteceu alguma coisa?— Recebi uma ameaça anônima. — Olho novamente para a folha sobre a mesa. — Não vou esperar para descobrir se é um blefe.Ouço o som de um teclado e sei que Viktor já está organizando a operação.— Entendido. E quanto à joalheria?— Reforce a equipe daqui também; alguns irão comigo para a mansão. — Abro a porta do escritório. — Quero escolta permanente.— Para quem?— Dois homens para minha esposa. Dois para minha avó e mais dois para mim. — Caminho até o elevador

  • Prometida ao Bilionário Russo.   74 - Nikolai Konstantin.

    Já faz alguns dias que estou dormindo no quarto de Yari.Nunca conversamos sobre isso. Simplesmente aconteceu. Desde o início do casamento, cada um ocupava o próprio quarto; depois tudo aconteceu... Ela preservava o espaço dela, eu respeitava esse limite, e seguimos assim.Mas minha avó decidiu passar uma temporada na mansão.Agora, todas as noites, atravesso o corredor e entro no quarto da minha esposa, como qualquer marido faria. Conversamos por alguns minutos, desejamos boa noite e dividimos a mesma cama.Pelo menos enquanto a Babushka estiver aqui.A cama é grande o suficiente para acomodar duas pessoas sem que uma sequer toque na outra.E é exatamente isso que acontece.Yari permanece no lado dela.Eu fico no meu.Entre nós existe um espaço vazio que parece aumentar a cada noite. Mesmo assim, continuo percebendo a presença dela.O perfume que permanece no travesseiro.O leve afundar do colchão quando muda de posição.A respiração que, aos poucos, desacelera até revelar que finalm

  • Prometida ao Bilionário Russo.   73 - Yari Konstantin.

    A tosse vem forte, inesperada, obrigando-me a apoiar uma das mãos sobre a mesa enquanto tento recuperar o fôlego.— Yari? — A cadeira ao meu lado se move.Quando percebo, a mão de Nikolai já desliza pelas minhas costas em movimentos lentos e firmes.— Você está bem?Faço um gesto afirmativo, ainda tossindo.— Sim... só... me distraí.Ele continua observando meu rosto por mais alguns segundos, como se tentasse decidir se acredita ou não na minha resposta.Por fim, volta a atenção para a avó, sem retirar a mão das minhas costas.— No tempo certo, Babushka. Um dia a senhora terá seu bisneto.Ela sorri de um jeito travesso.— Espero que esse “tempo certo” não demore muito. Eu gostaria de brincar bastante com essa criança antes de ficar velha demais.Nikolai ri baixo.— A senhora está longe de ficar velha.— É exatamente isso que todos dizem antes de aparecerem os cabelos brancos — fala, apontando para a cabeleira branca.A pequena discussão faz nós três sorrirmos.Se ela soubesse… se imag

  • Prometida ao Bilionário Russo.   72 - Yari Konstantin.

    Quando finalmente me despeço e deixo o edifício, o sol já começa a desaparecer no horizonte, tingindo o céu de laranja, rosa e dourado. A cidade está bonita. As pessoas seguem caminhando pelas calçadas, os carros cruzam as avenidas, a vida continua exatamente como sempre.Só a minha parece ter parado.James, um dos homens de maior confiança de Nikolai, se adianta para abrir a porta do veículo blindado.— Senhora Konstantin.Apenas faço um leve aceno antes de entrar. Assim que a porta se fecha e o mundo fica do lado de fora, algo dentro de mim também cede.As lágrimas começam a cair antes mesmo que eu tente contê-las. O carro começa a andar e mordo o lábio, aperto os olhos, puxo o ar lentamente.Não adianta.O choro rompe qualquer tentativa de controle. Cubro a boca com a mão para abafar os soluços, mas eles escapam mesmo assim.Estou grávida.Vou ter um filho.Um filho de Nikolai.— Senhora Konstantin? — A voz cautelosa de James chega do banco da frente. Pelo espelho retrovisor, encon

  • Prometida ao Bilionário Russo.   71 - Yari Konstantin.

    Dois meses se passaram desde a despedida da minha mãe no Havaí. Desde que deixei as cinzas dela se misturarem às ondas do mar que tanto amava. Dois meses desde a madrugada que mudou tudo entre Nikolai e eu. O tempo continuou avançando, indiferente à dor. Os dias seguiram um após o outro, exigindo que eu levantasse da cama, respondesse às pessoas e fingisse que a minha vida voltava aos eixos.Mas nada voltou ao lugar.Estou sentada confortavelmente no escritório de Kairos, o amigo de longa data de Nikolai. Depois do sucesso da primeira casa noturna, ele decidiu expandir os negócios e inaugurar uma nova unidade em Seattle. Há algumas semanas, me convidou para assinar todo o projeto de design de interiores. Aceitei sem pensar duas vezes. Precisava manter a mente ocupada. Se ficasse parada, acabaria me afogando nas lembranças.Kairos entra na sala carregando uma pasta repleta de plantas e amostras de acabamento. Como sempre, parece incapaz de andar devagar. Alto, de cabelos escuros perpet

  • Prometida ao Bilionário Russo.   70 - Yari Konstantin.

    Saímos da capela, mas antes Nikolai pediu desculpas ao capelão pelo ocorrido e agora nos encontramos no crematório. Os funcionários do crematório se aproximam com absoluto respeito. O mecanismo é destravado lentamente, e o caixão começa a seguir pelo corredor que leva à sala de cremação.Eu acompanho cada centímetro daquele percurso. Até desaparecer completamente atrás da porta. É nesse instante que compreendo.Ela realmente se foi.Não existe mais volta.As minhas pernas deixam de responder.Sinto meu corpo vacilar, e Nikolai me segura antes que eu desabe. Enterro o rosto no peito dele e finalmente permito que toda a dor encontre um caminho para sair.O choro rompe meu peito sem qualquer controle.Ele não tenta impedir.Não diz que tudo ficará bem.Não oferece frases prontas.Apenas me abraça.Sua mão desliza lentamente pelos meus cabelos enquanto murmura algumas palavras em russo, baixas demais para que eu consiga compreender.Não importa.Naquele momento, o significado das palavras

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