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Capítulo 3

Author: Duduzinho
Sofia ficou internada no hospital por um mês inteiro.

Todas as noites, sonhava.

Nos sonhos, Miguel vinha visitar ela no hospital, ficava ao lado dela dia e noite, sorria enquanto escutava o som do bebê em sua barriga.

Toda vez que acordava, Sofia estava com o rosto banhado em lágrimas.

O bebê... se foi.

E Miguel não apareceu para ver ela nenhuma vez sequer.

Miguel dizia que estava em viagem de negócios em Novária e até mandou o assistente, Thiago, duas vezes para entregar rosas cor de rosa e arcar com todas as despesas médicas.

Houve várias ocasiões em que Sofia pensou em dar as flores para as enfermeiras, mas não teve coragem e preferiu espirrar todos os dias.

Ela estava grávida havia apenas dois meses, e o aborto não lhe causara tanta dor física.

Ainda assim, tocar a barriga de vez em quando virou um hábito.

Sempre que lembrava que ali dentro já existira uma pequena vida, o nariz ardia.

Era o primeiro filho dela.

O filho que teria com Miguel, o homem que amara por dez anos... e que desapareceu assim, sem mais nem menos.

Sofia chorava todas as noites, e sua recuperação não ia bem.

Mesmo assim, ela não podia continuar internada para sempre; o hospital exigiu que o quarto fosse liberado para novos pacientes.

No quarto já vazio, enquanto arrumava as coisas para receber alta, uma pessoa desconhecida apareceu de repente.

A mulher tinha traços delicados, maquiagem impecável, usava um vestido rosa de alças finas e trazia no pescoço um colar deslumbrante.

Sofia reconheceu o colar de imediato: era exatamente o colar de diamante rosa da FY, edição global limitada, que Arthur havia postado no Instagram.

— Olá, meu nome é Isabela Figueiredo. Sou colega de colégio do Miguel.

Depois da apresentação, Sofia refletiu sobre aquele nome.

Isabela era a tal Isa da planilha.

Vendo Isabela estender a mão, Sofia retribuiu o aperto com educação.

— Olá, meu nome é Sofia. Sou a esposa do Miguel. Pode me chamar de Sra. Castro.

O sorriso no rosto de Isabela congelou por um instante.

Mas ela tinha experiência; a expressão logo voltou ao normal.

— Vim hoje para pedir desculpas.

Isabela baixou os olhos. A expressão de culpa parecia genuína, quase comovente.

— Eu não sabia que você tinha ido ao hospital naquele dia por estar grávida. Se soubesse, jamais teria deixado o Miguel me acompanhar ao lançamento da FY... e naquela noite eu bebi demais. Foi tudo culpa do Arthur, que insistiu em ligar para o Miguel. Eu não imaginei que ele fosse me buscar, e acabei fazendo você perder o bebê. A culpa é toda minha...

Com um ar profundamente arrependido, Isabela entregou a Sofia a cesta de frutas que trazia nas mãos.

— Isso é para compensar. Você precisa aceitar, senão eu não vou conseguir ficar em paz.

Ao ver uma atuação tão convincente, Sofia não resistiu e sorriu.

— Uma cesta de frutas de cinquenta dólares? Por que eu não aceitaria? Você não está me oferecendo o colar do seu pescoço como compensação, está?

O constrangimento atravessou o rosto de Isabela. Ela pigarreou.

— Ouvi dizer que você recebe alta hoje?

— Sim.

— Mas eu aconselho que fique mais um tempo no hospital. Porque, quando o Miguel te vir, vai lembrar do bebê que não conseguiu salvar e vai ficar triste. Durante esses dias em que você esteve internada, ele andou de mau humor, e fui eu quem ficou ao lado dele para distrair ele. Nós viajamos para o exterior, fomos pescar no mar, vimos o nascer e o pôr do sol...

Ao ver Isabela com aquele ar embriagado pelas próprias lembranças, Sofia não se importou se aquilo era verdade ou exagero.

— Pois é, meu marido é uma pessoa boa, muito leal aos amigos. Ele sempre cuidou bem dos colegas do colégio, leva todos para passear de iate toda semana. Antes, inclusive, chegou a dar um colar de diamantes de um milhão de dólares para uma amiga minha.

Sofia não gostava de mentir, mas, se mentir deixasse Isabela desconfortável, ela não se importava em dizer mais algumas coisas.

Isabela apertou os punhos.

— Já que você é tão compreensiva, fico tranquila.

Ela se virou para sair.

Ao chegar à porta do quarto, virou a cabeça e acrescentou:

— Ah, e o Miguel não vai poder vir te buscar hoje. Ele está exausto e dormiu na minha casa.

Depois de dizer isso, Isabela desapareceu do campo de visão de Sofia.

Sofia, naquele momento, não sentia raiva — apenas confusão.

