LOGINAntes que Arthur terminasse de falar, Sofia já tinha empurrado ele para fora da porta.— Quando decidir o que quer, vem falar comigo. Eu não fico devendo favor a ninguém.Sofia fechou a porta.Do lado de fora, Arthur coçou a nuca, sentindo uma pontada de frustração.Voltou de carro para a empresa. No caminho, parou em uma loja e comprou um sanduíche para matar a fome.Tinha a sensação de ter feito uma boa ação, mas Sofia não demonstrou a menor gratidão.Sem café da manhã, com um almoço improvisado daquele jeito, Arthur pensou em pedir para a secretária reservar um jantar decente para a noite.Mas, assim que chegou, a secretária informou:— O Sr. Miguel está esperando na sua sala.— Miguel, o que te traz aqui? — Arthur tentou soar casual, mas havia um leve desconforto.Passar a noite na mesma casa que Sofia, ainda que nada tivesse acontecido... ela era esposa de Miguel.Mas, pensando bem, o casamento dos dois já era só de aparência. Era questão de tempo até se separarem.Arthur pigarr
Arthur sentiu repulsa ao olhar para Sofia. La largar os desenhos que tinha nas mãos, mas acabou observando com mais atenção.Havia várias marcas de correção nos esboços.Não pareciam cópias.Pareciam evolução de ideias. Ajustes, refinamentos, como alguém lapidando uma inspiração.Será que aqueles modelos que viraram sucesso recente no Grupo Castro tinham mesmo sido desenhados por Sofia?A dúvida surgiu na mente dele.E, pela primeira vez, a aversão que sentia por ela diminuiu um pouco.......Sofia acordou de ressaca, com a cabeça latejando e a memória falhando.Quando abriu os olhos, percebeu que estava na própria cama. Nem tinha trocado de roupa.Tudo indicava que, mesmo bêbada, não tinha cruzado com ninguém mal-intencionado.Mas, agora que estava sóbria, um arrepio percorreu sua espinha.Na noite anterior, tinha sido impulsiva demais. Emocional demais.Só porque descobriu que aquele aniversário romântico tinha sido, na verdade, uma compensação... por Miguel ter tirado dela a pedra
Já não era mais o aniversário de Sofia.— Sra. Sofia, já que você abriu um estúdio, agora é dona do próprio negócio. Considere essa pedra como uma lição. No mundo dos negócios, não existe ordem de chegada, não existe justiça, não existe razão. Só existe disputa. Não seja tão ingênua.A voz de Miguel voltou ao tom frio de sempre.Sofia estava dentro do carro, com os vidros fechados. Os dedos que seguravam o celular estavam gelados.— E, além disso, eu já te compensei.Depois de dizer isso, Miguel desligou.Aquela última frase fez Sofia despertar na hora.Então era isso.Todo o esforço de Miguel para comemorar o aniversário dela... não tinha sido por pressão de Valdemar, nem porque ele havia se lembrado do passado entre os dois.Era porque ele tinha tomado a pedra que ela queria... e dado para Isabela.— Compensação...Sofia apertou o volante com força. As veias no dorso das mãos ficaram evidentes.......Vale Central, rua dos bares.Quando Arthur saiu do camarote, nunca imaginou que enc
No céu noturno, só havia estrelas, nenhum sinal de fogos de artifício.Do lado de fora da Mansão dos Castro, o balão de ar quente já havia pousado.A mansão permanecia iluminada.Miguel acabara de sair do banho, vestindo um roupão, e caminhava para fora do banheiro.Na rodovia em direção a Santa Vitória, um BMW Série 3 branco avançava em alta velocidade, deixando para trás os postes de luz e as fileiras de árvores.Era Sofia ao volante.O tempo estava se esgotando.Com um fone no ouvido, ela ligou para a AOD.— Eu vou ficar com a pedra. Já estou a caminho, chego em breve.— Desculpe, essa pedra já foi vendida.— O quê?!Sofia quase pisou no freio.— Vocês não tinham combinado de reservar até hoje?— Sim, mas o Miguel comprou. Disse que era um presente para você.A imagem de Miguel naquela noite, tão diferente do habitual, surgiu na mente de Sofia.Ela não sabia se ele havia, de repente, criado consciência... ou se apenas estava cedendo à pressão de Valdemar.Naquela noite, Miguel tinha
