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Capítulo 4

ผู้เขียน: Duduzinho
Miguel franziu a testa, deixou as flores e os remédios de ervas de lado e, sem pressa, ligou para Sofia, mas a chamada não completou.

Ele nunca imaginara que Sofia não estivesse em casa.

Ainda assim, como de costume, colocou um disco para tocar, ouvindo seus Nocturnes favoritos.

Uma hora depois, Sofia não voltou.

Duas horas depois, Sofia não voltou.

Três horas depois, Sofia não voltou.

Miguel se levantou e foi até o guarda-roupa.

A maioria das roupas de Sofia ainda estava lá, todas compradas por ele, todas em tons de rosa.

Mas os dois conjuntos azuis que ela tinha antes de se casar haviam desaparecido.

Nesse momento, alguém entregou uma encomenda.

O destinatário era ele.

Miguel não se lembrava de ter comprado nada.

Era uma caixa de papelão enorme.

Ao abrir a embalagem, encontrou uma profusão de itens...

Rosas cor de rosa, um colar de diamantes rosa, bolsas cor de rosa, sapatos de salto alto cor de rosa, vestidos cor de rosa, um relógio de diamantes rosa, enfeites de ouro, lenços cor de rosa, perfumes de luxo, um broche de diamantes rosa, chaves de carro, um anel de diamante rosa...

O rosto de Miguel foi ficando cada vez mais sombrio; uma tempestade se formava em seus olhos.

Tudo aquilo eram presentes que ele dera a Sofia na época em que a conquistou.

Aquele anel de diamante rosa era o anel de noivado.

Miguel examinou os itens e percebeu que, mesmo após tantos anos, as etiquetas ainda não haviam sido removidas.

A única coisa na caixa que não era um presente dele era uma pasta de documentos.

Miguel a abriu e puxou os papéis de dentro.

......

A paisagem noturna de Vale Central era deslumbrante, um espetáculo de luxo e excessos.

A casa da Rua do Casarão Velho estava há anos sem luz.

Naquela noite, porém, permaneceu iluminada do entardecer até altas horas.

Sofia passou metade do dia limpando o lugar até não sobrar um grão de poeira.

Simples, mas limpo, o ambiente parecia até aconchegante.

Só que antes havia Alzira ao seu lado; agora restava apenas ela.

Dizer que não se sentia sozinha seria mentira.

Sofia segurava o celular, hesitando se ligava ou não para Laura Souza.

Laura era sua amiga e também colega de colégio.

Mas, antes que conseguisse fazer a ligação, a campainha tocou de repente.

Sofia correu para abrir a porta.

A silhueta de Miguel bloqueava a entrada como uma montanha, assustando ela.

— O que significa isso?!

O acordo de divórcio que Miguel segurava foi arremessado contra o rosto de Sofia.

A face dela ficou avermelhada.

Era a primeira vez que via Miguel tão furioso; assustada, ela baixou a cabeça.

— Por que não diz nada? Que história é essa de sair de casa? Você acha que ainda é criança?!

Miguel estendeu a mão para puxar ela; Sofia recuou.

— Miguel, eu quero me divorciar de você.

— Por quê?

— Porque...

— É por causa da Isabela, não é?

Sofia ergueu a cabeça e viu Miguel de braços cruzados, o rosto belo como um quadro, exibindo um sorriso frio e debochado.

Aquele sorriso feriu os olhos de Sofia.

Ao perceber que ela não negava, Miguel achou graça.

Como Isabela já havia voltado ao país, era impossível esconder as coisas; e ele tampouco pretendia fazer isso.

— Sofia, você também resolveu brincar de fazer charme agora? Admito que a Isabela foi meu primeiro amor. Na época, pedi você em casamento para provocar ela. Mas, nesses três anos de casamento, nunca fiz nada para te trair...

Essas palavras fizeram os olhos de Sofia se encherem de lágrimas.

Ela queria perguntar: "Foi você quem matou nosso filho com as próprias mãos?"

Mas achou que não adiantaria.

O peito doía, como se estivesse sendo esmagado por uma pedra.

