Home / Romance / QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA / Capítulo 2: Um Momento de Confusão

Share

Capítulo 2: Um Momento de Confusão

last update publish date: 2026-07-30 14:17:55

Cassienne se afastou da coluna, sentindo-se menor do que nunca. Seu estado de espírito era exatamente como sempre parecia ser: tristeza, sofrimento, arrependimento e uma esperança teimosa que se recusava a morrer, não importava o quanto a machucasse.

Ela enxugou as lágrimas com as costas da mão e apertou o botão para descer, chamando o próximo elevador. Quando as portas se abriram, entrou e se apoiou na parede de vidro. A superfície fria sustentou seu peso enquanto as lembranças a invadiam.

Ela se lembrava do ensino médio com tanta clareza. De como Dreston havia se esquecido dela. De como costumavam brincar juntos e almoçar lado a lado. E de como tudo se despedaçou no momento em que Tina apareceu, roubando a atenção dele e afastando os amigos dele de Cassienne.

Ela se lembrava da primeira vez que os viu se beijando. Mesmo sendo adolescente, soube que aquele beijo era íntimo demais, que não havia nada de infantil nele. Ainda assim, seu amor por Dreston nunca mudou. Tina sabia que Dreston e Cassienne estavam juntos naquela época, mas, mesmo assim, colocou-se entre os dois e o tomou para si.

Um toque suave do elevador trouxe Cassienne de volta ao presente. Ela saiu e seguiu diretamente para o carro.

Quando chegou em casa, o carro de Dreston já estava estacionado do lado de fora, e os seguranças dele estavam posicionados ao redor do veículo. Aquilo significava que ele estava lá dentro.

A esperança puxou fracamente seu coração, uma esperança desesperada e tola. Talvez o que vira mais cedo tivesse sido apenas fruto de sua imaginação. Talvez as coisas ainda pudessem ficar bem entre eles.

Quando os pais dele a fizeram assinar o contrato cinco anos antes, tiveram boas intenções. Eles acreditavam que o filho acabaria se apaixonando por ela. Acreditavam que cinco anos seriam tempo suficiente para Cassienne conquistar o coração dele, ter um filho e criar um vínculo que ele não pudesse ignorar.

Mas nada disso aconteceu.

Durante aqueles cinco anos, Dreston nunca a tocou. Nem uma única vez. Eles viviam como estranhos sob o mesmo teto. E ela nem sequer conseguia contar a verdade aos amigos: aos vinte e sete anos, ainda era virgem. Eles zombariam dela e dariam risada.

Mas aquela era sua realidade agora. Casada... e intocada.

Ela entrou na sala de estar, e lá estava ele.

Dreston estava ao lado da janela de vidro que ia do chão ao teto, segurando um copo de uísque. Uma das mãos descansava no bolso, fazendo-o parecer poderoso e dolorosamente tranquilo. Seus cabelos pretos e cacheados estavam bagunçados de uma forma bonita e natural. Os olhos cinzentos dele encontraram os dela, e o coração de Cassienne começou a disparar imediatamente.

Seu coração sempre pertencera a ele. Nada jamais mudara isso.

— Eu não sabia que você tinha saído — disse ele casualmente. — Achei que estaria em casa.

A voz dele era suave e calma, envolvendo-a como sempre fazia.

— Eu estava no hospital — respondeu Cassienne em voz baixa. Não havia motivo para mentir.

Ele franziu a testa.

— Você está doente? Por que não me contou?

Por um momento, apenas por um momento pequeno e frágil, ela quase confundiu aquelas palavras com preocupação. Mas sabia que não era assim. Era daquele jeito que ele falava com todos. Com os funcionários e com desconhecidos. Com qualquer pessoa, menos Tina.

— Estou bem — disse ela. — É apenas uma febre leve. O médico me passou alguns remédios.

Ele assentiu, colocou o copo sobre a mesa de centro e se aproximou dela. Mas ficou perto demais. Então estendeu a mão e pressionou delicadamente a palma contra a testa dela, verificando sua temperatura.

A familiar sensação de formigamento percorreu seu corpo, e Cassienne recuou rapidamente, precisando de espaço antes que a esperança voltasse a crescer.

— Você deveria descansar — disse ele suavemente, quase com carinho, como se realmente se importasse. Mas ele se importava, e essa era a ironia.

Para ela, porém, aquilo não era uma preocupação verdadeira. Era apenas pena. Ele sentia pena de sua condição, pena da maneira como ela desperdiçava lentamente a própria vida ao lado dele.

