LOGINO cheiro de café da manhã recém-preparado já se espalhava pela casa muito antes de Cassienne abrir os olhos.Durante alguns instantes, ela permaneceu encolhida contra Dreston, aproveitando o calor do abraço dele.A noite anterior havia sido tranquila.Pela primeira vez em muito tempo, nenhum dos dois havia sido obrigado a pensar em inimigos, conspirações ou investigações.Eles haviam sido apenas marido e mulher.E Cassienne sentira mais falta daquilo do que imaginava.Uma batida suave soou na porta.Então uma das empregadas falou do lado de fora.— A Srta. Emily pediu que eu avisasse que o café da manhã está pronto.Cassienne sorriu.Só sua mãe faria questão de preparar o café da manhã pessoalmente mesmo tendo uma equipe inteira à disposição.Ao lado dela, Dreston gemeu.Cassienne riu.— Levanta.Ele enterrou ainda mais o rosto no travesseiro.— Preciso ficar com você mais um pouco.— Dreston.— Não.Cassienne revirou os olhos.— Você está se comportando como uma criança.A voz dele s
Cassienne e Dreston chegaram à casa de Emily quando o pôr do sol tingia o céu com tons suaves de dourado e rosa.No instante em que saíram do carro, Emily surgiu no hall de entrada, o rosto se iluminando com um sorriso sincero e radiante.— Finalmente meus filhos vieram me ver.A voz de Emily carregava aquele calor familiar de que Dreston sentira tanta falta, especialmente vindo dela.Era como um abraço reconfortante depois de semanas de tensão e incerteza.— Mãe — disse Cassienne.As lágrimas já começavam a arder nos cantos de seus olhos enquanto a emoção a dominava.Atrás dela, Dreston sorriu suavemente.Estava genuinamente feliz em ver a sogra, que havia muito tempo se tornara uma segunda mãe para ele.Emily abraçou Cassienne primeiro, puxando-a para perto com um carinho maternal.— Pare com isso. Lágrimas não fazem bem na sua condição.Ela se afastou apenas o suficiente para olhar para a filha.— Além disso, você não precisa delas, minha filha.Cassienne riu baixinho.O som veio l
Cassienne e Dreston permaneceram em silêncio durante quase toda a viagem até Lisbourn.Talvez porque os dois estivessem perdidos nos próprios pensamentos, repetindo as mesmas perguntas pesadas uma e outra vez.Tina.Mais especificamente, o que Tina sabia.E por que havia mencionado Garry.Desde a ligação urgente de Ray, uma sensação estranha e inquietante havia se instalado profundamente no peito de Dreston.O nome de Garry Richardson simplesmente não saía de sua mente.Nada fazia sentido.Pelo menos ainda não.Garry era amigo dele.Um empresário respeitado que deveria estar ocupado administrando o vinhedo da família Richardson e expandindo o conhecido império de vinhos deles.Mesmo assim, de alguma forma, seu nome havia surgido de repente no meio de um plano de sequestro, ataques misteriosos e o acidente quase fatal de Tina.Alguma coisa estava errada.E as peças que ainda faltavam corroíam a mente de Dreston sem parar.Ao lado dele, Cassienne permanecia em silêncio, com a mão descan
A atmosfera dentro do escritório particular de Dreston Tremont estava carregada de tensão.A luz do fim da tarde atravessava as janelas altas que iam do chão ao teto, projetando sombras longas sobre a elegante mesa de mogno e os documentos espalhados por toda a superfície.Cassienne Rhodes estava confortavelmente sentada no sofá de couro macio em um dos cantos, bebendo devagar o suco de frutas frescas que Dreston havia preparado pessoalmente para ela mais cedo.O sabor fresco e adocicado de manga e laranja ajudava a acalmar seus nervos, mas fazia pouco para aliviar o peso que ainda pressionava seu peito enquanto observava o marido trabalhar.Dreston permanecia atrás da mesa, com as mangas da camisa dobradas até os cotovelos.Seus olhos estavam afiados.Concentrados.Ele e Steve analisavam as pistas mais recentes.Papéis.Fotografias.Relatórios criptografados.Tudo estava espalhado diante deles.O som distante da cidade lá embaixo apenas tornava aquele momento ainda mais isolado e sér
O vinhedo da família Richardson sempre foi conhecido por sua beleza e tranquilidade.Mas naquela noite, tudo parecia diferente.A propriedade se estendia por hectares de terra.Durante o dia, turistas costumavam visitar o lugar para admirar a paisagem, provar vinhos caros e aproveitar a reputação que a família Richardson havia construído ao longo de gerações.Naquela noite, porém, não havia nada de bonito ali.Dentro de um dos prédios privativos escondidos mais profundamente na propriedade, Garry Richardson estava sentado em um grande sofá de couro com uma expressão sombria.Diante dele, seu tio caminhava de um lado para o outro sem parar.Donatus Richardson ainda era um homem alto apesar da idade.Aos sessenta e sete anos, continuava com os ombros largos e a postura ereta.Os cabelos prateados estavam cuidadosamente penteados para trás, e o terno caro fazia com que parecesse muito mais um empresário respeitável do que um homem secretamente envolvido em crimes.Mas Garry sabia melhor.
Jessica finalmente chegou em casa perto da meia-noite, mas a mansão Tremont ainda estava completamente iluminada.Ninguém havia ido dormir.Não depois do que aconteceu na gala.No instante em que entrou na casa, encontrou quase todos reunidos na sala de estar da família.A atmosfera estava longe de ser tranquila.Jessica se sentou ao lado de Abigail e contou cuidadosamente tudo o que havia acontecido na gala.Falou sobre os prêmios.A celebração.O pânico repentino.E, por fim, sobre a conversa que havia escutado dentro do banheiro feminino.A sala ficou mais silenciosa a cada palavra.Quando Jessica terminou, ninguém conseguiu dizer nada.Todos apenas permaneceram imóveis.Joseph, porém, se levantou lentamente.Então começou a andar de um lado para o outro.De repente, a ampla sala pareceu menor do que de costume.Sua mente trabalhava sem parar.Nas últimas semanas, uma coisa vinha acontecendo atrás da outra.Tina.O falso noivado.Os ataques.As ameaças.O inimigo escondido.E agora