Sofia respirou fundo, com esforço.

Diante de tudo isso, o divórcio era o melhor desfecho para ela e Miguel, a forma de colocar um ponto final naquela união tola e fracassada.

Sofia observava Miguel tirar um cigarro do bolso, acender e se sentar no sofá estreito da sala, soltando fumaça enquanto falava com convicção, como se estivesse absolutamente certo de tudo o que dizia.

— A Isabela estudou no mesmo colégio que eu. Na faculdade, foi para o exterior e voltou agora, já formada; é um talento raro, uma estrela em ascensão no design de joias. Se a mão dela não tivesse se machucado, já seria uma pianista de nível internacional.

Ele continuou:

— Ela é boa demais. Seria injusto deixar ela presa em casa, fazendo serviço doméstico e enterrando o talento dela. Por isso, ela não serve para ser minha esposa...

O rosto de Sofia foi perdendo a cor aos poucos.

— Mas você é diferente. Você não tem talento, não tem ambição. Nem chegou a se formar na faculdade, não tem diploma, não tem competência, nem uma boa condição familiar. Depois de tantos anos como dona de casa, já se desligou completamente da sociedade...

— Sem mim, você não é nada. Nem a própria sobrevivência conseguiria garantir. Com que direito você acha que pode se divorciar de mim?

O apartamento pequeno ficou mergulhado em silêncio absoluto.

Sofia tentou dizer algo, mas acabou inalando a fumaça que Miguel soltava e começou a tossir.

— Pensou bem, então arrume suas coisas e volte comigo para casa. Eu só vou te perdoar dessa vez.

O cigarro chegou ao fim.

Miguel não encontrou um cinzeiro, mas também não jogou a bituca no chão.

Quando ele levantou a mão, Sofia se adiantou, pegou a ponta queimada e jogou no lixo.

Miguel sorriu. Aquele sorriso encantador parecia ainda mais sedutor.

Sofia dizia que queria se divorciar, mas, aos olhos dele, o corpo dela era honesto demais.

Miguel mudou de posição, cruzando as pernas.

Sofia não tinha dinheiro nem capacidade.

Era uma mulher que só sabia depender de um homem.

Se não fosse burra, saberia perfeitamente qual escolha era mais vantajosa para si mesma.

Dessa vez, ela só estava reagindo à presença de Isabela, brincando de se afastar para chamar atenção.

— Chega de teatro. Não tenho tanto tempo para perder com você. Enquanto você continuar cuidando da casa como antes, eu continuo te sustentando.

Miguel terminou de falar com frieza, mas viu Sofia se abaixar e pegar do chão o acordo de divórcio espalhado.

— Se você não assinar, amanhã mesmo eu envio isso para a sua empresa, ou então mando para a sua mãe...

Miguel se levantou num salto:

— Sofia, não abuse da minha paciência!

O Miguel que ela amara por dez anos parecia, naquele momento, um completo estranho, e isso a aterrorizava.

Sofia abriu a porta:

— Vá embora. E não volte mais.

Miguel não esperava que, ao deixar o orgulho de lado e ir atrás dela, acabasse recebendo uma recusa tão humilhante.

Ele deu de ombros e soltou uma risada fria:

— Tudo bem. Você é corajosa. Quando se arrepender, não venha chorando me pedir ajuda.

Miguel bateu a porta com força e foi embora.

O acordo de divórcio ficou para trás.

No meio da noite, Sofia finalmente encontrou o cartão bancário que tinha antes do casamento.

Ele sempre ficara guardado naquela casa, sem nunca ter sido usado, e o dinheiro ali não vinha de Miguel.

O que Miguel dissera na noite anterior não estava errado: ela não tinha diploma nem formação, passara anos como dona de casa e estava completamente afastada do mercado.

Depois do divórcio, precisaria encontrar o próprio caminho para sobreviver.

Depois de vincular o cartão ao aplicativo do banco, o saldo apareceu rapidamente na tela: um milhão e quinhentos mil dólares.

Era até um pouco mais do que ela havia imaginado.

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