E, honestamente, ela não podia culpá-lo. Nada daquilo era culpa dele. Desde o início, a culpa tinha sido dela. Ela fora a jovem tola que acreditou que apenas amor e paciência seriam suficientes para conquistar o coração de um homem que nunca olhara verdadeiramente para ela.

Durante cinco anos, ele havia sido gentil. Nunca a tratara mal de nenhuma maneira. Sempre providenciara tudo de que ela precisava. Embora Cassienne tivesse o próprio salário, ele ainda depositava uma grande quantia em sua conta todos os meses. E jamais permitia que alguém a desrespeitasse.

Ele lhe dava tudo, menos seu coração. Porque o coração dele já pertencia a outra mulher.

— Cassienne?

A voz dele a arrancou de seus pensamentos. Por um instante, ela havia se esquecido de que Dreston ainda estava parado diante dela, observando-a se perder nas próprias lembranças.

— Sim — respondeu em voz baixa.

Ela passou por ele e caminhou em direção à cozinha, presumindo que talvez estivesse com fome, presumindo que precisava de alguma coisa. Pelo menos aquilo ainda era algo que ela podia lhe oferecer: um cuidado que ele nunca pedira, mas que ela sempre tentava dar.

— Diga-me o que você quer, e eu prepararei para você — disse ela, evitando os olhos dele. Não tinha certeza de que conseguiria suportar a maneira como ele a encarava.

Ela ouviu os passos dele se aproximando lentamente. Seu coração se apertou, porque já nem sabia mais o que estava fazendo. Sempre ficava daquele jeito perto dele: confusa e nervosa, dolorosamente consciente dos próprios sentimentos. A presença dele fazia seu coração reagir de maneiras que ela jamais conseguia esconder.

Às vezes, ela se perguntava se ele sabia.

Se conseguia sentir. Se percebia como ela se partia um pouco mais a cada dia ou se apenas fingia não enxergar.

Quando chegou ao balcão de mármore, ele parou.

— Eu não preciso de nada, Cassienne — disse ele.

Ela lançou um olhar rápido em sua direção. As mãos dele estavam nos bolsos, e seus olhos cinzentos estavam fixos diretamente nela.

Mesmo naquele momento, a maneira como ele pronunciava seu nome despertava algo profundo e perigoso dentro dela. Algo que aprendera a esconder. Durante os últimos cinco anos, conter suas reações se tornara natural: engolir as emoções e fingir que não o amava da maneira como amava.

— Embora eu quisesse conversar com você — continuou ele —, como você não está se sentindo bem, isso pode esperar.

Conversar?

O peito dela se apertou.

— É sobre o bebê? — perguntou antes que pudesse se impedir.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 178: Você Deveria Ir Embora Agora

    Cassienne caminhou pelo corredor do hospital em direção ao quarto de Dreston.Ela ficou parada diante da porta por um longo momento, os dedos pairando sobre a maçaneta.As luzes do corredor se refletiam suavemente no piso polido sob seus pés.Em algum lugar mais adiante, os sapatos de uma enfermeira faziam um som discreto enquanto ela passava.Mas nada disso alcançava a mente de Cassienne.Seus pensamentos estavam concentrados no quarto diante dela.Dreston estava lá dentro.Acordado.Aquilo era tudo o que importava para ela.Seu coração batia mais forte quanto mais perto ficava da porta.Durante horas, ela havia imaginado aquele momento.Uma pequena parte dela ainda esperava por algo impossível.Talvez, quando ele a visse novamente...Alguma coisa mudasse.Talvez sua memória voltasse ao normal.Seus dedos tremeram levemente.Cassienne ergueu a mão e bateu suavemente na porta.O som foi baixo.— Entre.A voz de Dreston respondeu.E ela congelou.Mesmo agora, aquela voz ainda conseguia

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 177: Ele Está Estável

    Finalmente, Cassienne abriu os olhos.Mas o mundo parecia diferente.Por alguns instantes, ela nem soube onde estava.O teto acima dela era desconhecido.Branco.Plano.Uma luminária emitia um leve zumbido no silêncio.O cheiro no ar era forte e limpo.O inconfundível cheiro de hospital.A memória voltou lentamente.O acidente.Dreston.Ela se lembrou dos olhos frios dele quando a encarou.Lembrou-se de como ele havia se referido a ela como sua “ex-esposa”.Seu peito se apertou dolorosamente.Cassienne fechou os olhos novamente, como se aquilo pudesse apagar a lembrança.Mas ela continuou ali.Uma voz suave falou ao seu lado.— Cass...?Ela virou levemente a cabeça.Aurora estava sentada ao lado da cama, inclinada para a frente na cadeira.Daisy permanecia perto da janela, com os braços cruzados, embora a tensão em seu rosto deixasse claro que vinha observando Cassienne atentamente.Aurora abriu um pequeno sorriso quando viu que ela estava acordada.— Oi — disse suavemente.A garganta

