เข้าสู่ระบบPeter interveio antes que Cassienne pudesse reagir.
— Não, Srta. Arcley, a senhora está enganada. Tina se inclinou para a frente, apoiando as mãos perfeitamente cuidadas sobre a mesa executiva. Inclinou levemente a cabeça, com uma expressão afiada e desafiadora. — Como assim? — perguntou. — Você disse que minha assistente pessoal começaria a trabalhar dentro de uma hora. E agora ela não vem mais? Cassienne soltou uma risada baixa e amarga. Reconhecia aquele tom. Tina não estava perguntando por estar confusa. Estava tentando humilhá-la, fazê-la parecer insignificante diante de Peter. Mas Cassienne se recusou a lhe dar aquela satisfação, por isso forçou um sorriso pequeno e rígido. — A Sra. Tremont é uma de nossas novas funcionárias — explicou Peter calmamente. — Ela é especializada em desenvolvimento de software. Não é a assistente que mencionei. O rosto de Tina escureceu. A decepção brilhou em seus olhos, embora tentasse escondê-la por trás de uma máscara profissional. Ela não queria Cassienne como sua assistente. Queria Cassienne em uma posição inferior à sua. — Muito bem, então — disse Tina friamente. — Agora que já sei, vocês dois podem voltar ao trabalho. Ela voltou sua atenção para os documentos, agindo como se os dois já não existissem. — Sim, senhora — respondeu Peter educadamente. Então lançou um olhar para Cassienne. — Venha, Cassienne. Vamos. Cassienne não se moveu por um instante. Uma imagem infantil e imprudente atravessou sua mente: esmagar os documentos contra o rosto perfeito de Tina e apagar toda aquela arrogância de uma só vez. O pensamento lhe proporcionou uma pequena satisfação, mas desapareceu rapidamente. Ela soltou o ar e seguiu Peter para fora. De volta à sua estação de trabalho, Cassienne se deixou cair na cadeira e encarou a pilha de tarefas à sua espera. A carga de trabalho era pesada, mas ela a recebeu de bom grado. Precisava de alguma coisa, qualquer coisa, que abafasse a dor apertada que crescia dentro de seu peito. Ela mergulhou nos códigos, nos testes e na correção de erros. O trabalho se tornou seu escudo. Ainda assim, a verdade continuava ali: Cassienne jamais imaginara que Dreston pudesse humilhá-la daquela maneira, trazendo a amante para dentro da empresa, para o departamento dela, para o único lugar onde acreditava que poderia escapar de seu lar destruído. — Concentre-se, Cassienne — sussurrou para si mesma. — Não pense neles. Mesmo assim, as lágrimas arderam nos cantos de seus olhos. — Sra. Tremont. A voz atrás dela fez seu corpo congelar. Cassienne se virou e viu Janet, a secretária de Dreston. Seu coração afundou imediatamente. Nada de bom jamais vinha acompanhado daquela expressão. — O CEO quer que a senhora sirva o café dele do jeito que ele gosta — disse Janet. As sobrancelhas de Cassienne se ergueram em descrença. Ela nunca havia servido café para ele no trabalho. Em casa, sim, mas nunca ali, dentro do escritório dele, onde o relacionamento entre os dois era estritamente profissional. — Achei que essa fosse sua função — perguntou Cassienne suavemente. — Sim, senhora — respondeu Janet. — Mas ele pediu especificamente que a senhora levasse. Cassienne assentiu lentamente e a acompanhou até a copa do escritório. Suas mãos tremiam enquanto preparava o café dele, doce e cremoso, exatamente como Dreston gostava. Apenas o aroma já trazia lembranças que ela desejava apagar. Ela colocou a caneca sobre uma pequena bandeja e caminhou em direção ao escritório dele. Seu coração batia com força quando parou diante da porta. Inspirou profundamente, tentando controlar os nervos, e então bateu. Nenhuma resposta. Ela esperou... depois empurrou a porta com cuidado, e ela se abriu facilmente. Seus olhos permaneceram fixos na bandeja enquanto entrava. Mas, quando finalmente levantou o rosto... Seu mundo inteiro desabou. Dreston estava sentado em sua cadeira, e Tina estava montada em seu colo. Os lábios dos dois estavam unidos, e seus corpos pressionados um contra o outro. Um pequeno som escapou da boca de Cassienne antes que pudesse contê-lo. Suas mãos começaram a tremer violentamente. A bandeja escorregou e caiu no chão com estrondo. A caneca se despedaçou, e o café cremoso se espalhou pelo piso de mármore. Os dois se afastaram bruscamente. Uma dor aguda