LOGINMegan Collins passou a vida acreditando que o amor verdadeiro existia. Entre livros, xícaras de café e histórias de príncipes encantados, ela construiu seu próprio pequeno mundo na Collins & Daughter, a livraria que herdou do pai. Só faltava uma coisa para completar seu conto de fadas: encontrar o homem que faria seu coração bater fora das páginas. Então Justin Parker entrou correndo em sua livraria. Famoso, irresistível e acostumado a ter todas as mulheres aos seus pés, Justin não deveria estar ali. Estava fugindo dos paparazzi, mas encontrou algo muito mais perigoso do que a imprensa: uma mulher que não fazia ideia de quem ele era. Megan não conhecia o astro. Conheceu o homem. E foi justamente isso que fez Justin voltar. Uma conversa se transforma em desejo. O desejo se transforma em uma atração impossível de ignorar. E, quando Megan percebe, aquele estranho misterioso já ocupa espaço demais em seus pensamentos. Mas Justin tem regras. Ele não acredita em amor. Não promete eternidade. Não permite que sentimentos ditem suas relações. Para ele, desejo pode ser intenso, confiança pode ser absoluta e entrega pode ser profunda, mas tudo precisa ter limites. Por isso, quando decide deixar Megan entrar em seu mundo, ele não oferece flores, declarações ou um pedido de namoro. Ele oferece um contrato. Um acordo com regras que vão desafiar tudo aquilo em que ela acredita. Megan sempre sonhou em ser a protagonista de um conto de fadas. Nunca imaginou que seu príncipe encantado seria um astro dominador que não acredita em finais felizes. E muito menos que, ao assinar aquele contrato, poderia acabar entregando a ele algo que nenhuma regra seria capaz de controlar: seu coração. Todo conto de fadas começa com: Era uma vez. Não o dela...
View MoreCapítulo 1
Megan Collins O fato de morar literalmente no trabalho é uma das minhas maiores alegrias diárias. É só descer as escadas, destrancar a porta da frente e virar a plaquinha. Hoje ainda dei uma olhada lá fora. O inverno este ano não está tão rigoroso, mesmo assim, a rua está vazia. As manhãs de sábado normalmente são calmas. Hoje não seria diferente. Fui até a cafeteria, preparei um chocolate quente, cumprimentei Leon, que já estava na ativa desde as seis, e voltei para trás do balcão. Abri meu exemplar de Como Eu Era Antes de Você, que estou lendo, no mínimo, pela décima vez, e continuei a leitura. Era quase dez da manhã quando o sino da porta tocou, seguido pelo som forte da porta se fechando. Olhei na direção da entrada. Um homem alto, usando uma jaqueta de couro e um boné que parecia mais um disfarce do que um simples acessório, respirava fundo. Parecia cansado. Estava correndo? De quem? — Está tudo bem? Posso ajudar em algo? Ele me olhou por algum tempo, como se esperasse alguma coisa de mim. Depois, deu uma última olhada pela vidraça e caminhou lentamente até o balcão. — Desculpa por entrar assim. Só queria uma manhã tranquila, mas nunca consigo. — Bom, aqui é bem tranquilo. Pode tomar um café, ler algum livro, fique à vontade. Mais uma vez, ele me olhou como se esperasse algo. Então sorriu. Meu Deus. Que sorriso foi aquele? — Um café e um livro? Uma ótima combinação. Me recomenda algum? — Café ou livro? — Os dois. Sorri, fechei meu livro e fui até ele. — Bom, temos desde café expresso até chocolate quente. Que ouso dizer é o melhor do Brooklyn. O Leon é muito bom no que faz. Já o livro, aí é mais complicado. Depende muito do seu gosto. Fui até as prateleiras em frente a ele e comecei a mostrar os livros que podiam ser lidos ali. Alguns antigos, outros mais novos. Romance, fantasia, aventura... — Harry Potter. Eu gosto. Assisti a todos os filmes. Falou apontando para a seleção de HP. — Os livros são sempre bem diferentes. Peguei o primeiro volume e estendi para ele. — Então pega esse. É o primeiro. Ele pegou o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal e seguiu até a parte de trás, onde ficava a cafeteria. Pediu um croissant e um café macchiato. Deixei