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 176: Cassienne Está Grávida do Filho de Dreston

    Por um momento, ninguém se moveu.Joseph piscou.— ...O quê?A mão de Abigail voou até a boca.Sheila soltou um pequeno suspiro de choque ao lado dela.Ray se endireitou contra a parede.— Grávida? — repetiu Joseph, quase sem voz.O médico assentiu.— Sim.Ele olhou para Joseph com certa curiosidade.— Presumi que a família já soubesse.Joseph balançou lentamente a cabeça.— Não.Sua voz havia ficado baixa.— E tenho certeza de que ela também não sabe.O médico o observou com atenção.— Ela está no início da gestação, aproximadamente entre cinco e seis semanas.Abigail abaixou a cabeça, dominada pela enxurrada repentina de emoções.Ray soltou o ar lentamente.Garry passou as duas mãos pelo rosto.Até Corren fechou os olhos por um instante.De todas as coisas que esperavam ouvir naquele dia, aquela não era uma delas.O médico continuou, com um tom profissional, mas gentil.— O estresse pode ser extremamente perigoso no início da gravidez. Trauma emocional, ansiedade intensa ou exaustão

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 175: Ela Está Grávida

    O corredor do lado de fora da ala VIP de recuperação havia ficado estranhamente silencioso.Apenas os passos ocasionais e suaves das enfermeiras e o som distante e ritmado dos monitores dos quartos próximos quebravam a quietude.As luzes fluorescentes no teto lançavam um brilho pálido e estéril sobre o piso polido, fazendo o longo corredor parecer ainda mais frio.Cassienne havia sido levada às pressas para um quarto privativo depois de desmaiar na área de espera.Desde então, enfermeiras entravam e saíam a cada poucos minutos, carregando prontuários, ajustando acessos intravenosos e verificando seus sinais vitais.Cada vez que a porta se abria, todos os olhares no corredor se voltavam imediatamente para ela, procurando nos rostos qualquer sinal de notícia.Mas as enfermeiras não diziam nada.Apenas entravam, faziam seu trabalho em silêncio e saíam novamente para continuar suas rondas.A espera havia se tornado insuportável.Joseph permanecia perto da alta janela no fim do corredor, c

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 174: Você Quer Que Eu Finja?

    O corredor do lado de fora da suíte VIP de repente se encheu de movimento.Cassienne caminhava mais rápido do que os outros, o coração batendo tão forte em seu peito que ela mal conseguia ouvir qualquer outra coisa.Aurora e Daisy se apressavam ao lado dela, tentando acompanhá-la enquanto ela corria em direção ao quarto.Atrás delas vinham Joseph, Abigail, Ray, Garry, Merrick, Corren e o restante do grupo.A enfermeira abriu a porta para eles.— Por favor, tentem manter a calma — disse baixinho.Mas no instante em que Cassienne entrou...Ela parou.O quarto estava cheio de profissionais de saúde.Duas enfermeiras permaneciam perto dos monitores enquanto um médico verificava os sinais vitais de Dreston.Outra enfermeira ajustava o acesso intravenoso conectado ao braço dele.E ao lado da cama do hospital...Estava Tina.Ela chorava.Sua cabeça estava inclinada perto do peito de Dreston, os ombros tremendo com soluços silenciosos.E a mão de Dreston segurava a dela.O corpo inteiro de Ca

  • QUANDO O AMOR ENCONTRA O CAMINHO DE VOLTA   Capítulo 173: Ele Está Acordado

    Na manhã seguinte, o hospital não parecia estar vivendo uma manhã.As mesmas luzes fortes iluminavam os corredores.Os mesmos passos silenciosos das enfermeiras ecoavam contra o piso de azulejos.E o mesmo silêncio pesado permanecia no ar.Apenas o relógio digital na parede mostrava que um novo dia havia começado.Cassienne estava sentada em uma das longas cadeiras da área de espera do lado de fora da ala VIP.Em algum momento durante a noite, ela havia trocado de roupa, embora mal se lembrasse de ter feito isso.Daisy havia trazido para ela um suéter limpo e uma calça confortável da bolsa que tinham preparado às pressas antes de sair de casa.Seus cabelos estavam presos de forma solta agora, com algumas mechas caindo ao redor do rosto cansado.Seus olhos estavam inchados e vermelhos.Ela havia chorado até quase não restarem mais lágrimas.Aurora estava sentada ao lado dela, segurando uma xícara de chá quente que Cassienne não tocava havia quase vinte minutos.— Por favor, beba alguma

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status