Miguel surgiu por trás do balão de ar quente, empurrando um bolo de três andares enquanto cantava parabéns pra você em voz baixa, sozinho.A melodia era linda, quanto mais simples, mais tocante.Por um instante, Sofia foi levada de volta aos treze anos.Sentiu como se estivesse sonhando. Piscou algumas vezes, sem conseguir acreditar no que via diante de si.Mesmo na época da faculdade, quando Miguel tomou a iniciativa de se aproximar, ele nunca tinha preparado algo tão romântico assim.Ele se aproximou e parou diante dela, com um sorriso suave. Os olhos profundos brilhavam como a superfície do mar refletindo a luz.Sofia teve a sensação de que poderia se perder naquele olhar.Prendeu a respiração, incapaz de conter o coração acelerado.— Feliz aniversário.A voz de Miguel era grave, densa, como o som de um contrabaixo vibrando no ar.Eles ficaram frente a frente, enquanto a chuva de balões continuava sobre suas cabeças.A mansão da família Castro e o enorme balão de ar quente compunh
Em um único dia, Sofia visitou cinco fornecedores de pedras preciosas, mas não encontrou nada que superasse o estoque da AOD.O prazo de três dias para manter a reserva estava prestes a acabar, o último dia seria amanhã, e ela precisava decidir.Antes, Sofia achava que, com um milhão de dólares, já podia se considerar rica.Mas, depois de abrir o próprio estúdio, percebeu como o dinheiro desaparece rápido, principalmente no ramo de joias.Se comprasse aquela pedra com o preço inflacionado e, ainda assim, não conseguisse superar Isabela...Sentada dentro do carro, Sofia balançou a cabeça com força.“Não posso desistir antes mesmo de começar.”Enquanto a mente estava um caos, o celular tocou. Era Miguel.Ela segurou o telefone, hesitou por alguns segundos... e, no fim, atendeu.— O que você está fazendo? Por que demorou tanto para atender?A voz de Miguel não soava como cobrança. O tom suave parecia mais preocupação.Sofia se surpreendeu por um instante.Na mesma situação, ao abrir um es
Sofia encarou os olhos de Gustavo.Eram completamente diferentes dos de Miguel, claros como um riacho transparente, nos quais era possível enxergar até o fundo.Por isso ela sabia que Gustavo não estava mentindo nem usando aquilo como pretexto.— Fica tranquilo. O Miguel não vai me procurar hoje.—
Um sorriso de autodepreciação surgiu nos lábios de Sofia, enquanto por dentro sentia o coração se contorcer de dor.Se, naquela época, ela não tivesse acreditado que Miguel a amava... Se tivesse chorado apenas porque o diamante era grande o suficiente, talvez tudo tivesse sido diferente.Sem dar exp
Na verdade, ela não tinha a menor intenção de comprar.— Você acha mesmo que pode pagar? — Ivana arqueou a sobrancelha.— Já esqueceu tão rápido dos trezentos mil dólares que teve que pagar da última vez?Ao ouvir isso, o rosto de Ivana empalideceu:— Aquilo foi armação sua!— Você acha mesmo que, c
Naquele dia, depois do expediente, foi Gustavo quem veio buscar Sofia novamente.Como ele tinha ajudado tanto na noite anterior, ela insistiu em convidar ele para jantar.Mas, assim que o carro chegou ao shopping, surgiu um imprevisto na empresa de Gustavo, e ele precisou voltar às pressas.— Você t