atingiu o tornozelo de Cassienne. Ela olhou para baixo e viu sangue. Os cacos de vidro haviam perfurado sua pele. Mas não era aquela dor que a destruía naquele momento. Tina saiu do colo de Dreston e se virou para ela com um sorriso triunfante e diabólico. Dreston, por outro lado, parecia inquieto e, de alguma forma, envergonhado. Ele se levantou rapidamente. — Cassienne? — disse, coçando a nuca como um adolescente culpado que havia sido pego fazendo algo estúpido. — O que você está fazendo no meu escritório? Ela não conseguia acreditar. Aquela era a mensagem que ele queria lhe transmitir, não era? Alta e clara. Que havia acabado com ela. Que nunca precisara dela desde o princípio. Cassienne engoliu em seco e manteve a voz firme. — Desculpe por entrar dessa maneira. Eu deveria ter batido corretamente. — Dre, querido — disse Tina suavemente enquanto caminhava em direção a Cassienne, com uma falsa doçura escorrendo de sua voz. — Você não me contou que Cassienne trabalhava aqui. Querido. A palavra retorceu algo doloroso dentro de Cassienne. E qual era a necessidade de toda aquela encenação? Elas já haviam se encontrado pouco tempo antes. Tina abriu os braços para abraçá-la. — Senti tanto a sua falta, minha amiga. Amiga? Cassienne sentiu nojo. Uma faísca de raiva se libertou dentro dela. Cassienne empurrou Tina para longe, sem força, não o suficiente para machucá-la. Mas Tina tropeçou de propósito de maneira dramática, caindo sobre o piso polido como se tivesse sido arremessada para o outro lado da sala. — Tina! — gritou Dreston, correndo até ela. Cassienne ficou olhando, atônita. Aquele sempre fora o plano de Tina? Fazer Cassienne parecer a agressora? Fingir ser a vítima? Antes que pudesse dizer qualquer coisa, dois seguranças invadiram a sala, com Janet logo atrás deles. Os olhos dos três se arregalaram ao observarem a cena: Tina no chão, nos braços de Dreston, e Cassienne parada, imóvel. Dreston lançou um olhar furioso para Cassienne, com uma raiva ardendo em seus olhos que ela nunca havia visto antes. — Saia — ordenou, apontando para a porta. Sua voz era afiada e acusadora. O ambiente ficou sufocante com todo aquele julgamento. Todos olhavam para ela como se fosse um monstro. Como se não pertencesse àquele lugar. Como se tivesse cometido algo imperdoável. Ninguém perguntou sua versão da história. Julgaram-na apenas pelo que viram. Ao perceber que não era apenas indesejada, mas odiada, Cassienne se virou e correu. Disparou diretamente para o banheiro feminino, entrou em uma das cabines e trancou a porta. Somente então deixou o soluço escapar. Somente então finalmente desmoronou.Em algum lugar de Teriporto, em Richbouph, a VORTEX SYNTH SYSTEMS se erguia como uma fortaleza de vidro e aço.Era um conglomerado global de tecnologia e e-sports, tão temido quanto respeitado.Classificada como a terceira melhor empresa de tecnologia do mundo, a Vortex era conhecida por uma única coisa.Dominação.Eles desenvolviam tecnologias avançadas para jogos e competições, patrocinavam equipes de e-sports de nível mundial e tinham fama de descobrir talentos brutos e transformá-los em lendas.Durante anos, dominaram o mundo dos jogos competitivos.No centro de tudo estava Jeff Sandler.Um homem no fim dos trinta anos.Muito alto.Bonito.Com olhos azul-escuros e cabelos pretos, curtos e cacheados.Era um homem acostumado a vencer.Dentro da principal sala de conferências, Jeff estava sentado na cabeceira de uma longa mesa polida.Seus executivos ocupavam os dois lados, com as costas retas e os ombros tensos.Ninguém ousava falar sem ser chamado.Jeff Sandler não estava satisfeit
O momento congelou na mente de Cassienne, puxando-a de volta para uma lembrança que ela havia tentado enterrar durante anos.Foi no ensino médio.Naquela época, Tina já havia conquistado o coração de Dreston.Cassienne se lembrava de estar caminhando ao lado de Tina naquele dia, com o corredor cheio de risadas.Nenhuma das duas percebeu a casca de banana no chão.Cassienne ainda não sabia como aquilo tinha ido parar ali, mas estava lá.E as duas pisaram nela quase ao mesmo tempo.O que aconteceu depois a deixou em choque.Tina caiu com força.Ela gritou e acabou torcendo o tornozelo.Mas Cassienne nunca chegou a tocar o chão.Dreston foi rápido.Tão rápido que conseguiu alcançá-la a tempo, envolvendo-a com os braços antes que caísse e protegendo-a como se o instinto o tivesse guiado.Cassienne ainda conseguia se lembrar da sensação das mãos dele.Do choque em seu peito.Da maneira como seu coração disparou depois.Ela nunca esqueceu aquele momento.Durante muito tempo, agarrou-se àque