Ela perguntou a Thiago e ficou sabendo que Miguel estava, naquele instante, na empresa.

Ou seja, Isabela havia mentido.

Sofia não acreditava apenas na versão de uma das partes.

Ela queria ir até Miguel e esclarecer tudo pessoalmente.

Antes de sair do hospital, passou para comprar alguns remédios de ervas.

Miguel tinha problemas no estômago.

A mãe dele não gostava de tratamento clínico e, por isso, sempre recorria a remédios naturais, preparados por Sofia.

As quantidades, as proporções e o tempo de fervura, tudo isso ela dominava perfeitamente.

Os remédios de casa estavam quase acabando.

Se não fosse por toda a confusão recente, Sofia já teria reposto havia muito tempo.

Carregando um grande saco de remédios de ervas, Sofia foi até o Grupo Castro.

A recepcionista a conhecia, porque antes ela já havia levado comida para Miguel, embora, naquela ocasião, a recepcionista tivesse achado que ela fosse uma empregada.

— Sra. Sofia, o presidente Miguel está em reunião. Você pode entregar os remédios ao Thiago; ele está no escritório dos assistentes.

— Tudo bem.

Sofia não quis se dar ao trabalho de explicar que era a esposa de Miguel.

Pegou o elevador até o último andar.

Em vez de ir atrás de Thiago, parou diante da porta da sala do presidente.

A porta não estava completamente fechada.

Pelo vão, Sofia viu Miguel dentro do escritório, acompanhado de Arthur.

— Miguel, está claro que você nunca conseguiu deixar a Isabela para trás. Você chegou ao ponto de matar o próprio filho por ela…

A mão de Sofia, que estava prestes a bater à porta, congelou no ar.

— Isso não tem nada a ver com a Isabela. Independentemente de ela voltar ou não para o país, eu jamais teria um filho com a Sofia.

— Por quê?

— A energia de uma pessoa é limitada. Depois que tivesse um filho, ela mudaria. Além disso, agora é só o meu avô que dá valor a ela, minha mãe que a aceita. Se tivesse um filho, a situação deixaria de ser simples. — Miguel deu uma tragada no cigarro; aquele sorriso encantador, pela primeira vez, pareceu agressivo aos olhos de Sofia.

— E eu sabia que ela estava grávida. Fui propositalmente bruto, causei danos ao útero dela. O médico disse que, no futuro, ela nunca mais poderá ter filhos.

A voz era tão calma que chegava a ser cruel, como se ele estivesse falando de algo totalmente alheio.

Do lado de fora da porta, Sofia já estava encharcada de suor frio.

— Miguel, você foi tão cruel com a Sofia... então, no futuro, quem vai dar continuidade à sua família? Vai ter que ser a Isabela, não é?

Diante dessa suposição de Arthur, Miguel não confirmou nem negou.

Quando terminou de fumar, a conversa entre os dois também chegou ao fim.

Ao sair do escritório, Arthur não percebeu algo, mas Miguel percebeu.

Era um saco de remédios de ervas.

......

Lar São Vicente.

Foi para lá que Sofia fugiu, em completo desespero.

Ela não conseguia permanecer nem mais um segundo diante da porta do escritório de Miguel, nem naquela empresa.

Sentia vontade de vomitar.

Cada palavra que saíra da boca de Miguel lhe causava náuseas.

Então era esse o homem que ela amara por dez anos.

No passado, Miguel a conquistara e se casara com ela por causa de outra mulher.

Agora, ele havia matado com as próprias mãos o filho dos dois... também por causa de outra mulher.

Dez anos de amor, três anos de casamento, tudo não passava de uma piada.

Sofia enxugou as lágrimas dos cantos dos olhos e entrou no asilo.

Desde que ela se casara com Miguel, Alzira fora transferida do hospital para ali.

A saúde de Alzira era frágil e, após uma infecção viral, ela desenvolvera Alzheimer.

Embora Alzira já não a reconhecesse, havia coisas que Sofia ainda precisava lhe dizer.

No passado, o maior desejo de Alzira era que a filha tivesse um casamento feliz.

Por isso, Sofia queria lhe dizer que tinha sido uma filha indigna.

Ao anoitecer, Sofia deixou o asilo e foi até um escritório de advocacia.

O céu escurecia, as luzes de Vale Central começavam a se acender, e o trânsito fervilhava.

Quando Miguel voltou para casa, percebeu que as luzes estavam apagadas.

Ele as acendeu, e a iluminação revelou os remédios de ervas em sua mão, junto a um buquê de rosas cor de rosa.

Na casa enorme e vazia, não havia comida quente e perfumada...

Nem Sofia.

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Comments (2)
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Adriana Matos Vieira
Monstro! Eu pagaria na mesma moeda!
goodnovel comment avatar
Miracy Batista Pacheco
mais um personagem idiota
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