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Capítulo 3: O Inesperado

last update Tanggal publikasi: 2026-07-30 14:18:02

As sobrancelhas dele se franziram no instante em que as palavras saíram da boca de Cassienne. A calma que demonstrava apenas alguns segundos antes desapareceu imediatamente. Sua expressão escureceu, as narinas se abriram e os lábios estremeceram, não por confusão ou preocupação, mas por irritação e raiva.

— Por que você está falando de repente sobre nós termos um bebê? — disparou ele.

Sua voz era cortante, destruindo a pequena coragem que Cassienne havia conseguido reunir. Ela não estava falando dos dois. Referia-se à outra mulher, aquela que carregava o filho dele. Mas explicar parecia inútil. Se ele não estava disposto a falar sobre a gravidez de Tina, insistir no assunto apenas faria com que a ressentisse ainda mais.

— Você sabia do que se tratava este casamento antes de concordar com ele — continuou.

Seu tom ficou ainda mais duro, frio o bastante para arrancar o ar dos pulmões dela. Mais uma vez, Cassienne não tinha como se defender. Nem sequer conseguia dizer uma única palavra.

— Pare de ouvir minha mãe pelo menos uma vez na vida. Não deixe que ela engane você. — Ele não parou por aí. — E permita-me lembrá-la de que a única coisa que você pode conseguir com este casamento é dinheiro. Nada mais.

As palavras a atingiram como um tapa, duro e impiedoso.

Os lábios de Cassienne se entreabriram. Ela queria dizer que o havia visto com Tina. Queria contar que ouvira o médico. Que sabia da gravidez. Queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa.

Mas sua voz falhou.

Era nisso que ela havia se transformado: uma mulher que permanecia em silêncio, que engolia cada insulto, que suportava a crueldade porque não sabia como reagir. Não... porque o amava.

Seus olhos arderam. Lágrimas quentes embaçaram sua visão. Não importava quantas vezes piscasse, elas continuavam se formando. Sempre vinham.

— Isso é injusto — sussurrou ela.

As palavras escaparam antes que pudesse contê-las.

— Você não deveria ter dito isso para mim.

Foi a primeira vez, em cinco anos, que sua dor veio à tona. A primeira vez que ela se colocou contra ele. Uma pequena parte de Cassienne esperava que ele se acalmasse, que entendesse que ela não era insensível.

Mas as palavras seguintes dele a destruíram.

Dreston deu um passo à frente e parou diretamente diante dela, elevando-se sobre Cassienne sem qualquer sinal de gentileza nos olhos.

— Pare com essas lágrimas e não tente me transformar no vilão desta história. Isso não é justo.

Seu tom não tinha qualquer calor. Nenhuma suavidade, nem sequer o mínimo de contenção educada.

— Tente enxergar isso do meu ponto de vista, Cassienne. Eu não pedi por nada disso. E não volte a tocar nesse assunto na minha frente.

Então ele se virou, passou por ela e subiu as escadas sem olhar para trás, deixando-a sozinha na cozinha.

As lágrimas caíam livremente agora, quentes e implacáveis. Cassienne levou uma das mãos à boca para abafar o soluço que escapou. A dor era afiada e pesada demais para que ela pudesse suportar. Parecia que seu coração estava sendo despedaçado, pedaço por pedaço.

As palavras dele sempre eram definitivas. Para Dreston, eram como uma lei.

Reunindo o pouco de dignidade que ainda lhe restava, Cassienne enxugou as bochechas com as costas da mão. Sabia que estava quebrada. Sabia que havia feito escolhas tolas. Mas chorar pelo que já havia acontecido não mudaria nada.

Ela pegou a bolsa e a receita médica que estavam sobre a mesa, depois subiu para seu quarto, seu quarto solitário.

Dentro do espaçoso cômodo, nem sequer se preocupou em trocar de roupa. Foi direto para a cama e se encolheu sob os lençóis. Sua cabeça latejava dolorosamente. Tudo o que queria era descansar e esquecer aquela conversa.

Em algum momento, caiu em um sono profundo, como se seu corpo tentasse escapar da realidade.

Uma batida suave na porta a despertou. Cassienne piscou, confusa, e percebeu que havia dormido demais. Levantou-se e abriu a porta.