O fogo nos olhos de Cassienne assustou Dreston profundamente.Ele nunca a havia visto olhar para ele daquele jeito.Nem durante o casamento.Nem durante as discussões.Nem mesmo no dia em que assinaram os papéis do divórcio.Ela não estava apenas magoada.Aquilo era raiva fortalecida pelo respeito próprio.Instintivamente, Dreston deu um passo para trás.Ergueu as mãos, com as palmas abertas, em um gesto silencioso de rendição.Seu coração batia forte enquanto o arrependimento o atingia de uma vez.— Sinto muito — disse rapidamente, com a voz tensa. — Eu me deixei levar. Não deveria ter feito isso. Prometo que não vai acontecer de novo.Cassienne não respondeu.Permaneceu ali, rígida e em silêncio, com as mãos cerradas com tanta força que os nós dos dedos ficaram pálidos.Cada parte de sua postura transmitia contenção.Como alguém segurando uma tempestade.Em outras circunstâncias, aquele beijo teria significado tudo para ela.Houve uma época em que Cassienne o teria enxergado como um
Dreston sentiu o sangue desaparecer de seu rosto.Tina, por que você está complicando as coisas agora?Ele soltou o ar lentamente antes de se virar novamente para Cassienne.— Sinto muito por isso — disse, com sinceridade.Cassienne apenas sorriu.Parecia calma e indiferente.Seu profissionalismo era impossível de ignorar.— Tudo bem — respondeu em tom uniforme. — Na verdade, preciso conversar com você sobre uma coisa.Dreston assentiu, parecendo satisfeito.— Por favor, sente-se.Ele fez um gesto em direção à área com sofás no escritório.Cassienne caminhou até lá e se sentou com elegância, cruzando as pernas com naturalidade.Tudo nela transmitia controle.Sua postura estava reta.Sua expressão, calma.Até a maneira como colocou o tablet ao lado.Tudo nela parecia diferente da mulher que ele pensava conhecer.E, por motivos que nem ele conseguia explicar, um sentimento de orgulho cresceu em seu peito.Aquela versão de Cassienne tinha confiança.Sua segurança em si mesma era inabaláv
Os dedos de Merrick voavam sobre o teclado, pressionando as teclas com precisão afiada.Linhas de código inundavam o monitor. Números, símbolos e comandos apareciam e desapareciam tão rápido que quase se confundiam.O zumbido do computador preenchia a sala e era o único som competindo com a tempestade que crescia dentro dele.Seu maxilar estava tenso.Mesmo por trás da armação fina dos óculos, sua fúria era impossível de esconder.As lentes refletiam a tela iluminada, mas não conseguiam esconder a escuridão em seus olhos.O que quer que estivesse fazendo, aquilo não o acalmava.Na verdade, só alimentava ainda mais sua frustração.A porta do escritório se abriu sem nenhuma batida.Merrick não levantou a cabeça.Não precisava.Já sabia quem havia entrado.Corren.Seu telefone vibrava sem parar desde cedo.Chamadas perdidas.Mensagens que ele nem se deu ao trabalho de ler.Merrick ignorou tudo.Ainda não estava pronto para perdoar.Não depois do que Corren havia feito na semana anterior.
Finalmente, Cassienne se sentia vista.As pessoas já não passavam por ela como se não existisse.Agora, paravam e a olhavam com admiração.Pelo menos, os cochichos não eram fofocas.E os olhares também não eram desagradáveis.Tudo o que Cassienne conseguia enxergar nos olhos deles era puro choque e admiração.Agora, ela caminhava com confiança, mantendo o queixo erguido e os passos firmes e tranquilos.Mas, por dentro, seu coração batia com força.Ela não estava acostumada a receber aquele tipo de atenção positiva na Auralink.Mesmo na época em que ainda era esposa de Dreston.E agora, apesar de já estarem divorciados, todos ainda a chamavam de Sra. Tremont.Ela corrigiria aquilo depois.Olhando para trás, Cassienne já havia caminhado por aqueles mesmos corredores como uma mulher que precisava trabalhar duas vezes mais para ser notada.Uma mulher cujas ideias eram frequentemente questionadas, revisadas ou discretamente assumidas por outras pessoas.Uma mulher que muitos acreditavam só







