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Quando Me Traíram, Eu Casei com o Chefe
Quando Me Traíram, Eu Casei com o Chefe
Autor: Eva Belmont

Capítulo 1 — O Dia em Que Meu Mundo Acabou

Autor: Eva Belmont
last update Data de publicação: 2026-06-11 01:11:02

Valentina Moreira sorriu para o próprio reflexo no espelho.

Sobre a cama, havia catálogos de decoração, amostras de flores e uma pequena caixa de veludo onde descansavam as alianças que ela e Henrique haviam escolhido semanas antes. Faltavam apenas vinte dias para o casamento. Vinte dias para deixar para trás a sensação de nunca pertencer à família que a adotou e construir a sua própria.

Ela acreditava nisso.

Acreditava que, depois de anos ouvindo que precisava ceder, compreender e não criar problemas, finalmente seria feliz.

Seu celular vibrou sobre a penteadeira.

Henrique: "Desculpa, meu amor. Vou me atrasar de novo. A Lívia não está bem, estou levando ela ao médico."

Valentina releu a mensagem duas vezes.

Nos últimos meses, aquela justificativa havia se tornado frequente demais. Sempre era Lívia. Sempre a irmã adotiva que havia retornado para a família há poucos anos e rapidamente se tornado o centro do universo de todos.

— Tudo bem... — murmurou para si mesma. — Ela é sua amiga também.

Era o que repetia para acalmar o aperto no peito.

Ela pegou as chaves do carro. Precisava entregar alguns documentos na empresa onde trabalhava como diretora financeira. O presidente do grupo, Leonardo Vasconcelos, era conhecido por ser um homem exigente e extremamente reservado. Quase ninguém o via pelos corredores. Diziam que ele passava mais tempo viajando do que no próprio escritório.

E, quando aparecia, o silêncio tomava conta do prédio.

Valentina nunca tinha conversado com ele além do estritamente necessário. Ainda assim, bastava a presença daquele homem para fazer executivos experientes abaixarem a cabeça.

Ela afastou esse pensamento.

Naquele dia, a única coisa que importava era terminar o expediente cedo e encontrar Henrique para provar o terno do casamento.

Ou pelo menos era esse o plano.

Ao chegar ao prédio da empresa, percebeu que havia esquecido uma pasta importante em casa. Resmungando baixinho, deu meia-volta e dirigiu de volta para a mansão dos Moreira.

A casa estava estranhamente silenciosa.

Os empregados não estavam no jardim. A governanta também não apareceu para cumprimentá-la. Valentina subiu as escadas carregando a bolsa e, quando passou pelo corredor do segundo andar, ouviu uma risada conhecida.

Era a voz de Lívia.

Ela parou.

A porta do antigo quarto de hóspedes, agora ocupado pela irmã, estava entreaberta. Sem querer, seus olhos encontraram a cena do outro lado.

Henrique estava ali.

Não estava conversando.

Nem consolando.

Ele segurava o rosto de Lívia com as duas mãos enquanto a beijava como um homem que havia esperado por aquele momento durante anos.

A pasta escorregou dos dedos de Valentina e caiu no chão com um estrondo.

Os dois se afastaram imediatamente.

Henrique empalideceu.

— Va... Valentina...

Lívia, ao contrário, não parecia assustada. Apenas ajeitou o vestido e encarou a irmã com um olhar quase desafiador.

— Você não ia para a empresa? — perguntou, sem o menor sinal de culpa.

Valentina olhou para o homem que amava.

Esperou uma explicação.

Uma mentira qualquer.

Um pedido de desculpas.

Mas Henrique apenas abaixou a cabeça.

E, naquele instante, ela entendeu a verdade mais cruel de todas.

Aquilo não tinha acabado de acontecer.

Ela não estava descobrindo um erro.

Estava descobrindo um segredo.

Um segredo do qual ela era a única pessoa que não sabia.

As lágrimas ameaçaram cair, mas ela as conteve. Não daria esse espetáculo a eles.

Com a voz trêmula, mas firme, fez apenas uma pergunta:

— Há quanto tempo?

Henrique abriu a boca, incapaz de responder.

Quem respondeu foi Lívia.

Com um sorriso pequeno, quase vitorioso, ela segurou a mão dele e disse:

— Tempo suficiente para você entender que ele nunca foi realmente seu.

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