A governanta, Sra. Rawlings, estava parada ali, com o rosto gentil e maternal cheio de preocupação.

— Bom dia, Sra. Tremont. Como está se sentindo agora?

— Bom dia, Sra. Rawlings. Estou bem. Obrigada.

— Ouvi dizer que a senhora não estava se sentindo bem — disse ela. — O Sr. Tremont me instruiu a preparar uma sopa para a senhora. Devo trazê-la para dentro ou a senhora prefere sair?

Cassienne soltou uma risada baixa e amarga, balançando a cabeça. A dor familiar puxou seu peito. Era aquilo que sempre a confundia. Aqueles pequenos gestos que ele realizava por meio de outras pessoas. Aquelas migalhas de preocupação que ela sempre confundia com afeto.

Mas agora... sabia que não deveria cair nisso novamente.

— Eu sairei em alguns minutos. Obrigada.

A Sra. Rawlings assentiu e foi embora.

Cassienne entrou no banheiro, tomou um banho rápido, vestiu-se para o trabalho e então percebeu o quanto estava atrasada. O pânico a atingiu, porque Peter, o gerente de desenvolvimento, não aceitaria aquilo com facilidade.

Ela pegou a sopa, bebeu o máximo que conseguiu e saiu apressada de casa.

No momento em que chegou ao escritório, percebeu, pelas expressões no rosto de todos, que havia algo errado, embora não soubesse dizer exatamente o quê.

— Bom dia — cumprimentou.

Todos responderam educadamente, mas o silêncio desconfortável dizia muito mais do que palavras.

Todos na Auralink Systems sabiam que ela era casada com o CEO, mas também sabiam que, no trabalho, a relação entre os dois era estritamente profissional. Não havia proximidade. Não havia tratamento especial. Durante dois anos, Cassienne vivera aquela estranha dualidade: esposa em casa, funcionária no trabalho.

— Cassienne.

Seu estômago se revirou ao ouvir a voz de Peter Steel atrás dela. Cassienne se virou lentamente, esperando encontrar a habitual expressão severa dele, mas, surpreendentemente, o rosto de Peter parecia mais suave naquele dia.

— Eu não esperava que você viesse trabalhar hoje — disse ele. — Disseram-me que você estava doente. O chefe falou que talvez não viesse.

Então Dreston havia mencionado seu estado.

— Mas, já que você está aqui — continuou Peter —, venha comigo. Preciso apresentá-la à nova diretora de Engenharia.

Então era aquilo. O motivo dos olhares de seus colegas.

Cassienne sentiu seu ânimo melhorar levemente. Talvez a nova diretora finalmente apoiasse ideias diferentes. Talvez sua proposta finalmente fosse aprovada.

Ela seguiu Peter até a grandiosa porta do escritório, onde havia uma inscrição dourada:

DIRETORA DE ENGENHARIA

Peter bateu uma vez. Cassienne endireitou a postura, tentando afastar o peso que carregava.

A porta se abriu, e os dois entraram no luxuoso escritório.

Cassienne não esperava que a nova diretora fosse uma mulher.

— Srta. Arcley — disse Peter.

O coração de Cassienne parou.

Arcley?

Ele acabara de dizer Arcley?

Como em Tina Arcley?

Tina ergueu a cabeça dos documentos que analisava e olhou diretamente para Cassienne.

— Olá, Cassienne. É bom vê-la novamente.

Ela sorriu, mas Cassienne conhecia aquele sorriso. Conhecia o veneno escondido por trás dele.

Cassienne permaneceu imóvel enquanto a raiva e a humilhação tomavam conta dela. Então Dreston havia trazido Tina para a empresa? Para o departamento dela? Para ocupar um cargo acima do seu?

Era assim que ele demonstrava o quanto a desprezava?

As lágrimas ameaçaram surgir, mas Cassienne piscou com força. Não ali. Não diante de Tina. Ela se recusava a desmoronar novamente.

— Ela é minha nova assistente pessoal? — perguntou Tina casualmente a Peter.

As palavras atingiram Cassienne como um golpe no peito.

Ela? Cassienne? Como assistente de Tina?

Seu mundo se despedaçou mais uma vez.

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