ele sozinho, mais à vontade e voltei para o balcão. De vez em quando, eu dava uma olhada na direção dele. Quando me sentia observada, ele disfarçava, voltando os olhos para o livro. Mas acabou ficando ali a manhã toda. Era quase uma da tarde. Eu precisava fechar, e ele ainda estava ali. Fui até a mesa dele e parei em frente. — Nós precisamos fechar. Quer comprar um exemplar ou talvez voltar outro dia? Acho que foi a primeira vez na vida que senti no meu íntimo que eu não queria concluir uma venda. — Desculpa, nem vi a hora passar. Acho que posso sair agora. Vocês abrem todos os dias? Pode sair agora? Ele realmente estava fugindo de alguém. — De segunda a sábado. Aos sábados, até às treze horas. — Eu já queria voltar amanhã... Sorri, sentindo meu rosto corar de imediato. — Bom... Ele se levantou e se aproximou de mim. — Eu fico esta semana na cidade e, como aqui tem o melhor café, terei que voltar mais vezes. — É uma ótima escolha... Torci para que, enfim, ele me dissesse pelo menos o nome. — Justin. Meu nome é Justin. E você é? — Megan. Megan Collins. Apontei para a placa acima do balcão. Ele olhou para ela e sorriu. — Conheci a proprietária. Gostei. — Conhecer é uma palavra forte, mas é quase isso. Ele se aproximou ainda mais. — Megan, eu estou indo ou precisa de mim ainda? Leon interrompeu. Graças a Deus. Afastei-me rapidamente. — Não, já vou fechar tudo. Pode ir. Boa folga e até segunda. — Até, chefinha. Ele respondeu, colocando o avental em cima do balcão antes de sair. — Bom, melhor eu ir também. Não quero te atrapalhar mais. Segunda eu volto. — Parece que gostou do livro... ou talvez do café. — Ou do atendimento... Ele falou, colocando uma nota de cinquenta dólares sobre a mesa. — Espera, vou pegar seu troco. — Não precisa. Já tomei seu tempo demais. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele saiu tão rápido quanto entrou. Quando peguei a xícara, percebi o boné na cadeira. Ele esqueceu. Quem sabe volte realmente na segunda. Melhor eu guardar. Peguei o boné e, no instante em que o aproximei do rosto, senti o perfume dele. Estava grudado no tecido. Era um perfume intenso, envolvente... quase como um feitiço inebriante. Levei a xícara para a cozinha, guardei o boné na gaveta do caixa, mas não demorou muito para eu voltar e pegá-lo novamente. Levei comigo para o apartamento. Lia e Bella estariam aqui em poucas horas. Eu precisava preparar algumas guloseimas para nossa noite de cinema. Preparei tudo, tomei banho, mas o rosto do homem misterioso não saiu da minha mente. Estranho. Nem de longe ele parecia os príncipes dos livros, que eu sempre dizia que precisava ser para chamar minha atenção. Mas ele chamou. Mais até do que eu gostaria de admitir. A noite foi animada. Assistimos a vários filmes de romance, as meninas dormiram aqui e, no domingo de manhã, fiz minha corrida matinal. Mas a verdade é que eu queria que a segunda-feira chegasse o mais rápido possível. Mesmo que minha mente e meu corpo estivessem em uma verdadeira batalha sobre ele realmente aparecer novamente. Eu estava pagando para ver. Na segunda-feira de manhã, me arrumei mais do que o habitual. O coque deu lugar a um cabelo escovado. Às sete da manhã, desci, virei a placa e caminhei ansiosa, organizando os títulos, mexendo nas prateleiras, colocando tudo no lugar... Ou mudando de lugar aquilo que já estava perfeitamente organizado. Eu estava ansiosa. E nem sabia ao certo por quê. Alguns clientes chegaram e saíram. Vendi um livro de fantasia, outro de terror. A cada batida na sineta da porta, meu coração pulava. Tinha desistido de esperar quando a sineta soou novamente. Olhei para a porta. Era ele. O mesmo porte misterioso. O mesmo sorriso. O mesmo homem que passou o final de semana inteiro ocupando meus pensamentos. Ele caminhou até o balcão como se aquele lugar já fosse familiar. Então apoiou as mãos sobre a madeira e sorriu. — Bom dia, senhorita Collins. O livro um do Harry Potter está disponível para leitura?Capítulo 5Megan CollinsDepois daquele dia de merda, veio o convite das meninas para irmos a um barzinho.Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que saí para algum lugar assim.Mas quer saber?Eu vou.Talvez estivesse na hora de parar de viver apenas entre livros, casa e trabalho.Tomei um banho, fiz uma maquiagem leve e escolhi um vestido preto, uma meia-calça grossa e uma bota de cano alto, coloquei um sobretudo por cima estava ótimo assim.Quando terminei, fui para a sacada do meu quarto esperar o táxi.Foi então que um carro escuro parou em frente à livraria.Ficou ali.Parado.Aquilo era estranho para aquele horário.Observei por alguns segundos, mas logo desviei o olhar.Minha cabeça já estava perturbada demais para me preocupar com isso.Quando o táxi virou a esquina, desci rapidamente.Assim que abri a porta da livraria para sair, tive aquela sensação incômoda de estar sendo observada.Olhei para trás.Nada.Talvez fosse apenas impressão minha.Entrei no táxi e p
Capítulo 4Justin ParkerMegan está em busca de um príncipe encantado.Literalmente.Algo que eu nunca seria.E talvez esse tenha sido o verdadeiro motivo de eu ter ido embora daquela livraria daquele jeito.Vir até aqui hoje foi um erro.Deixei o dinheiro sobre a mesa e saí antes que pudesse fazer alguma coisa ainda mais estúpida.Meu motorista estava do outro lado da rua, esperando.— Parker, direto para o restaurante?— Sim. Já estou atrasado.Entrei no carro e me joguei no banco traseiro.Fechei os olhos.Foi um erro.Porque meus pensamentos voltaram imediatamente para ela.Para aquele sorriso tímido.Para o jeito como ficava corada quando eu a pegava desprevenida.Para a maneira como desviava os olhos sempre que nossos olhares se encontravam por tempo demais.Megan não fazia ideia do efeito que estava causando em mim.E eu não podia permitir que descobrisse.Não podia pensar nela.Muito menos desejar ela.Ela não fazia parte do meu mundo.E o meu mundo era sujo demais para alguém
Capítulo 3Megan CollinsFiquei olhando para ele por alguns segundos.Ele abriu um sorriso que simplesmente me tirou o fôlego.— Sim, claro. Temos vários exemplares.Falei quase no automático, sem saber exatamente como responder.Ele estava flertando comigo?Ou será que eu estava vendo coisas onde não existia absolutamente nada?Meu Deus, eu sabia que passar tanto tempo presa no meu próprio mundo de imaginação, sem sair para nada, um dia acabaria causando algum problema.E aparentemente o problema tinha um sorriso bonito, olhos perigosamente encantadores e estava parado na minha frente.— Me acompanha em um café?Olhei ao redor.A livraria estava relativamente tranquila, e então olhei para o relógio no meu pulso.— Acho que está na hora de uma paradinha mesmo.Ele sorriu e segui com ele até a mesa do fundo.A mesma onde ele havia sentado da outra vez.— Vou de chocolate quente hoje.Ele disse enquanto olhava o cardápio.— Vou pegar para nós. Quer comer alguma coisa?— Um sanduíche. Po
Capítulo 2Justin ParkerMal desci do táxi procurando um lugar onde pudesse tomar café em paz, e já vi alguns flashes.Se fossem fãs, tudo bem. Eu sempre paro, tiro fotos, cumprimento, converso quando posso.Mas paparazzi?A história é completamente diferente.Eles distorcem absolutamente tudo o que faço. Uma foto fora de contexto vira uma manchete, um sorriso vira um romance, uma simples conversa vira um escândalo.Isso me tira do sério, e não posso mais aparecer em escândalos ou Mark me mata.Apurei os passos e, quando avistei uma porta de madeira e vidros coloridos, pensei que aquele parecia um lugar improvável para me encontrarem.Quando vi a placa de aberto, entrei rapidamente, fechando a porta atrás de mim com uma força até exagerada.Encostei-me nela, recuperando o fôlego da corrida, e observei o lugar.Era tranquilo.Muito tranquilo.Quando meus olhos encontraram a garota atrás do caixa, já esperei pelo grito, pelo pedido de foto ou pela reação que eu já conhecia tão bem.Mas


















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